Com uma longa carreira na Europa, Márcio Mossoró cogita voltar ao Brasil depois de 13 temporadas. Atualmente no Goztepe-TUR, o jogador de 36 anos falou sobre a vida na Turquia e os projetos para a carreira.
Campeão da Copa do Brasil de 2005 com o Paulista de Jundiaí e vencedor da Libertadores de 2006 com o Internacional, o meia foi para o Maritimo, de Portugal, em 2007. Contratado no ano seguinte pelo Braga - a pedido de Jorge Jesus -, o brasileiro faturou a Taça da Liga de Portugal, foi vice da Europa League e do Português.
Depois de passar uma temporada no Al-Ahli Jeddah, da Arábia Saudita, ele foi para o Istanbul Basaksehir, em 2014.
"A gente foi vice-campeão na Turquia brigando com os grandes do país. Chegamos às finais da Copa da Turquia, disputamos a Liga Europa, algo que o clube nunca imaginou lá atrás", disse.
Ano passado, ele foi para o Goztepe-TUR.
Veja a entrevista com Mossoró:
Como está a situação na Turquia por causa do coronavírus?
A situação está mudando aqui. Os estádios tiveram jogos com portões fechados. As escolas irão fechar depois desta sexta-feira. Pediram para a gente tomar precauções. Aqui é complicado porque moro em uma cidade gigantesca e estamos na divisa entre a Ásia e a Europa. Temos muito turistas. O governo disse que tivemos poucos casos até agora.
Você está na Turquia há muitos anos. Quais os momento os mais marcantes que passou?
A gente foi vice-campeão na Turquia brigando com os grandes do país. Eu fiquei 5 anos no Istambul e as coisas ocorreram bem. Se a gente conseguisse se manter na elite do Turco era muito bom. Foi uma pena que em três anos brigamos para sermos campeões turcos e ficamos no quase. Chegamos às finais da Copa da Turquia, disputamos a Liga Europa, algo que o clube nunca imaginou lá atrás. Chegamos aos playoffs da Champions League e quase fomos para a fase de grupos.
Por que trocou o Istanbul Basaksehir pelo na última temporada?
O Istanbul queria mudar o ciclo e eu era um dos atletas mais velhos do elenco. Nisso, surgiu essa proposta do Goztepe. Eu tenho um ótimo relacionamento com o presidente do Istambul e falei: 'Fico mais um ano, não me importo. Eu quero encerrar minha carreira por aqui por tudo que construí nestes anos. Mas, se o Goztepe está me dando dois anos de contrato pela idade que tenho, será muito bom. Tanto financeiramente quanto para a minha carreira porque pretendo jogar até uns 39 anos'.
Foi tranquilo?
O presidente ficou de acordo e me liberou. Ele disse que as portas do Istanbul estavam abertas. Foi algo bem amigável. Até hoje nos falamos. Ele me disse: 'Assim que você encerrar a carreira pode voltar para cá para trabalhar na comissão técnica do clube. Você tem a sua sala reservada!' Isso me deixou muito alegre e foi um reconhecimento.
Como foi chegar ao Goztepe?
Eu aceitei o desafio porque aqui é um clube que deseja se firmar no cenário turco. Eles subiram há três anos para a elite e querem chegar no ano que vem nas competições da Europa. Construíram um estádio espetacular com a capacidade para 25 mil pessoas. Todos os jogos tem casa cheia. O clube quer crescer e faço parte do projeto. Para mim foi desafiador. Não tenho jogado tanto, mas tenho ajudado com a minha experiência.
Como está sua situação aí?
Fiz dois anos de contrato, mas a gente nunca sabe o que pode acontecer depois. Por que não voltar ao Brasil antes de me aposentar? Eu tenho mais um ano de contrato na Turquia e pretendia ficar por aqui. Mas não sei como ficará por causa da crise financeira, eles querem diminuir o número de estrangeiros no país. Dependendo do que possa aparecer no Brasil no meio do ano seria algo a se pensar.
Pensa em voltar ao Brasil?
Um convite de um time da Série A do Brasileiro brilharia meus olhos. Com certeza, eu não tenho dúvida disso.
Algum time específico para voltar ou não?
Eu estou aberto a propostas, não tenho um time para escolher. Uma Série A do Brasileiro poderia me fazer pensar se vale a pena voltar ao Brasil. Não voltaria desesperado ao Brasil, são situações a se pensar.
Como tem visto o trabalho do Jorge Jesus, seu-ex-treinador no Braga, no Flamengo?
Ele é um treinador fantástico, vive o futebol de uma forma que nunca vi. Eu tinha certeza que ele iria dar muito certo no Flamengo. Ainda muito tenho contato com o Mário Monteiro, que é preparador físico do Flamengo, e o Márcio. Eles eram da minha época e sempre mando lembranças ao JJ. Fico muito feliz por eles estarem bem no Flamengo. Trabalhei com o Evandro da Mota, que está no Fla, no Paulista e no Internacional. Eles casam certinho no jeito de trabalhar e de tirar o melhor dos jogadores.
