O Dunga da seleção brasileira e capitão do tetra todo mundo conhece, mas por onde anda o Carlos Caetano Bledorn Verri? Um projeto social que auxilia centenas de famílias é uma das respostas. Uma possível volta ao futebol é outra. E será que o Flamengo encanta o ex-jogador?
Foram quase 30 minutos de papo, em uma entrevista exclusiva para a ESPN, com foco nos projetos sociais de Dunga fora de campo, mas com o futebol que sempre o acompanhou como pano de fundo.
Desde o dia em que foi demitido pela segunda vez da seleção brasileira, em 15 de junho de 2016, ele se afastou da mídia e dos holofotes. Magoado com as críticas da torcida e da imprensa, motivos sobraram para ele se negar a dar qualquer entrevista, repetindo o que já havia feito na primeira demissão do comando do time nacional. Foi bem antes disso, em 2002, que encontramos Dunga para uma reportagem da ESPN no projeto que ele inaugurou, o Esporte Clube Cidadão, na Restinga, um dos bairros mais carentes e violentos da capital Porto Alegre.
Ao lado de Tinga, ex-jogador de Grêmio, Inter e Cruzeiro, entre outros clubes, Dunga lançava, há quase 20 anos, uma ação social que transformaria a vida de milhares de crianças e adolescentes. Agora, em 2020, nesta entrevista exclusiva, o então recluso Dunga voltou a falar, especialmente sobre sua dedicação às mais variadas causas sociais.
A Restinga tem uma população maior que muitas cidades, com mais de 51 mil habitantes, e outros milhares de problemas sociais que assolam o terceiro bairro mais populoso de Porto Alegre. Por exemplo, a renda per capita do bairro é, em média, de 2,5 salários mínimos, e apenas 18,8% da população é economicamente ativa.
Foi nesta área pobre e violenta que Tinga surgiu. E o projeto ali instalado é o xodó do capitão do tetra. Em parceria com a ACM (Associação Cristã dos Moços), a ação atende 600 crianças e adolescentes no chamado “contraturno”, uma extensão do horário de ensino, oferecendo esporte, reforço escolar e aulas de cursos profissionalizantes tanto para os alunos quanto para os pais.
Ao lado do marido Juarez Rosa, já falecido, Berna, assistente social e amiga de Dunga há mais de 30 anos, introduziu o ex-jogador ao mundo cheio de adversidade chamado Restinga. Ela é uma espécie de braço direito - e esquerdo - do ex-volante na missão. Neste período, o projeto Esporte Clube Cidadão passou por muitas turbulências, mas nada parecido com o estrago que a COVID-19 vem causando.

Projeto da Restinga
São milhares de vidas salvas com o projeto social, que fez Dunga aprender a ter um olhar diferenciado em relação às mais diversas dificuldades o povo passa, ainda mais neste momento tão difícil de crise na saúde mundial devido à pandemia.

Isolamento e realidade
No momento atual, Dunga se divide entre as tarefas administrativas de suas empresas e os telefonemas de amigos, ex-jogadores e empresários que vestiram a camisa da ação social. Poucos sabem, mas o capitão do tetra tornou-se referência no terceiro setor e sempre é consultado pela legião de solidariedade que ele mesmo formou.

Futebol, vida, reflexão
Dunga ainda chama a atenção para um grave defeito do brasileiro, o esquecimento do passado e daqueles que fizeram a nossa história. Ele contou uma experiência surreal que viveu agora, em época de pandemia, em um asilo esquecido pela sociedade e, principalmente, pelo poder público.

Líderes, governantes e descaso
O ex-jogador prega entre os amigos e seguidores o exemplo que um homem público deve dar. O Dunga que conhecemos nessa reportagem nada tem a ver com aquele cara sisudo, bravo, impaciente e sempre desconfiado quando o assunto é imprensa. O Carlos Verri que nos concedeu a inédita entrevista é o cidadão que só quer ver o seu povo mais humano e solidário. E dá uma sugestão para melhorar a vida das pessoas atingidas há séculos pelos desmandos de uma sociedade egoísta e pouco generosa.

A cultura do voluntariado
Por quase meia hora ao telefone, o eterno capitão da seleção quer continuar fazendo a diferença, mesmo sabendo que o seu grande amor, o futebol, por enquanto, o esqueceu. Se ele pretende retornar à beira do gramado para orientar uma equipe ou, quem sabe, uma seleção, só o tempo vai nos dizer. Afinal, não dá para dissociar a imagem de um cara que foi do céu ao inferno com o povo apaixonado e fanático por futebol.

Sente falta do futebol?
A entrevista que foi quase toda pautada no social e nas ações que Dunga vem implantando, claro, não poderia ter um desfecho sem que ouvíssemos a respeito do futebol atual. E ele não fugiu da raia, pelo contrário, questionou o que muitos chamam de futebol moderno, modelos de gestão e como a seleção campeã do mundo em 1994 influenciou o futebol ao redor do planeta

Quer ajudar?
Para o fã de esporte que se identificou com as ações sociais do capitão Dunga, um dos canais de comunicação é via WhatsApp, o contado é Angela Aguiar, (51) 98428.8902. O projeto também dispões de uma conta bancária para possíveis doações, Banco Banrisul, Agência: 0040, C/C 0617561402, ACM Vila Restinga Olímpica, CNPJ: 92863000001/055.

