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Dono da 4ª melhor campanha e único invicto do Paulista: entenda o Novorizontino, adversário do Corinthians neste sábado

Frustração não é exatamente a palavra. Mas, no invicto Novorizontino, que recebe o Corinthians neste sábado e é dono da quarta melhor campanha do Campeonato Paulista, é claro que a possibilidade de ficar fora das quartas de final não agrada ninguém.

"A gente sabia dessa hipótese, porque assinamos o regulamento. Não vamos reclamar agora, porque concordamos. Mas ficou claro que podemos respensar isso para o futuro, pois o regulamento não é assim tão justo", disse Genilson Santos, presidente do clube, em entrevista para o ESPN.com.br.

Em qualquer outro grupo, o clube de Novo Horizonte, com 14 pontos, estaria na zona de classificação. Mas deu azar de estar justamente na mesma chave do fenômeno da competição Santo André (19) e do Palmeiras (17), dono do segundo melhor desempenho (O São Paulo é o terceiro, com 15).

"O Santo André fugiu da curva", diz Santos.

Faz sentido. Porque o Tigre caiu por quatro anos seguidos no grupo do Palmeiras (2017, 2018, 2019 e 2020) e sempre conseguiu a classificação que, hoje, não obteria.

E qual é o segredo do time?

"Continuidade", diz o presidente, fazendo coro com a opinião do técnico Roberto Costa, que ainda acrescenta: "Equilíbrio".

Velhos conhecidos e empréstimos

Roberto Costa e Genilson Santos pensam parecido quanto à montagem do elenco.

"Acredito numa sequência. A gente acabou trazendo jogadores que eu e o clube conhecíamos", diz o técnico.

Isso se deve também a uma estratégia administrativa.

Embora só tenha uma competição de primeira linha no primeiro semestre - o Paulista - o Novorizontino mantém contratos longos com os jogadores, que são emprestados para times de séries A, B e C no segundo semestre, retornando ao clube na época do Estadual.

"Os contratos mais longos permitem que os atletas criem identidade com a cidade e a torcida", diz.

"E a gente entende que o clube e os jogadores se beneficiam dos empréstimos, para se desenvolverem e aparecerem. E jogamos a Série D com um elenco um pouco mais modesto", explica.

Mas nem todos querem ser emprestados. Como o Tigre costuma honrar os salários em dia, há quem prefira passar o ano na cidade, ainda que isso implique num segundo semestre de desafios mais modestos.

A identidade vem também de um investimento sistemático em categorias de base.

O clube costuma promover "peneiras" para captar jogadores até mesmo em outros estados.

O time tem uma folha salarial média de R$ 600 mil. O valor é R$ 50 mil menor que o teto do Corinthians, que paga esse montante ao seu principal reforço para a temporada, o meia-atacante Luan.

Invencibilidade em números

Único time que não perdeu no torneio, o Novorizontino não é destaque em quesitos como posse de bola (41,9%), ou passes certos (74,6%), superando apenas e justamente o líder Santo André. Os números são do ESPN Truemedia, software de análise estatística dos canais ESPN.

Por outro lado, o time tem a defesa menos vazado da competição ao lado do Palmeiras - três gols sofridos. Também não vai mal no quesito gols pró, com 8 (o melhor ataque é o do Palmeiras, com 14). Cléo Silva é quem do time mais bateu a gol, com 14 chutes.

Mas Jenison e Higor Leite, com dois gols cada, são os artilheiros do time.

"Eu acredito em um jogo apurado, com posse de bola, mas nem sempre isso é possível", diz Roberto Fonseca. "O mais importante é que temos uma identidade de jogo. Tanto que entramos com um time misto contra o São Paulo (São Paulo) e mantivemos o estilo de atuação", afirma.

Na parte ofensiva, Fonseca prefere atuar num 4-2-3-1, com um homem de referência no ataque e sempre com dois outros atacantes entre os titulares.

A despeito da preferência do técnico, os números demonstram que o time joga em transição. É o penúltimo em número de toques de bola e em passes tentados, por exemplo.

Já em chutes, o time já tentou 102 e fica no meio da tabela no quesito - o Santo André foi quem menos chutou, com 57.

No que diz respeito ao posicionamento defensivo, o Novorizontino prefere uma marcação média, evitando atacar a saída de bola do adversário, mas sem também recuar demais.

"O importante é entender a característica do adversário e se adequar", explica.

Com cinco empates, o Novorizontino é quem mais vezes deixou o campo em igualdade com o adversário.

Ainda que a vaga não venha, Roberto Fonseca está satisfeito com o trabalho do elenco.

"É claro que queremos e trabalhamos pela classificação. Mas o mais importante é que estamos conseguindo manter o nível ddo trabalho", diz.