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Sobrevivente da tragédia da Chapecoense retoma carreira como comissária de bordo

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Neto relembra voo da Chapecoense com detalhes impressionantes, da aeromoça ao olhar de Bruno Rangel: 'Via que tinha acabado tudo' (1:22)

'Eu lembro de tudo', disse o sobrevivente do acidente aéreo de 2016 (1:22)

Ximena Suárez nasceu de novo naquela madrugada de 29 de novembro de 2016.

A comissária de bordo foi uma das seis pessoas que sobreviveram ao desastre do voo 2933 da companhia aérea LaMia na Colômbia.

O avião levava a delegação da Chapecoense que disputaria a ida da final da Copa Sul-Americana contra o Atlético Nacional; 71 pessoas (entre jogadores, dirigentes, comissão técnica e membros da imprensa) morreram na tragédia.

Ximena sobreviveu. E três anos depois do desastre, recomeçou a vida nos ares.

Em julho de 2019, ela começou a fazer treinamento como comissária da companhia AmasZonas e voltou a trabalhar em voos durante um mês e meio. No entanto, descontente com a empresa, saiu em dezembro passado.

A experiência de retornar aos céus, porém, foi indescritível. E ela não quer parar por aí.

“No início me dava medo, depois me senti em casa. Foi como começar de novo”, disse Ximena Suárez, de 31 anos, à ESPN.

Em seu perfil no Twitter, ela guarda uma foto com três integrantes da equipe de voo da LaMia vítimas fatais na tragédia: o piloto Miguel Quiróga além dos tripulantes Romel Vacaflores e Sisy Arias.

Ximena manteve contato com dois dos sobreviventes brasileiros (o ex-zagueiro Neto e o jornalista Rafael Henzel, morto há um ano).

Ela disse ter recebido indenização via seguradora pelo acidente, enquanto da LaMia não tem notícias. “Da LaMia, não existe nada. Sei que a seguradora ofereceu uma cifra às famílias das vítimas, mas não sei como anda isso. Vieram a Santa Cruz (de la Sierra) algumas das viúvas, mas não houve nada de concreto”, explicou a comissária.

Famílias das vítimas estão na Justiça buscando quem são os responsáveis pelas indenizações – a LaMia, cujo dono era Ricardo Albacete, deixou de existir; a seguradora boliviana Bisa alega que o contrato com a companhia aérea havia vencido; e as multinacionais AON e Tokyo Marine se recusam a pagar.

Ximena Suárez lançou um livro para contar sua experiência no desastre, “Voltar aos Céus”, tendo vendido 2.000 exemplares em espanhol e outros mil em português.

Agora, ela só quer saber de trabalhar como o seu dom.

“Quando nascemos para algo, aconteça o que acontecer, fazemos de coração. É algo que se deseja muito. Esse é o meu sonho, é o que gosto de fazer”, disse.