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Empresário acusa Grêmio de fazer 'chantagem' e afastar promessa de R$ 363 milhões; clube não se pronuncia

Uma das promessas da base do Grêmio, Ferreira, pode estar de saída do time gaúcho. Após ser incorporado ao plantel principal no fim do ano passado e inclusive marcar um do gols na vitória sobre o Cruzeiro na penúltima rodada do Brasileirão de 2019, o jovem de 22 anos está treinando em separado.

Com contrato até junho de 2021, Ferreira e Grêmio não acertaram a renovação e o clube decidiu não colocar mais o jogador para atuar até que a situação se resolva.

Em contato exclusivo com o ESPN.com.br, Pablo Bueno, empresário do jogador e também de Tetê, outro jovem que saiu da base gremista e hoje atua no Shakhtar Donetsk, da Ucrânia, comentou o negócio.

“Quando terminou o contrato (ainda no ano passado), me chamaram, e disseram para confiar (no Grêmio), vamos manter o mesmo salário, mas se fizer no profissional o que fez nos Aspirantes, vai ganhar um grande aumento".

O atacante começou a temporada passada no Aimoré, time de São Leopoldo, na região metropolitana de Porto Alegre, e já sem nenhuma perspectiva de atuar no Tricolor. Ferreira sofria de uma fascite plantar e quase não conseguia uma sequência de jogos. Foi tratado com células-tronco por um médico de fora do clube e se recuperou.

Após voltar ao clube gaúcho com o fim do empréstimo, foi integrado ao time de transição.

Fez bonito e brilhou no Brasileirão de Aspirantes de 2019, com 12 gols em 16 jogos. O Grêmio terminou com o vice-campeonato. No meio do ano, renovou o contrato pela mesma base salarial, de R$ 14 mil mensais, com a promessa que teria um aumento considerável se mostrasse serviço no profissional.

Foi titular no último jogo do Brasileirão, contra o Goiás e iniciou 2020 com gol na derrota para o Pelotas na decisão da Recopa Gaúcha.

“Me chamaram, conforme prometeram, mas ofereceram só R$ 30 mil, um contrato de 4 anos e 70 milhões de euros (R$ 363 milhões) de multa rescisória. Foi uma sacanagem", fala Pablo.

Ferreira e o empresário pediram R$ 50 mil mensais, 20% em uma venda futura e uma multa de 10 milhões de euros (R$ 51,9 milhões), algo que foi prontamente negado pelo clube.

“Até o Renato Gaúcho se envolveu no negócio, levou o Ferreira pelo braço até a direção e pediu que lhe dessem os R$ 50 mil mensais”, confessa Pablo.

Mesmo com o pedido do comandante, Carlos Amodeu, CEO do clube, bateu o pé e não fez negócio. O Athletico-PR já fez uma proposta ao Grêmio por 50% do jogador, com valores de R$ 5 milhões e salário mais de cinco vezes maior para Ferreira. Os gaúchos não aceitaram o negócio.

Ferreira treina em separado, com o time de transição em Eldorado do Sul, até que o negócio se resolva, mas o empresário do jogador, Pablo Bueno, se mostra triste com a situação.

“O Grêmio não quer negócio. É basicamente ‘aceita a chantagem ou está fora do clube’”, finaliza.

Procurado pela reportagem, o Grêmio não quis se pronunciar.