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Súmula original do 1º gol de Pelé aparece após 63 anos, e local onde Rei do Futebol marcou vai virar 'marco zero'

Sabe quando o jornalismo entra de cabeça em um caso para tentar não só contar como também mudar a história? Foi o que aconteceu na segunda reportagem especial da série “Memórias do Milésimo”, com nove capítulos que contaram a história do gol mil do Rei do futebol, ocorrido em 19 de novembro de 1969, há 50 anos.

Essa é uma conquista não só do jornalismo como também para um senhor de 66 anos que tirou o peso das costas ao doar ao Museu de Santo André uma verdadeira relíquia histórica para a cidade do grande ABC paulista.

Tudo começou em 7 de setembro de 1956 quando o secretário de cultura e esportes da cidade, Nelson Sacilotto, foi imcubido de realizar um jogo amistoso entre o Santos Futebol Clube e o Corinthians Andreense. Esse foi o jogo em que o menino Pelé, à época com 15 anos, estreou profissionalmente, mas não com o nome de Pelé, e sim chamado de Gasolina, como Zito e Pepe, os veteranos do time o apelidaram.

Acontece que o Santos trouxe para enfrentar o time amador do Corinthians Andreense seus titulares.

Antonio Schank, um ex-volante do time do ABC, relembra como foi aquela partida onde o time dele sofreu uma acachapante derrota de 7 a 1 contra o Santos. Ele lembra que, após o intervalo, quando o time da Baixada Santista resolveu tirar Del Vecchio, o melhor jogador daquele elenco, para colocar um jovem chamado de Gasolina, pensou que o trabalho na segunda etapa ficaria mais fácil para os corintianos. Ledo engano. No lugar do craque entrou o maior fenômeno do futebol mundial de todos os tempos, Pelé, ou melhor, Gasolina que ocasionaria um verdadeiro inferno em forma de correria para o time do Corintinhas.

O erro na súmula

Acontece que o mesário daquela partida, um tal de Nelson Cerchiari, vivo até hoje, cometeu um erro que poderia mudar a contagem dos gols do atleta do século, Edson Arantes do Nascimento. Ele errou ao marcar na súmula do jogo que um dos gols do Santos, ocorrido no segundo tempo, teria sido marcado por Raimundinho e não por Gasolina (Pelé). O erro só foi corrigido 13 anos depois, quando o próprio mesário leu uma entrevista de Pelé, dada a um jornal francês, onde o Rei, perguntado onde e qual o time que ele havia marcado o primeiro gol como jogador profissional, disse que ele teria nascido na partida contra o Corinthians de Santo André, em 7 de setembro de 1956.

Sorte que o mesário achou a súmula, não se sabe ao certo a onde e com quem, há tempo de corrigir o erro histórico. No lugar de Raimundinho, Nelsom Cerchiari passou um risco, a mão mesmo, e colocou o nome de Pelé.

A súmula encantada

Existem enigmas nas histórias do futebol que só mesmo o jornalismo esportivo pode quebrar ou até mesmo desenterrar. Foi o que aconteceu com a tal súmula, corrigida por Nelson Cerchiari que, muita gente tem foto, mas nunca alguém havia apresentado o documento original.

E não é que nós descobrimos?

Ela, a súmula original, apareceu uma semana após a exibição da nossa reportagem onde contamos a história do primeiro gol do Rei Pelé, acontecido há 63 anos em um campo de terra, extinto, na Vila Alzira, na cidade de Santo André.

Por causa da reportagem, a assessoria do prefeito entrou em contato com a nossa reportagem para avisar que um morador de Santo André procurou o museu da cidade para doar o tão precioso e histórico documento original.

Fomos até o museu da cidade onde encontramos o doador, um médico de 66 anos de idade que, inconformado em manter um documento guardado à sete chaves, só pra ele, em casa, decidiu doar para que a população da cidade tivesse ascesso à súmula que nunca se viu.

Milton Sacilotto diz que o pai dele, Nelson Sacilotto, guardou o documento durante muitos anos em casa, e que tentou vende-lo ou entrega-lo ao Rei Pelé, mas que nunca deu certo. Milton também disse que, depois da morte do pai, em 1995, ele e os irmãos também tentaram negociar o documento com colecionadores, mas que nunca deu certo.

Ainda bem.

Homenagem se faz em vida

Do primeiro gol de Pelé até hoje são 63 anos de história e o incrível de tudo isso é que nunca as autoridades da política da cidade ou do Corinthians de Santo André moveram uma palha para eternizar o feito com um marco, uma homenagem.

De qualquer forma o jogo virou depois que a nossa reportagem foi ao ar e chamou a atenção das autoridades de Santo André. O jovem prefeito da cidade, Paulo Serra, nos convidou para anunciar algo que nem mesmo o Rei do Futebol acreditava, no auge dos seus 79 anos, que um dia a tal homenagem acontecesse.

Paulo Serra firmou em gravação aos canais ESPN o compromisso de inaugurar, até o final do sementre de 2020 o marco, um busto na praça Tamoio, em frente à sede do Corinthians de Santo Andrém o marco zero do primeiro gol de Pelé.

Essa é uma vitória do esporte. Do futebol, de Pelé, do prefeito da cidade que conserta um erro de décadas e do médico Milton Sacilotto que, em nome do pai, resgatou oficialmente a história do primeiro gol do maior atleta do futebol de todos os tempos.

Que golaço!