Eleito melhor goleiro do Mundial Sub-17 de 2017, o qual o Brasil terminou na terceira posição, Gabriel Brazão foi para o futebol europeu com apenas 18 anos. O jovem revelado no Cruzeiro foi vendido no começo de 2018 ao Parma-ITA antes mesmo de ter atuado no time principal.
Depois, ao final de junho, foi contratado pela Inter de Milão em troca por Andrea Adorante e 6,5 milhões de euros (R$ 27 milhões). Duas semanas depois, o jogador foi emprestado ao Albacete, que joga a segunda divisão espanhola.
No último dia 18, ele estreou profissionalmente - aos 19 anos - pelo time pela Copa do Rei na vitória por 1 a 0 sobre o Tudelano. Com o resultado, o Albacete passou para a segunda fase do torneio.
Veja a entrevista com Brazão:
Quem era seu ídolo? Como virou goleiro?
Meu ídolo de infância era o Fábio e pude realizar meu sonho de treinar junto com ele. Foi algo muito importante para o meu desenvolvimento. Sempre faltava alguém no gol e como eu era maior que os outros meninos o treinador pedia para eu completar os treinos dos mais velhos como goleiro. Eu acabei pegando amor na posição.
Como você foi parar no Cruzeiro?
Eu sou de Uberlândia e o Cruzeiro foi o primeiro time que fiz teste. Um grande amigo meu é filho do cantor Regis Danese e era nosso vizinho. Jogávamos bola juntos e um dia eu jogava bem contra os adultos. Ele me levou para fazer teste no Cruzeiro. Não imaginava que isso seria possível. As portas foram abertas no começo. O Régis chegou a ser meu empresário por um tempo. Mas até hoje temos amizade, foi um cara bem importante na minha carreira.
E como foi?
Cheguei aos 13 anos para Belo Horizonte e morei na casa do Régis Danese por dois anos até morar no alojamento do Cruzeiro.
Quais os momentos mais especiais na base?
O divisor de águas na minha carreira foi aos 14 anos. Os goleiros se machucaram e outro foi expulso na semifinal. Eu fiz meu primeiro jogo pelo clube em uma final e fiz uma partida espetacular.
E seleção brasileira?
Eu comecei a ser chamado desde a sub-15 e fiz um grande torneio na Itália. Joguei várias competições em todas as seleções de base até a sub-20.
Você chegou a ser efetivado, mas não jogou porque o time tinha o Fábio e o Rafael...
Subi aos 17 anos e treinava a semana toda no profissional e descia para jogar na base aos finais de semana. Estive no grupo que venceu a Copa do Brasil e foi especial. O Fábio sempre foi uma inspiração e estar com ele junto com o Rafael no dia a dia foi espetacular. Eles me ajudaram demais.
Como surgiu a Inter?
Logo depois do 1º torneio pela seleção de base que fizemos na Itália eu tive uma sondagem do Milan, mas como era muito jovem e sou torcedor da Inter não me agradou. Com o tempo foram aparecendo outras coisas até chegar a Inter. Eu tinha cinco propostas: clubes de Inglaterra e Itália, mas quando apareceu a Inter era uma proposta boa para mim e para o Cruzeiro. Era um oportunidade muito grande para mim. Como sou torcedor da Inter foi um projeto muito ambicioso e que me agradou bastante.
Como tem sido?
Eu tinha só 18 anos e não cheguei a jogar profissionalmente, mas tinha uma rodagem legal. Fui para 16 jogos no banco de reservas pelo Parma no Italiano. Hoje, estou no Albacete com contrato de empréstimo até o final de junho e estou tendo algumas chances de jogar. Quando voltar para a Inter quero estar mais preparado.
O que tem evoluído na Europa?
Cada país tem sua qualidade e procuro absorver o máximo possível. Consegui evoluir muito depois de sete meses no Parma e esse tempo na Espanha. melhorei fisicamente, tecnicamente e mentalmente. Está sendo bem proveitoso porque estou me preparando par quando tiver a chance eu possa ajudar.
Quais seus objetivos?
Quero ajudar a subir para a primeira divisão e fazer bons jogos pela Copa do Rei. As coisas vão acontecer naturalmente.
Fale sobre o caso do Roman Zozulya, que joga no seu time e foi chamado de nazista pela torcida do Rayo Vallecano...
Foi um momento difícil e que não pode acontecer no futebol. É algo desagradável. Ele é uma grande pessoa e um grande jogador. Infelizmente essas pessoas não são torcedores, são vândalos. Isso não pode passar dentro do futebol.
