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Everaldo Marques, emocionado e eterno fã de esportes, se despede: 'ESPN, você é ridícula!'

O sonho de infância era narrar futebol no rádio. Nunca imaginei que um dia seria narrador de TV. Em 2000, trabalhando em rádio, me encantei com uma cobertura de TV.

“Mil horas sem dormir” era o slogan da ESPN Brasil nos Jogos Olímpicos de Sydney. Uma agilidade fora do comum para – com apenas um canal – mostrar o que de mais importante rolava na Olimpíada. Me tornei um fã de esportes. E pela primeira vez me veio o sonho de trabalhar ali.

Cinco anos depois, eu estava na TV Cultura quando a oportunidade veio. O canal, então conhecido como ESPN Internacional, iria transferir suas operações de Bristol, nos Estados Unidos, para São Paulo em dezembro daquele ano, e algumas contratações se faziam necessárias.

E o fã de esportes aqui passou a jogar junto com os craques que admirava. Estreei em outubro, dois meses antes do previsto inicialmente. Era um Holanda x República Tcheca, pelas eliminatórias para a Copa do Mundo 2006.

E eu nunca mais parei.

Foram mais de cinco mil transmissões. Futebol, handebol, tênis, vôlei... TV e rádio. E a chance de realizar diariamente um sonho de infância. E nem no mais doce destes sonhos de infância, eu me imaginei tendo tantas oportunidades – três edições de Jogos Olímpicos, quatro Copas do Mundo, semifinais de Champions League, uma dezena de Grand Slams de tênis.

E claro, os esportes americanos. Na NBA, uma escala acidental para tapar buraco em dezembro de 2005 acabou virando a chance de narrar os principais jogos da liga por 12 temporadas – e participar da transmissão de dez finais.

E o futebol americano. Ah, o futebol americano... Muita gente nas redes sociais manda mensagem agradecendo por ter aprendido a gostar da NFL graças às nossas transmissões.

Mas sou eu quem nunca vou agradecer o suficiente ao futebol americano o que ele fez por mim. A bola oval cresceu – e continuará crescendo – a cada ano no coração do torcedor brasileiro. O Super Bowl hoje se tornou gigante também por aqui, e saber que tive uma pequena parcela de contribuição nisso enche o meu coração de alegria.

Como enche o meu coração de alegria a enxurrada de mensagens que recebi desde a última segunda-feira. Não imaginava tanto carinho.

Não só por parte dos fãs de esportes, mas também dos companheiros de redação com quem tenho dividido essa caminhada. Vou sentir falta da convivência diária. Vou sentir falta do meu cantinho.

Foi o período mais intenso e de maior aprendizado da minha vida. Hora de seguir em frente, de partir atrás de novas conquistas, de realizar outros sonhos... e de retomar, do sofá, o posto de eterno fã de esportes.

ESPN, VOCÊ É RI-DÍ-CU-LA! E eu sou muito grato.