Cônsul-geral adjunto do Brasil no Paraguai, Afonso Nery é quem acompanha de perto o caso envolvendo Ronaldinho Gaúcho desde a prisão do craque e de seu irmão Roberto Assis em 6 de março.
Os dois apresentaram passaportes falsos na chegada ao país dois dias antes, ficaram detidos por 32 dias na Agrupación Especializada (cárcere de alta segurança em Assunção) e desde o último 7 de abril estão no hotel Palmaroga após conseguirem prisão domiciliar.
Afonso Nery os visitou na última sexta-feira e contou à ESPN sua visão sobre o caso.
“Fui lá 2h da tarde, e a gente ficou conversando com ele até 5h da tarde. Tanto ele quanto Roberto se sentem melhor, o hotel está vazio por causa da forte quarentena imposta pelo governo paraguaio. Ainda assim está privado de liberdade, tem só um policial que fica na recepção do hotel, dez funcionários seguem trabalhando (camareira, limpeza, restaurante, bar) por eles. Foi simpático”, disse o cônsul-geral adjunto.
“É lamentável o que está acontecendo, porque coincide a prisão dele com essa pandemia, então o Paraguai está fechado, todos os órgãos públicos estão sem funcionar, isso atrapalha muito a vida deles.”
“O advogado do Brasil (Sergio Queiroz) está aqui, mas foi contratada uma banca de advogados do Paraguai para ajudá-lo. Está difícil, porque a senhora que é culpada de tudo isso, a que os presenteou, está foragida”, afirmou Afonso Nery, citando a empresária Dalia López, responsável por levar os irmãos Assis ao país e também pela entrega dos documentos adulterados.
O diplomata lembra que o duas vezes melhor do mundo possui passaporte espanhol pelo tempo que atuou e morou em Barcelona. Por isso, afirma: “E ele, na pura inocência e ingenuidade, mesmo com 40 anos de idade, aceitou e utilizou esse passaporte. Ele conseguiu ser inocente, ingênuo, nesse caso. Passaportes em que estão escritos ‘paraguaios naturalizados’”.
Na visão do representante do Itamaraty, a entrega dos passaportes seria um “presente” de Dalia López a Ronaldinho e Assis.
“(O passaporte) Era uma amostra do quanto o Paraguai o admira... O casal brasileiro (Wilmondes Sousa Lira - preso desde 4 de março - e Paula Lira) entrou duas vezes com passaporte sem problemas. Quando chegou Ronaldinho e apresentou o passaporte, embora a migração o tenha deixado entrar, alguém notou depois essa inconsistência, e daí foi isso, polícia no hotel, prisão...”, afirma.
“(Os advogados) Querem provar isso, que o único crime é esse uso de passaporte legal com conteúdo adulterado. O Paraguai sim tem um problemão, porque esses documentos saem das oficinas do governo. Pobre rapaz...”
Afonso Nery, agora, acredita que a situação de Ronaldinho e Assis só mudará novamente se o governo paraguaio não ampliar a quarentena por causa do coronavírus.
“Eu torço para que quando terminar esse recesso judiciário (quarentena está valendo no Paraguai até o próximo dia 19), a defesa possa tentar algum recurso, anular essa pena”, disse.
