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Ídolos do Corinthians apostavam gols de falta em treino, e Neto provocava: 'Vamos beber uns chopes à custa do Marcelinho'

Dois exímios cobradores de faltas e grandes ídolos do Corinthians, Neto e Marcelinho Carioca atuaram juntos na equipe alvinegra durante o título do Campeonato Paulista de 1997.

Aos 30 anos, Neto tinha vivido uma sua melhor fase no Parque São Jorge entre 1989 e 1993, quando o foi o grande nome da conquista do Brasileiro de 1990.

Após rodar por Millonarios-COL e Santos, ele foi contratado pelo Timão. O "Xodó da Fiel" estava há cinco meses parado depois de fazer uma cirurgia no pé esquerdo.

Ele chegou justamente para suprir a ausência de Marcelinho, grande astro da equipe, que havia operado do púbis, em 96.

Assim que o "Pé de Anjo" se recuperou da lesão, passou a apostar com Neto quase todos os dias quem fazia mais gols de falta após os treinos.

“Ele me falava: 'Ô juvenil, espera um pouco que hoje nós vamos beber uns chopes à custa do Marcelinho'”, disse Romerito, ex-meia do Corinthians, ao ESPN.com.br.

“Mesmo com o tornozelo ruim, o Neto ganhava na maioria das vezes. De cada 10 faltas, ele acertava umas nove e o Marcelinho umas oito. Era uma briga muito grande e o [goleiro] Maurício ficava lá para tentar defender. Os dois eram um absurdo na bola parada”, contou.

Logo após o desafio, Romerito ia fazer sauna com Neto e depois e bebia os chopes no barzinho perto do Parque São Jorge.

“Depois, ele ainda me deixava em casa porque nem carro eu tinha”, disse o ex-meia.

Da fazenda para o Corinthians

Criado em fazendas no interior de Goiás, Romero Mendonça Sobrinho parecia ter o destino traçado: seguir o mesmo passos de seus familiares.

“Eu trabalhava na roça mexendo com trator e tirando leite antes de me mudar para a cidade. Depois, fui servente de pedreiro e office boy por dois anos em um escritório de contabilidade. Não tinha pretensão de ser profissional, eu gostava de jogar bola só”, admitiu.

O jovem canhoto, porém, contrariou a lógica e seguiu carreira em outros campos. Após ser descoberto no futebol amador pelo Atlético-GO, ele foi morar aos 17 anos em uma república do clube de Goiânia, em 93. Após passar pouco tempo nos juniores e ser efetivado aos profissionais, ele foi emprestado junto com Lindomar ao Timão no Brasileiro de 96.

“Eu sempre fui meia, mas o empresário me levou como atacante. Um diretor do Corinthians queria nos comprar por R$ 1 milhão logo no primeiro dia, mas o Atlético-GO não quis nos vender. Depois, tentaram renovar o empréstimo, mas tivemos que voltar porque o Atlético queria fazer um time para conseguir o acesso no Brasileiro. Como a gente não tinha instrução e nem empresário para nos ajudar, nós voltamos”, afirmou Romerito.

Durante o ano em que passou no Parque São Jorge, o meia virou um pupilo de Neto.

“Ele me ajudou pra caramba. Ganhei vários pares de chuteira dele e do Bernardo, além roupas de uma marca que o patrocinava. A gente não sabia que tinha direito a receber 15% do valor da transferência e foi Neto quem viu isso e nos alertou”, disse Romerito.

No ano seguinte, ele quase não teve chances na equipe - turbinada pelo dinheiro do banco Excel trouxe vários jogadores de renome - que venceu o Paulistão, mas anotou um gol.

Neto também foi reserva, enquanto Marcelinho Carioca foi o grande astro do time alvinegro até ser vendido depois do Estadual ao Valencia.

Após deixar o time paulista com poucos jogos realizado, Romerito rodou por muitos clubes, com destaque para Santo André (campeão da Copa do Brasil de 2004), Goiás e Sport (faturou a Copa do Basil de 2008) antes de pendurar as chuteiras, aos 40 anos.