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Técnico André Gaspar revela como Coreia do Sul pode vencer a seleção de Tite em amistoso

"Não dá para saber, às vezes a tática prevalece à técnica".

Ex-treinador do Bragantino e atualmente comandante do Daegu, da Coreia do Sul, André Gaspar acredita que a seleção sul-coreana pode dificultar a vida do Brasil no amistoso desta terça-feira.

Como classifica André, que trabalha no futebol asiático desde 2015, os jogadores brasileiros têm "técnica mais apurada" e "mais individualidade", mas, como seus comandados coreanos, os jogadores da seleção podem tirar vantagem na tática, já que "seguem à risca tudo que o técnico manda".

E o quesito tático pode ser a chance da Coréia do Sul bater de frente com os comandados de Tite. Há alguns anos, seria um amistoso que não se esperaria nada menos que uma goleada brasileira, mas hoje em dia, com jogadores de destaque do outro lado, como Son, do Tottenham, tudo pode acontecer.

"O futebol mundial se nivelou bastante, então, às vezes a tática prevalece à técnica", afirma o treinador brasileiro, que prefere ficar "em cima do muro" sobre o placar: 50% de chances para cada, mas, é claro, espera que o goleiro de seu time, Jo Hyeon-woo, se destaque na equipe titular.

Em defesa de Tite, apoia o companheiro de profissão: "Todo treinador atravessa fase ruim, senão todo mundo seria campeão todo ano e ficaria fácil".

Falando sobre Copa do Mundo e preparação, as seleções europeias dificilmente estão marcando amistosos contra sul-americanos, por conta do calendário ocupado com a Liga das Nações da Uefa e com as eliminatórias para a Eurocopa de 2020.

Sendo assim, a Ásia poderia ser uma saída?

"Pode ajudar, mas não é o ideal, porque os melhores estão na Europa", afirma. "Principalmente Coréia do Sul e Japão, porque são dois termômetros da Europa, mesmo que mais fracos" por conta da tática muito intensa.

Daegu FC

Segundo treinador com mais tempo em um único time, atrás apenas de Renato Gaúcho no Grêmio, André Gaspar é o comandante do Daegu, time que conta com o atacante Rildo, velho conhecido do torcedor brasileiro por suas passagens por Corinthians e Vasco, no elenco.

Atualmente na 4ª colocação do campeonato, brigando por uma vaga na Champions da Ásia, o clube já passou por maus bocados, já que o brasileiro assumiu a equipe na 2ª divisão.

"É preciso ter coragem para pensar alto em um time com menos investimentos que os adversários", observa.

Hoje os tempos são bons, com o Daegu brigando nas cabeças com elencos muito mais recheados e com o reforço dos artilheiros e conterrâneos Rildo e Cesinha, o brasileiro que comemorou à la Cristiano Ronaldo na frente do próprio.

Gaspar admite, inclusive, que quando precisa escolher um brasileiro para levar para lá, normalmente contrata atacantes, porque "são eles que matam o jogo", "são eles que fazem a diferença", e, claro, "falam a língua do treinador", não sendo necessário o intérprete.

Mas, antes de levar alguém, a pesquisa detalhada traz todas as informações do alvo: se é casado, se teria companhia para ir ao novo continente, porque "se vem sozinho, normalmente não aguenta".

Apesar de levar jogadores para lá, o técnico não nega retornar para o país natal. Inclusive, admite ser seu "maior sonho" treinar um time de primeira divisão no Brasileiro. Se fosse escolher, seria o treinador do Santos.

RB Bragantino

André Gaspar jogou pelo Bragantino quando ainda atuava dentro de campo, mas, fora dele, também vestiu a camisa. Por oito anos, ficou do lado de fora do campo.

Conhecendo as pessoas do clube e fatores internos, o treinador afirma que o Bragantino "merece" o investimento que terá na junção com o Red Bull Brasil para se tornar o RB Bragantino. Para ele foi "correto".

Desde que estava no time, o clube "sonhava" com a Série A, fato conquistado já no primeiro ano do "novo" clube - com antecedência e título.

Admite ficar feliz e acredita que em futuro não tão distante a equipe estará brigando com os grandes nas cabeças.

Título do Brasileirão? "Quem pensa grande, chega lá", finaliza.