Dudu relembrou na última quarta-feira como o Palmeiras conseguiu contratá-lo dando um “chapéu” nos rivais Corinthians e São Paulo em janeiro de 2015. Ele negociou primeiramente com o clube alvinegro, que estava com problemas financeiros. Depois tratou com a diretoria tricolor, que tentava parcelar o pagamento para o Dínamo de Kiev, até que apareceu Alexandre Mattos pelo time alviverde.
“Ele me ligou numa sexta à noite. No outro dia eu ia conversar com o São Paulo, aí meu empresário me pediu para ir ao escritório deles porque tinha uma pessoa querendo conversar comigo, e o Alexandre estava lá. Eu falei: 'Claro que eu quero jogar no Palmeiras'. […] Aí fui lá com o pessoal do São Paulo e falei que voltaria para a Ucrânia. No domingo de manhã, o Palmeiras me anunciou”, disse ao programa “Jogo Aberto” da Band.
A repercussão foi imediata, com palmeirenses debochando de corintianos e são-paulinos pelo "chapéu". Vale relembrar que o clube estava iniciando seu trabalho de reestruturação após quaser ser rebaixado no ano anterior. Isso aumentou o impacto da notícia.
Para alegrar ainda mais a torcida alviverde, Dudu virou ídolo e o principal nome do time nesses cinco anos. O dono da camisa 7 soma 305 jogos e 70 gols pelo Palmeiras, onde já conquistou dois títulos de Campeonato Brasileiro (2016 e 2018) e uma Copa do Brasil (2015).
Desde que ele chegou ao Palmeiras, Corinthians e São Paulo tiveram seis camisas 7 cada um, mas não conseguiram ninguém que trouxesse os mesmos resultados que Dudu deu ao Palmeiras. Os corintianos foram quem chegaram mais perto.
Os 7 do Parque São Jorge
Começando pelo lado corintiano, há cinco anos o dono da camisa 7 era Elias, que havia retornado ao time um ano antes. Ele ficou na equipe até o final de julho de 2016, quando foi para o Sporting. De 2015 até a saída, jogou 63 vezes e marcou 12 gols.
O mais marcante da sua passagem foi o título do Campeonato Brasileiro de 2015, quando o Corinthians de Tite fez um segundo turno brilhante. Elias formou um meio de campo forte ao lado de Renato Augusto e Jadson. Todos foram convocados na época.
Depois da saída de Elias, que não teve um 2016 tão brilhante, a camisa 7 ficou sem dono até o início de 2017, quando foi adotada pelo atacante Jô, em seu retorno ao clube. Ele foi cria da base e se profissionalizou em 2003.
Apesar de estar fora de forma (era banco de Kazim naquele recomeço), ele deu a volta por cima e virou titular do time de Fábio Carille, campeão do Campeonato Paulista e do Brasileiro daquele ano. Ao todo, foram 61 jogos e 25 gols.
Em 2018 começou uma era difícil para a 7 corintiana. Foi desprezada no primeiro semestre, sendo usada por Emerson Sheik apenas na Copa Libertadores (ele era o 47, mas a Conmebol limitava a numeração até 30). Foram cinco jogos e um único gol.
O time foi bicampeão paulista em 2018 sem ninguém vestir a 7.
No segundo semestre daquele ano, ela passou para o atacante Jonathas, que não deixou saudades na torcida. Ele a vestiu apenas nove vezes, com direito a um único gol. Ele seria o dono dela na temporada seguinte, conforme anunciando pelo Corinthians, mas saiu antes.
Quem acabou herdando a camisa foi o equatoriano Sornoza. Ele chegou a jogar uma vez com o número 18 nas costas, mas depois vestiu a 7 e fez 45 jogos e um gol. Chegou a ser campeão do Paulista em 2019, mas não foi uma temporada marcante dele ou do time.
Na lembrança de muitos torcedores está o final melancólico no Campeonato Brasileiro.
Tanto que antes mesmo do encerramento de 2019, quando o Corinthians já tinha acertado a vinda de Luan, a diretoria anunciou que o gremista é que ficaria com o número 7 em 2020. Sornoza não reclamou e também não seguiu na equipe.
Luan ainda não emplacou. Até a paralisação da competição, somava 12 jogos e três gols.
Os 7 do Morumbi
Se não teve nenhum camisa 7 igual a Dudu no Palmeiras, o Corinthians ao menos viu três jogadores que usaram a numeração serem campeões. Algo que o São Paulo não conseguiu.
O time tricolor teve seis jogadores com a numeração de 2015 para cá. Aquele ano começou com Michel Bastos dono da camisa. Ele havia sido contratado uma temporada antes e ficou até metade do ano de 2016, quando saiu perseguido pela torcida.
Bastos fez 93 jogos e 18 gols com a camisa 7 tricolor, entre 2015 e 2016.
Depois dele, Neilton, uma aposta do clube com aval do então técnico Rogério Ceni para a temporada 2017, acabou recebendo o número 7, mas decepcionou. A revelação do Santos, que chegou a ser vista como o “novo Neymar” em 2013 mal foi titular.
Fez apenas nove partidas pelo clube tricolor e nenhum gol. Saiu após o primeiro semestre, juntamente com Ceni, demitido.
O “herdeiro” da 7 também não empolgou. Foi o meio-campista Maicosuel, ex-Botafogo, trazido ao clube com aprovação de Vinícius Pinotti, então homem forte do futebol tricolor, mesmo contrariando sugestões do departamento médico.
O problema é que Maicosuel tinha um histórico de lesões e mal entrou em campo. Entre o segundo semestre de 2017 e o início de 2018 (antes de ser emprestado ao Grêmio) ele fez somente nove jogos e um gol. Foi a maior decepção de todos os camisas 7 no período.
A camisa ficou vaga por pouco tempo. Foi dada para Nenê no início de 2018, então vindo do Vasco. Ele a usou até 20 de julho, quando passou a ser o 10 do time na vaga do peruano Cueva, negociado com o Krasnodar, da Rússia.
Foram 30 jogos e dez gols com o número 7 em 2018. Que ficou vago no restante do ano.
Em 2019, a comissão técnica tricolor deu a 7 para o colombiano Tréllez, mas ele nem chegou a entrar em campo. Saiu antes disso. Assim, a simbólica camisa ficou sem um dono até 26 de abril, quando Pato, então contratado do futebol chinês, a adotou.
Desde então, ele fez 33 jogos e nove gols. E é a esperança de dias melhores.
