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Do drama com tiro e morte do pai ao apelido Imperador: Adriano repassa vida em 'carta' à Inter de Milão

A Inter de Milão tem uma seção em seu site na qual ex-jogadores enviam uma ‘carta’ ao clube, contando suas histórias. Nesta segunda-feira, foi publicado o depoimento de Adriano, com o brasileiro relembrando o início da carreira e o amor pela equipe italiana.

Na Vila Cruzeiro, onde o menino cresceu e tem raízes até hoje, Adriano era chamado de ‘Pipoca’, por comer muito as pipocas de sua tia, e gostava de andar apenas de shorts, sem camisa e descalço. Tiros eram comuns de serem ouvidos, e um desses acabou atingindo seu pai de forma acidental. Quando ele finalmente voltou a casa, o filho afirmou que foi um dos dias mais felizes de sua vida até então.

“Se você mora na favela, é difícil você imaginar um futuro diferente, brilhante, mas sempre almejei coisas maiores graças ao futebol”, ressaltou Adriano.

Após deixar a mãe louca com futebol dentro de casa, Adriano começou nas escolinhas de futebol do Flamengo graças ao fato de sua tia vender balas nas ruas e poder pagar nesse início. “Eu amava jogar futebol, mas sempre tive um objetivo claro: comprar uma casa para minha família. O futebol me permitiu viver uma vida que eu não viveria em outra profissão”, declarou o atacante.

Amor na Itália e maior dor da vida

Em 2001, logo após seu início no profissional, Adriano recebeu uma proposta da Inter de Milão e começou sua aventura na Itália. Sem medo porém, com alegria e entusiasmo por estar realizando um sonho. Logo na estreia, diante do Real Madrid, uma falta a 170 km/h para mostrar a Europa o poder da sua perna esquerda.

Em 2004, contudo, a pior notícia da vida veio por telefone: a morte de seu pai Almir. Adriano relatou “que nunca sentiu uma dor tão terrível e insuportável, que deixou uma vazio irreparável em minha vida.” De volta após o enterro, Adriano marcou um gol diante do Basel na Suíça e lembrou com carinho do suporte do presidente da equipe, do capitão Javier Zanetti e de seus companheiros.

A relação com a Inter era então ainda mais forte, ajudada pelos gols diante do rival Milan e pelo apelido de Imperador. “No início, não achava que gostavam de mim quando me chamavam assim. Mas foi legal conhecer gradualmente o carinho dos fãs por mim. A Inter é uma grande parte de mim, está entrelaçada com minha vida. Sempre me senti em casa em Milão e meu amor pela Inter nunca acabará”, relatou o, para sempre, Imperador da Inter de Milão.