Durante anos, o nome "Maria" foi utilizado de maneira pejorativa por rivais do Cruzeiro, mas um grupo de torcedores LGBTQI+ está tentando mudar este cenário com a criação da torcida "Marias de Minas". Criada em maio de 2019, a organizada tem como objetivo criar espaços e incluir torcedores LGBTQI+ nos estádios mineiros.
Recentemente, a torcida enviou uma cartilha de propostas a diversas instituições do futebol mineiro para o combate à LGBTfobia e pela inclusão dessas minorias nos estádios. O documento foi enviado para Cruzeiro, Federação Mineira de Futebol (FMF), América-MG e Mineirão. O Atlético-MG ainda não foi contactado, mas o grupo espera fazê-lo em breve.
"A Maria de Minas surgiu como um espaço aonde torcedores LGBTQI+ podem ir torcerem juntos e se sentirem acolhidos, mas a gente recebeu tanto depoimento de LGBTfobia que a Maria de Minas acabou virando um coletivo que luta pela democratização do espaço da comunidade no futebol", afirma um dos fundadores da torcida, que prefere se manter no anonimato por conta das ameaças sofridas por conta de seu posicionamento.
"A proposta surgiu inspirada na LGBTricolor, que é do Bahia e fez uma proposta e lançou para o futebol baiano. Fizemos para que os agentes do futebol mineiro saibam como agir em Minas", prossegue.
"Nós queremos ajudar a ser a solução do problema. Enviamos para a maioria dos clubes de Minas, FMF e tribunais", finaliza.
No ano passado, um casal homoafetivo foi hostilizado após ter suas imagens divulgadas em redes sociais enquanto assistiam a uma partida do clube no Mineirão durante a partida entre Cruzeiro e Vasco da Gama, pelo Campeonato Brasileiro. Desde então, a Maria de Minas busca soluções no combate à LGBTfobia, visto que ninguém foi punido por conta das ações dos torcedores: nem os próprios infratores, nem o clube, nem o Mineirão.
Confira as propostas da cartilha contra a LGBTfobia da Maria de Minas:
Solicitar ao STJD a correção da Recomendação 01/2019, publicada em 01 de agosto de 2019 que cita OPÇÃO SEXUAL ao invés de ORIENTAÇÃO SEXUAL E IDENTIDADE DE GÊNERO.
Apoiar a inclusão em pauta do legislativo da atualização do artigo 243-G do CBJD que não cita ORIENTAÇÃO SEXUAL E IDENTIDADE DE GÊNERO.
Que medidas e protocolos sejam adotados a fim de garantir a segurança de pessoas LGBTQI+ durante as partidas de futebol nos estádios, como seguranças qualificados e aptos para atender demandas desse público, além do posicionamento firme e coerente dos agentes que promovem e executam o futebol em Minas Gerais (times, órgãos públicos e privados, estádios) contra esse tipo de preconceito.
Reforçar orientação aos árbitros e auxiliares de arbitragem para interromper partidas quando identificada qualquer ação de caráter LGBTfóbico (como uso de termos pejorativos ou canto de músicas de teor homofóbico) por parte de torcedor, jogador ou qualquer membro de comissões técnicas. Tais atos devem ser relatados na súmula e responsáveis julgados e devidamente punidos de acordo com orientações do STDJ.
Clubes promoverem ações em suas redes sociais sobre o combate à LGBTfobia e comunicar formalmente aos torcedores sobre este ofício e a intolerância a todo e qualquer tipo de preconceito.
A garantia de revista de mulheres trans por policiais femininas nas entradas dos estádios, e homens trans por policiais homens.
Respeito ao nome social das pessoas travestis e transexuais nos registros de associados e associadas dos clubes, bem como no tratamento por parte de qualquer agente envolvido no futebol do estado.
Estímulo para a criação de grupos e movimentos, multidisciplinares, que ajudem a debater e criar soluções para o combate a LGBTfobia nos clubes e estádios, assim como acolhimento dos movimentos e torcidas LGBTQI+ que já têm surgido de forma independente. Marias de Minas
Campanhas, workshops, cursos e demais ações de caráter educativo para as entidades e agentes do futebol (federação, árbitros, jogadores, seguranças, etc.) sobre o que é a LGBTfobia e seus males.
Desenvolver e transmitir nos intervalos das partidas vídeos educacionais de combate a LGBTfobia no futebol, tanto nas TVs do estádio quanto no telão.
Disponibilização de aplicativo para denúncia de casos de LGBTfobia nos estádios. O aplicativo poderia estar diretamente ligado a órgãos de segurança pública.
