Foi numa escolinha em São Gonçalo, no Rio de Janeiro, que Vinicius Jr. deu os primeiros chutes para se tornar o jogador que é hoje. O descobrir do craque do Real Madrid deu uma entrevista ao jornal "As", da Espanha, e relembrou que o início do garoto foi difícil pela falta de dinheiro.
"Na minha escolinha todos pagavam para jogar futebol e eu nunca quis abrir exceções. Mas nunca tinha visto alguém como ele. Ele era de família pobre e pagava de outra forma: com a sua felicidade, seus sonhos e sua qualidade. Entendi que era um sinal e aceitei que ele fizesse parte da escola", disse Carlos Abrantes, o Cacau.
A escolinha já pertencia ao Flamengo e Vinicius Jr. tinha apenas seis anos.
Cacau o conheceu por intermédio de uma ligação. "Atendi e um homem me disse: 'Você tem de ver esse garoto jogar'. O homem era Vinícius José, pai do jogador.
O professor/treinador de jovens disse que percebeu que estava diante de um jogador diferenciado quando deu uma bola para ele brincar. "A primeira vez que ele tocou na bola senti uma sensação especial. Tinha o mesmo drible que ele tem agora, e tinha apenas seis anos".
"Com dez anos já estávamos certos de que ele jogaria pelo Flamengo profissionalmente", recordou. "Quando ele foi incorporado pelo clube, ele enfrentou uma dificuldade. Tinha de pegar muitos ônibus até chegar ao CT [enfrentava 145 km], mas a forma de jogar estava na cabeça dele. Foi superando todas as categorias".
Em fevereiro deste ano, Cacau foi até Madri e visitou o ex-pupilo. Encontrou um jogador maduro, embora ainda garoto, e vivendo entre cobranças e críticas. "Disse a ele que ninguém na idade dele tem a obrigação de estar no nível que ele alcançou. E só exigem dele porque ele é um ganhador", afirmou o treinador.
"Disse para ele nunca se esquecer que há 14 anos ele era pobre e estava viajando de ônibus por mais de três horas por dia", completou.
