Há 30 anos, ao derrotar o Queen Parks Rangers por 2 a 1, o Liverpool sagrou-se campeão inglês pela 18ª e última vez. Desde então, os Reds sofrem em busca da taça e justamente na temporada em que tudo parecia certo, que nenhum rival poderia impedir o título, o mundo foi nocauteado pelo novo coronavírus. E a pandemia paralisou todas as modalidades esportivas no mundo.
Os torcedores do Liverpool aguardam a retomada da competição para celebrar. Afinal, o time liderava com 82 pontos, 25 a mais do que o vice-líder, o Manchester City, e a nove rodadas do final. O que significa que a equipe poderia sagrar-se campeã com mais uma ou duas rodadas, no máximo.
O que só aumentou o grau de ansiedade e também frustração dos torcedores.
A última vez em que Liverpool foi campeão o mundo era totalmente diferente.
Para se ter ideia, o Corinthians não tinha nenhum título nacional. Os torcedores do clube conviviam com a provocação de serem um “gigante” apenas regional por causa dos 20 títulos do Paulistão (hoje tem 30). Mas no final de 1990 a equipe ganhou o Campeonato Brasileiro e hoje soma sete taças, além de três da Copa do Brasil, uma da Supercopa do Brasil e outra da Série B.
Na época também não se falava em somar as conquistas da Taça Brasil e do Torneio Roberto Gomes Pedrosa com as edições do Campeonato Brasileiro. Algo que a CBF autorizou a fazer a partir de 2010, modificando o ranking de campeões.
Pensando em termos continentais, o São Paulo não tinha nenhuma Copa Libertadores nem Mundial (tem três de cada, tendo vencido o último diante do próprio Liverpool, em 2005). O maior campeão nacional do torneio era o Santos de Pelé, com as taças de 1962 e 1963.
Apenas Cruzeiro (1976), Flamengo (1981) e Grêmio (1983) tinham títulos continentais. Depois de 1990, a lista aumentou, com São Paulo (1992, 1993 e 2005), Vasco (1998), Palmeiras (1999), Internacional (2006 e 2010), Corinthians (2012) e Atlético-MG (2013), além dos “repetecos” de Cruzeiro (1997), Santos (2011), Grêmio (2017) e Flamengo (2019).
Em relação ao Mundial de Clubes, a Fifa ainda não organizava a competição (começou a fazer em 2000) e a América do Sul levava vantagem. Eram 17 taças sul-americanas e 11 para os europeus.
Europa
No contexto europeu, o Barcelona vivia uma eterna frustração na Copa dos Campeões (ainda não era chamada de Champions League). O clube catalão tinha sido vice duas vezes e não tinha conquistado a taça nenhuma vez (hoje tem cinco).
O maior campeão da Europa era o Real Madrid, com seis conquistas (tem 13 atualmente), seguido pelo Milan(com quatro; hoje tem sete) e o Liverpool (com quatro; hoje tem seis).
A competição europeia nem sequer era tão inchada. A edição de 1989/90 teve apenas 32 participantes, enquanto a atual edição envolveu 79 equipes.
E a competição ganhou campeões novos depois de 1990. Foram os casos de Estrela Vermelha, da antiga Iugoslávia (leia mais abaixo), o já citado Barcelona, o Olympique de Marselha, o Borussia Dortmund e o Chelsea.
Na Inglaterra, o Liverpool era indiscutivelmente o maior clube. Somou naquela temporada a 18ª taça do Campeonato Inglês. Os “concorrentes” eram o Arsenal e o Everton, cada um com nove títulos, e Aston Villa e Manchester United, que tinham sete títulos cada um.
Hoje, o United é o maior campeão do Campeonato Inglês (20 títulos) e o Arsenal passou para 13. O jejum do Liverpool foi marcado ainda pela ascensão do Chelsea (ganhou cinco taças) e do Manchester City (venceu quatro, enquanto antes tinha apenas duas).
A Copa do Mundo também tinha uma divisão diferente de campeões. Eram sete para os sul-americanos e seis para os europeus, que empatariam o “jogo” na edição daquele ano, na Itália, com o título da Alemanha Ocidental sobre a Argentina de Diego Maradona.
Hoje, são 13 títulos para a Europa e nove para a América do Sul. Os novos campeões após 1990 foram a França (1998 e 2018) e a Espanha (2010).
Mundo
Ainda não havia o efeito da globalização no planeta. No Brasil foi lançada a primeira rede de telefonia celular, embora mais da metade da população sofresse para conseguir um telefone fixo. A moeda corrente era o Cruzeiro Novo e o país sofria com a hiperinflação.
Desde 15 de março daquele ano, a presidência era ocupada por Fernando Collor de Mello. Ele entraria para a história como o primeiro chefe de Estado brasileiro a sofrer um processo de impeachment. Depois dele somente Dilma Roussef passaria por isso.
No contexto mundial, países como Iugoslávia e Tchecoslováquia ainda existiam e seriam ao longo dos anos 90 totalmente modificados. Além da União Soviética, que só foi dissolvida em dezembro de 1991, com o reconhecimento da independência das antigas repúblicas soviéticas.
O planeta também vivia a tensão entre Iraque e Estados Unidos, o que desencadearia em agosto daquele ano a Guerra do Golfo. Era o embate entre Saddam Hussein e George W. Bush.
