Nesta terça-feira, às 8h (de Brasília), os advogados de Ronaldinho Gaúcho e Roberto Assis vão se reunir com o juiz Gustavo Amarilla no Palácio da Justiça em Assunçao para uma "revisão de medidas" quanto à atual situação de ambos.
Eles estão presos preventivamente desde a última sexta-feira na Agrupación Especializada da Polícia Nacional do Paraguai após terem apresentado cédula de identidade e passaportes falsos mesmo sem nunca terem morado no país vizinho.
Neste encontro - que contará com a presença apenas dos advogados -, o juiz poderá rever a prisão preventiva e enviar os irmãos Assis para uma detenção domiciliar (pedido da defesa).
Para isso, porém, advogados precisam apresentar a documentação necessária de um imóvel na capital paraguaia para que eles fiquem durante o processo. Caso contrário, seguirão onde estão.
O caso envolvendo o astro do futebol mundial está mexendo com os bastidores no Paraguai. Isso porque a empresária responsável por levá-lo ao país, Dalia López, está sendo investigada por lavagem de dinheiro e evasão fiscal (atualmente tem uma ordem de prisão em seu nome, mas ela está foragida).
Nesta segunda, por exemplo, aconteceu uma reunião não-programada envolvendo SEPRELAD (Secretaria de Prevenção de Lavagem de Dinheiro ou Bens), o Ministério Público e a Corte Suprema de Justiça. Na pauta, Dalia López.
As investigações, segundo apurou a reportagem, buscam saber a ligação de Ronaldinho e Assis com a empresária - conforme revelaram os advogados de Dalia em entrevista hoje, os irmãos queriam investir no Paraguai.
O Ministério Público quer saber se há "algo maior" na utilização dos documentos falsos do que simplesmente a entrada de ambos no Paraguai para eventos. Além disso, a investigação apura se Ronaldinho foi usado como "pano de fundo" para outras negociações da empresária.
"A não ser que apareça algo muito sujo, não tem por que eles ficarem muito tempo presos", disse uma fonte do MP paraguaio à ESPN.
O governo brasileiro está a par da situação de Ronaldinho e Assis. O ministro da Justiça, Sergio Moro, ligou para seus pares no Paraguai, conforme revelado pelo GloboEsporte.com.
A Embaixada e o Consulado brasileiros no país vizinho também monitoram o caso - o cônsul adjunto Afonso Nery é quem mais de perto acompanha a história.
Ele esteve na audiência do último sábado que durou mais de 6h e visitou a Agrupación Especializada para ver a estrutura da prisão.
Caso Ronaldinho e Assis sejam indiciados apenas pelo uso de documentos falsos - e eles já admitiram culpa por isso -, a pena máxima é de cinco anos de prisão. Como trata-se de um crime considerado menor, ambos podem escapar do cárcere, pagar uma multa/fiança/doação e deixar o país.
