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Flamengo: 'Cachorrão' vendia espuma nos estádios e vai vender faixas em Lima para bancar sonho

Quando tinha dez anos, o carioca Reginaldo Alves começou a frequentar o Maracanã com os amigos. Assistia qualquer jogo, mas antes os ajudava a vender espuma para o público. As pessoas compravam para escapar do cimento quente das arquibancadas.

Com o passar do tempo passou a vender camisas e faixas, aquelas com dizeres de campeão, nas portas dos estádios.

Muita coisa passou desde então. Hoje, aos 52 anos ele é chamado pelos amigos de Cachorrão de Duque de Caxias - tudo por causa de uma cicatriz no lábio superior causado pela mordida de um pastor alemão - e está dentro de um ônibus que cruza o Brasil para chegar em Lima, capital do Peru, na próxima quinta-feira. No sábado, o Flamengo, seu time de coração, jogará a final da Copa Libertadores contra o River Plate.

Reginaldo Alves investiu mais de R$ 3.000 entre as passagens da viagem (R$ 2.000) e ingresso para a final (R$ 1.300). Acreditou no sonho e agora tem de bancá-lo. E vai colocar em prática o que aprendeu em 1977, quando era garoto.

"Estou levando 200 faixas de campeão para vender para a torcida do Flamengo. Vou ficar em frente ao estádio Monumental desde cedo. Uma sai por R$ 30, duas por R$ 50. Depois do jogo vai ser tudo por R$ 50, com o Mengão campeão", disse para a reportagem da ESPN.

As faixas foram feitas por um amigo de Reginaldo Alves em Duques de Caxias, no Rio de Janeiro. E o acordo é simples: "Comprei 100 e as outras 100 tenho de vender para pagar ele".

Também falta arrumar um hotel e o dinheiro da viagem é curto. Pretende se virar assim que chegar em Lima.

Só conseguiu vir porque é autônomo. Após anos trabalhando como motorista, abriu um mercado em Duque de Caxias, ao lado da esposa Cirley, que cuidará do negócio durante essas duas semanas de aventura pelo Peru.

"Antes de viajar, ela me disse: 'Você é louco! Estou casada com você há 35 anos e não te conheço'", relembrou, aos risos.

Loucura e pesadelo

Loucura ele diz sempre ter feito pelo Flamengo. Mas a atual é a maior de todas. Nunca cruzou as fronteiras do Brasil assim, de ônibus, por tantos dias.

"Até essa viagem minha maior loucura foi ter visto o Flamengo jogar em Cuiabá", disse. "Mas a situação mais difícil foi no Mineirão nos anos 90. O Renato Gaúcho jogava pela gente, fez um gol no Atlético-MG e pediu silêncio ao estádio. A torcida atirava pedra na gente. Teve briga. Foi complicado".

"Tudo isso faz parte da loucura de ser Flamengo", completou.