Líder do Paulistão ficou desempregado na quarentena e temeu não voltar para terra natal

Branquinho, 30, foi liberado pelo Santo André na última sexta-feira, dia em que o vínculo dele com o melhor clube do Campeonato Paulista chegou ao fim. Mas não foi exatamente o desemprego que trouxe preocupação ao atacante nos últimos dias.

O jogador tinha programado uma viagem de volta para Igarassu, sua cidade natal, na região metropolitana de Recife assim que ficasse sem clube. Já tinha avisado o dono do apartamento que locou em São Caetano do Sul e enviado seu carro para a terra natal.

Foi quando uma ligação o assustou.

“Na quarta, a empresa responsável pelas passagens de avião avisou que o voo para Recife estava cancelado por causa da quarentena. A saída estava programada para segunda, dia 13. Eu não tinha o que fazer. Como ia ficar aqui? Já tinha acertado de devolver o apartamento”, disse.

A solução foi apelar para o bom senso e negociar. Foi assim que conseguiu às pressas um encaixe em outro voo, este agendado para sexta-feira. Exatamente o último dia de contrato.

“A gente já estava treinando em casa pelo Santo André há duas semanas e, devido à situação, não tinha qualquer esperança de renovar. A gente nem sabe se vai continuar o campeonato. Então, aceitei. Falei com a minha mulher e procuramos ficar prontos”, disse.

O problema é que o voo que antes sairia de Guarulhos, na região metropolitana de São Paulo, passou para Campinas, a mais de 100 km da capital. E foi marcado para bem cedo.

“O voo saiu 9h, mas a gente chegou no aeroporto pouco depois das 8h. Saímos cedo de São Caetano do Sul. Preocupados e ansiosos. No fim deu certo. Cheguei em Recife 12h. E Igarassu fica a 60 km, e no litoral norte, então não foi tão complicado. O que não podia perder era o voo”.

Apesar de estar em uma cidade litorânea, Branquinho nem poderá aproveitar a praia.

“A cidade também está em quarentena. Talvez não como em São Paulo, mas a maioria das coisas estão fechadas. As pessoas não estão saindo de casa. E não pode ir para a praia. Mas ficar aqui vai ser melhor para mim. Tenho espaço para fazer os treinamentos que preciso e manter a forma até tudo isso acabar e eu poder voltar a jogar. Vou seguir fazendo os treinos indicados pelo Santo André e alguns amigos vão estar comigo para me ajudar”, disse o jogador de 30 anos.

Esse, contudo, não foi o principal motivo que o fez querer voltar para Igarassu. A volta dele e da esposa, Raíssa, tem a ver com os familiares de ambos. Eles fazem parte do grupo de risco.

O pai dele tem 52 anos, enquanto a mãe tem 53.

Sobre o momento sem clube, Branquinho revelou que se não fosse a quarentena teria ido para uma equipe de Santa Catarina, que ele prefere não dar o nome. Imagina que a hora que tudo acabar vai ser possível arrumar sim um time e tem outra preocupação agora.

“Sexta, meu último dia de contrato, eu acordei chateado. Não por causa do contrato. Chateado por essa situação. Gente sofrendo, morrendo. Acordei com o pensamento de ver logo livre desse risco. Torcendo para que a vida de todos volte ao normal, com saúde, e assim o futebol vai voltar. Quando voltar, eu vou me preocupar em procurar um clube”, disse Branquinho.