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Ismaily já foi carrasco do Manchester City na Champions League e sonha em voltar à seleção

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Convocado pelo técnico Tite para a seleção brasileira em 2018, o lateral-esquerdo Ismaily é um dos pilares do Shakhtar Donetsk-UCR há várias temporadas.

Há dois anos, ele marcou um gol na vitória da equipe ucraniana por 2 a 1 sobre o poderoso Manchester City, comandado por Pep Guardiola, pela fase de grupos da Champions League. Nesta terça-feira, ele terá a chance de reencontrar o time inglês pela mesma competição.

“É a melhor lembrança que tenho porque foi o primeiro gol que marquei na Liga dos Campões. E ele foi muito importante porque a gente passou para as oitavas de final com a vitória”, disse o jogador ao ESPN.com.br.

Natural de Angélica-MS, cidade a 263 km distante de Campo Grande, o lateral começou no futebol em uma escolinha na qual seu pai era o treinador.

“Eu não tive trabalho com categoria de base. Era algo bem simples, juntavam dois times e deixavam a gente jogando por 1h30. A gente fazia amistosos contra cidades vizinhas e torneios. A gente fica um pouco afastado dos grandes centos e isso dificulta para os jovens ingressarem no futebol”, contou.

Conforme sua mãe revelou à ESPN, ele é torcedor do São Paulo e foi fazer testes no clube tricolor em 2004.

“Foi uma experiência muito bacana! Minha mãe acabou entregado o time que torço (risos). Em 2004, quase nunca tinha saído da minha cidade e fui conhecer o Morumbi. Fiquei alojado uma semana por lá. Eu jogava como atacante e tinham moleques de todas as regiões do Brasil. Eram só 10 ou 15 minutos por dia. Era muito difícil ser avaliado e mostrar alguma cosa. Mas foi muito válido e tenho até hoje guardada as pedrinhas que peguei no Morumbi”, afirmou.

Após não passar no teste, ele foi aprovado em uma peneira no Rio Branco-SP, mas não quis ficar na equipe de Americana. Ismaily continuou jogando futsal e em torneios de futebol amador até que foi convidado para jogar no time profissional pelo Ivinhema, que jogava a 2ª divisão do Estadual, em 2006.

“Foi bem rápido porque fizemos a primeira fase e depois mata-mata em pouco mais de um mês. Eu não recebia salários. Em 2007, eu fiz pré-temporada, mas tinha dificuldades financeiras e não tinha um bom salário, em torno de R$ 200. Para ir aos treinos, eu tinha que ir de carona todos dos dias”, afirmou.

Por causa disso, o jovem abandonou o futebol e foi trabalhar no mercado da cidade como contador de estoque, empacotador e entregador de compras.

“Um tempo depois, eu passei a trabalhar como guarda do ginásio municipal e depois na prefeitura na parte de administração. Foi um período muito importante de muito aprendizado”, admitiu.

Em 2008, quando o Ivinhema subiu para a 1ª divisão do Estadual, ele foi chamado novamente para jogar.

“Foi o ano que entrei no futebol de forma mais séria. Continuava trabalhando na prefeitura até o meio dia e à tarde eu treinava com a equipe. Eu ainda era atacante e fui um dos destaques no título de 2008”, relatou.

Logo em seguida, ele foi levado ao Desportivo Brasil, clube que pertencia à Traffic (empresa de marketing esportivo), de Porto Feliz-SP.

Depois, acabou emprestado ao São Bento antes de chegar ao Estoril-POR, clube que também era gerido pela Traffic. Após defender o Olhanense-POR e o Braga-POR, Ismaily foi contratado pelo Shakhtar Donestk em 2013.

Desde então, foram 14 títulos, incluindo cinco Ligas da Ucrânia. No ano passado, o lateral-esquerdo foi chamado por Tite para a seleção brasileira.

“Foi um momento único e de muita felicidade. Foi uma experiência de um aprendizado muito grande e pude compartilhar o vestiário com jogadores de renome mundial. Apesar de não ter entrado em campo, foi a realização de um sonho. O grupo me recebeu muito bem e vou guardar na memória. Será um momento que vou contar aos meus netos”, recordou.

Mesmo jogando em uma liga de menor expressão, o jogador ainda quer voltar a vestir a camisa amarela.

“A gente sempre tem ambição de defender a seleção do pais, é o ápice da carreira do jogador de futebol. Sei da dificuldade que é por disputar um campeonato sem tanta visibilidade. Espero fazer outras boas temporadas na Champions para defender a seleção de novo. A comissão técnica está de olho nos jogadores da Europa e ainda tenho esperança”.

Para isso, ele espera se destacar novamente no jogo contra o City no Etihad Stadium, na Inglaterra, nesta terça-feira. O Shakhtar é o segundo colocado do grupo C, com 5 pontos.