Um dos sobreviventes do acidente com o avião da Chapecoense que vitimou 71 pessoas, Neto anunciou sua aposentadoria do futebol. O zagueiro de 34 anos estava afastado dos gramados desde novembro 2016, quando ocorreu a tragédia na Colômbia, e tentava retomar a carreira.
"Meu corpo não aguentava mais. As dores eram maiores que o prazer. Conversei com os médicos e logo vai ter um comunicado oficial do clube. Aparentemente, no dia-a-dia não tinha dores, mas nos treinos em alto nível o corpo não aguentava as dores no joelho e na coluna, que foram o que mais me entristeceram no final e me tiraram do campo", explicou o jogador ao Globo Esporte.
O zagueiro foi o último sobrevivente a ser resgatado e ficou duas semanas internado na Colômbia entre a vida e a morte. Depois de voltar ao Brasil, passou por um longo tratamento até receber alta.
O jogador chegou a participar apenas de um jogo beneficente em prol dos familiares de vítimas do acidente, mas não atuou mais como profissional. Ele tem contrato com a Chape até 2021.
"Já estava alinhado com os médicos e com o clube. Queria fazer uma despedida, um jogo, mas optei por não. Fui convidado a entrar no último minuto contra o CSA (pelo Brasileiro), mas não optei por não fazer. Claro que tenho um carinho pelo torcedor e seria um presente ao torcedor, mas a vida é um presente. Tinha intenção muito grande de estar em campo por um minuto ou 10, que sejam", contou.
Natural do Rio de Janeiro, Neto jogou por Paraná Clube, Vasco, Francisco Beltrão-PR, Cianorte-PR, Guarani, Metropolitano-SC e Santos, antes de chegar a Chapecoense, em 2015. Pelo time de Chapecó, o zagueiro venceu o Catarinense (206 e 2017) e a Copa Sul-Americana (2016).
Além de Neto e outros dois tripulantes da companhia aérea LaMia, sobreviveram no acidente o jornalista Rafael Henzel (falecido em março neste ano após sofrer um infarto), e os jogadores Alan Ruschel (hoje no Goiás) e o ex-goleiro Jakson Follmann, que precisou amputar uma parte da perna e se aposentou.
Neto tem atuado em defender os familiares das vítimas da tragédia e esteve em setembro de 2019 em Londres para protestar.
CPI da Chape
Nesta quarta-feira, o Senado Federal anunciou que uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) será instalada para apurar o acidente que vitimou o time da Chapecoense em novembro de 2016.
A “CPIChape”, como será chamada, promete ouvir seguradoras, companhias áreas e até mesmo a Confederação Brasileira de Futebol (CBF).
A medida foi um pedido do senador Jorginho Mello (PL-SC), que será o presidente da Comissão. O vice será o senador Dário Berger (MDB-SC), enquanto o senador Izalci Lucas (PSDB-DF) será o relator.
Com prazo de 180 dias, a CPI deve apurar a situação dos familiares das vítimas do acidente. Também será investigado o motivo dos familiares não terem recebido as devidas indenizações.
“Esta CPI é um forma de fazermos com que seja chamada a atenção de todos para que a gente consiga ajudar as famílias dos jogadores e da diretoria. Vamos trabalhar para ajudar nem que seja um pouquinho os familiares das vítimas da Chapecoense”, disse o presidente da Comissão.
No dia 28 de novembro de 2016, pouco mais de três anos, o avião que levava o elenco da Chape à final da Sul-Americana na Colômbia caiu a poucos quilômetros de Medellín, na Colômbia. Investigações apontaram que a queda foi causada por falta de combustível. Além dos jogadores, estavam presentes membros da diretoria, convidados e jornalistas.
