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Premier League: Noiva de jornalista assassinado pede à liga para bloquear compra do Newcastle

A noiva do jornalista Jamal Khashoggi, assassinado em outubro de 2018, pediu à Premier League que seja bloqueada a compra do Newcastle pela Arábia Saudita, com o argumento de que a conclusão do acordo tornaria o futebol inglês um cúmplice do assassinato do jornalista.

Em carta enviada à diretoria da liga inglesa, Hatice Cengiz questionou se os 300 milhões de libras investidos no Newcastle pelo Fundo de Investimento da Arábia Saudita, controlado pelo príncipe Mohammed Bin Salman, eram compatíveis com as diretrizes da liga, já que elas proíbem que um clube seja comandado por algum indivíduo que esteve envolvido em algo que seria "ofensivo" e tenha ocorrido no Reino Unido.

"A proposta de aquisição não são apenas 'negócios' para o príncipe para as autoridades sauditas, mas uma tentativa de fugir da justiça e das investigações judiciais por um ato sem escrúpulos. Isso esmagaria os princípios e regras da Premier League e arruinaria sua boa reputação e caráter, permitindo que o príncipe e as autoridades usassem essa aquisição para tentar reparar sua posição internacional", afirmou Rodney Dixon QC, advogado de Cengiz, em carta.

A Premier League se recusou a responder neste momento.

Em exílio desde 2018, o então jornalista do "Washinton Post", dos Estados Unidos, Jamal Khashoggi foi assassinado dentro do consulado da Arábia Saudita em Istambul, na Turquia, em 2018, quando foi entregar os papéis para se casar com Hatice Cengiz.

De acordo com a investigação, a noiva esperava do lado de fora quando o homem de 59 anos foi assassinado e desmembrado dentro da embaixada. Seu corpo nunca foi encontrado.

Além do choque causado pelo caso, a relatora especial em execuções extrajudiciais da ONU, Agnes Callamard, afirmou que existiam evidências de que o príncipe Mohammed e outros oficiais de alto nível da Arábia Saudita estavam envolvidos no caso e seria "inconcebível" que a operação que causou a morte do jornalista tivesse sido permitida sem que antes o príncipe fosse avisado.

Até o momento, cinco pessoas foram sentenciadas à morte e três foram presas no país árabe no último ano por envolvimento no caso.

Ainda na carta para o diretor executivo da Premier League, Richard Masters, o advogado afirmou que "não existem limites" para as tentativas de Bin Salman e seus governantes e destacou que as agências de inteligência do Reino Unido estavam cientes de que a Arábia Saudita vigiava Cengiz em Londres nos meses seguintes ao assassinato.

"Acredito que a Premier League e as autoridades britânicas deem valor a seus princípios e reputação acima desta tentativa de 'lavar as mãos' através do esporte", afirmou Cengiz em outra carta, enviada na última terça-feira, e acrescentou que qualquer fundo árabe investido para comprar o Newcastle era "um ato desesperado de salvar a reputação" do príncipe Bin Salman.

A Arábia Saudita não confirmou o interesse de adquirir 80% dos direitos do Newcastle, mas a notícia é o principal tópico nas últimas semanas da Inglaterra.

Enquanto isso, o governo britânico afirmou que não irá intervir no "acordo controverso", e quando perguntado sobre o caso, enfatizou que o Reino Unido já encerrou relações com o país.