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De Piqué a Daniel Alves: quem é a professora de Harvard que virou mentora de astros do esporte

Você sabe quem é Anita Elberse?

Muito provavelmente não, porém uma das mulheres mais novas a integrar o corpo docente de Harvard no meio dos Negócios está, literalmente, mudando o futuro dos jogadores de futebol e se tornou mentora de astros do esporte.

A entrada no esporte começou quando Elberse decidiu estudar casos de Maria Sharapova e LeBron James com seus alunos e isso a levou a pesquisar quanto custa para um atleta vestir uma marca, porém as coisas mudaram de repente: “E, então, Alex Ferguson [treinador do Manchester United] me liga e estou em um projeto com ele”.

E no verão de 2012, o então técnico do United procurava “o próximo desafio dele após uma carreira ativa como treinador”. Em um café da manhã em Boston, Anita conta que se deu conta que era um “teste” e o técnico queria ver se ela poderia o ajudar a contar a história sobre a “liderança que trouxe ao futebol”.

“Olhando para trás, parece bem inocente eu não ter percebido: ‘Oh, esse será seu último ano’”, brinca. “Eu não sabia o que viria a acontecer, eu só o acompanhei” em um ano histórico para o icônico treinador.

Durante esse tempo, realizou o estudo sobre como Ferguson gerenciou o time inglês em seus 26 anos no comando com o intuito de mostrar, de maneira acadêmica, o trabalho no comando de um time de futebol, além de terem escrito juntos um artigo para Harvard, intitulado “A Fórmula de Ferguson”, publicado em outubro de 2013 e que “destilou” as oito lições de liderança que formaram a base do treinador.

A partir do encontro com Ferguson, a carreira de Elberse mudou.

A professora desenvolveu um a disciplina na universidade sobre entretenimento, mídia e esportes e recebia inúmeros pedidos, externos inclusive, para integrarem suas aulas. Por isso, resolveu lançar o curso de quatro dias chamado “Business, Entertainment, Media and Sport” e seu primeiro convidado “muito especial” não foi ninguém além do próprio treinador do Manchester United.

Como a mesma comenta, as gerações anteriores de ex-jogadores muito provavelmente abririam um pub, um bar ou qualquer coisa relacionada a esportes quando se aposentassem, “mas agora é diferente”: os jogadores podem se tornar suas próprias marcas, de seu próprio jeito e, em alguns casos, começam a se arriscar nos negócios antes mesmo de pararem de jogar.

O foco principal do curso é destacar, por meio do estudo de casos, padrões existentes no mundo do cinema, televisão, música e esporte para mostrar como comercializar e gerar negócios em torno de conteúdo.

O curso acontece todos os anos para aproximadamente 80 pessoas e custa cerca de 10 mil dólares, ou R$ 40 mil, e a sala conta com atletas de diversos esportes além do futebol, além de atores, músicos, agentes e empresários, com “todos vivendo uma vida de estudante dentro do campus” de Harvard.

Jogadores

O zagueiro do Barcelona, Gerard Piqué foi o primeiro a resolver participar do curso. Após ele, alguns dos grandes jogadores da história fizeram fila: Kaká, Daniel Alves, Mario Melchiot, Nuri Sahin, Edwin van der Sar, Tim Cahill e Oliver Kahn.

Da NBA, Dwyane Wade, Chris Paul, Pau Gasol e Chris Bosh marcaram presença. Da NFL, Michael Strahan e Brandon Marshall.

Sobre o pioneiro espanhol, Elberse comenta: "Se você olha para o Piqué, ele é um jogador ativo do Barcelona e tem investimentos em uma empresa chamada Kosmos, que já estabeleceu negócios significativos”. Além de que “comprou a Davis Cup, de tênis, por 3 bilhões de dólares. É bem óbvio o que os jogadores querem do curso. Eles vêm aprender sobre o mundo do entretenimento de maneira geral, descobrir padrões que estão nestas indústrias e eles podem se beneficiar".

"Eu acredito que muitas pessoas olham para essas pessoas e falam: 'Você é um jogador, isso é o que você faz e provavelmente tudo que fará'. Bem... não. Eu aprendi que eles podem fazer muito mais do que já vemos dentro de campo. Algumas lições são muito transmissíveis, como trabalhar sob situações de muita pressão, trabalhar como um time, que é o que todos os negócios pedem. Eles trabalharam com grandes líderes e provavelmente alguns deles são também", afirmou. "Uma das coisas que fazemos é mostrar a eles que eles já sabem muito mais sobre os negócios do que acham que sabem".

Brasileiros...

Elberse lembra também dos brasileiros Kaká e Daniel Alves que realizaram o curso juntos e brinca que o atual jogador do São Paulo se tornou um ótimo 'aluno de Harvard' no melhor estilo 'good crazy': "Ele tinha a gravata de Harvard, um cardigan de Harvard, as calças de Harvard, ele estava vestido completamente de Harvard, o que foi muito, muito engraçado", brinca.

"Ele é o jogador mais 'pateta' que já tive no programa. Ele é completamente maluco e é orgulhoso de ser louco como ele é. Foi ótimo tê-lo no grupo", comenta.

"Ele tem uma audiência de milhões de pessoas nas redes sociais e pode fazer, literalmente, o que quiser. O mesmo acontece com Kaká, que é realmente um cara muito esperto para negócios. Eu posso imaginar ele sendo o presidente de um clube de futebol".