O técnico José Mourinho tinha dito sim ao Liverpool em 2004, com um acordo para substituir Gerard Houlliern na temporada seguinte, até que o Chelsea e Roman Abramovich apareceram com uma oferta muito maior e mudaram o rumo da história. É o que revela o livro recém publicado “Mourinho: Behind the Special One, from the origin to the glory”.
Escrita pelo jornalista francês Nicolas Vilas, a obra detalha que Mourinho esteve muito perto de comandar os Reds há 16 anos.
Em abril daquele ano, Mourinho comandava o Porto em um jogo crucial pelas quartas de final da Champions League contra o Lyon, enquanto Jorge Baidek, seu assessor naquela época, participava de uma reunião no hotel da seleção portuguesa.
“Mourinho deveria ter ido para o Liverpool. Rick Parry [então diretor executivo] estava encarregado das transferências e nós tínhamos um acordo. Eles nos pediram para esperar 15 dias, já que Houllier ainda era o gerente dos Reds”, disse Baidek.
Mourinho foi escolhido para estar em Anfield na temporada 2004/05, em um acordo que também teve a participação do agente francês Bruno Satin.
No entanto, o agente português Jorge Mendes apareceu com uma oferta muito melhor do Chelsea, revela o livro. Embora ele não tivesse trabalhado com Mourinho antes, a oferta que ele trouxe para a mesa era muito maior do que a de Merseyside.
Mourinho conheceu o novo dono do Chelsea, Roman Abramovich, pela primeira vez na véspera da semifinal da Liga dos Campeões, entre Porto e Deportivo La Coruna, no início de maio. Depois houve outra reunião, essa no iate do bilionário russo em Mônaco, no dia seguinte à conquista do torneio continental pela equipe portuguesa do treinador. Foi onde o acordo foi definido.
O que aconteceu depois disso? É uma história que todos sabemos.
Carro em chamas
O livro sobre Mourinho também detalha um incidente dramático na década de 1980, quando ele salvou a vida de um companheiro de equipe, tirando-o de um veículo em chamas.
Mourinho, com 23 anos na época, era capitão e zagueiro do Comércio e Indústria, um pequeno clube de Setúbal, Portugal.
De era um dos atacantes da equipe e foi contratado para ajudar o Comércio e Indústria a voltar à liga profissional, e quem sabe depois rumar para um clube maior. Certa manhã, quando o atacante chegou ao estacionamento do estádio para um treinamento, o veículo pegou fogo.
Mourinho, diz o livro, viu o horror se desenrolar e correu para o carro em chamas para tirar seu inconsciente companheiro de equipe e salvar sua vida.
"Ele foi um herói", disse Fernando Lage, presidente do clube na época, ao livro.
"Ele salvou minha vida", contou De ao autor.
