Há quase 34 anos, Diego Maradona fez um dos gols mais polêmicos da história das Copas. Com a mão esquerda, ele desviou uma bola pelo alto em disputa com o goleiro Peter Shilton, da Inglaterra. Foi o tento que abriu o placar no confronto pelas quartas de final daquele Mundial.
Em entrevista ao portal da Afa nesta sexta-feira, “El pibe de oro” relembrou o feito e disse que precisou mandar um companheiro “calar a boca” para não estregar a festa da Argentina.
“Eu estava procurando um espaço dentro da defesa inglesa porque eles eram como um paredão. Fenwick, Butcher, todos eram grandões naquela defesa. Até o Sansom, que é quem me ‘passa’ a bola. Não foi o Valdano que me deu a bola. Ele antecipa o Sansom, que tenta intercpetar e joga ela para trás, para o alto, para o goleiro. Quando eu vi que ela estava subindo, eu pensei ‘nunca vou chegar lá. O que eu posso fazer?’. Então, coloquei a minha mão junto a cabeça e saltei. Quando caí, vi a bola na rede e comecei a gritar 'gol, gol'”, disse Maradona.
“Mas o Checho [o volante Sergio Batista, capitão do time], o idiota do Checho, me perguntou se eu tinha feito com a mão. Eu disse: ‘Cale a boca, imbecil, e me abrace’. Foi o que disse. Aí todos começaram a me abraçar”, relembrou.
“Valdano também me perguntou: ‘Não me diga que você fez com a mão?’. E eu disse a mesma coisa e acrescentei: ‘Mais tarde eu te digo, agora pare de me encher’”, completou Maradona sobre aquele inusitado episódio.
Apesar da reclamação dos jogadores ingleses, o árbitro tunisiano Ali Bennaceur não viu que Maradona utilizou a sua mão esquerda e confirmou o gol. Ele ignorou o protesto de Peter Shilton. O gol foi batizado como “La mano di Dios”.
“Anos depois o encontrei em Dubai e ele me disse o seguinte: ‘Havia 80 mil pessoas que não se deram conta. Não fui apenas eu que errei. Todos que estavam naquele campo erraram’. Ele me disse”, relembrou Maradona, que naquele dia fez o segundo gol também.
O outro foi apelidado como “O Gol do Século”. Maradona recebeu a bola no campo de defesa e arrancou até parar nas redes. Deixou cinco jogadores de linha (Hoddle, Reid, Sansom, Butcher e Fenwick) e mais o goleiro Shilton para trás até concluir para o gol vazio.
A Argentina venceu por 2 a 1 e avançou. Ao final daquela Copa do Mundo, sagraria-se campeã.
