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Ex-parceiro de Dedé no Vasco sofreu com desemprego e calotes, foi jogar society e agora renasce na Ásia

Atualmente zagueiro do Persipura Jayapura, da Indonésia, André Ribeiro guarda boas recordações e algumas tristezas por sua curta passagem pelo Vasco, em 2013. O jogador de 31 anos, que disputou apenas seis partidas e fez um gol com a camisa do time carioca, alega que até hoje não recebeu tudo o que o clube lhe devia.

"Teve momentos distintos, no tempo que eu me sentia muito feliz pela oportunidade de estar em um clube grande, mas o dia dia foi me decepcionando com falta de estrutura na época e problema com salário", disse ao ESPN.com.br.

O jogador teve vínculo de uma temporada com a equipe carioca. Procurado através de sua assessoria de imprensa, o Vasco preferiu não se manifestar sobre o assunto.

"Minha saída foi silenciosa, fiquei um tempo afastado e cumpri meu contrato até fim do ano, treinando separado. Eu que não tinha nome treinava todos os dias, outros jogadores de nome nem apareciam."

Ele ainda passou por equipes como Grêmio Barueri, Cruzeiro-RS, Caxias, Sergipe, Itumbiara e Luverdense antes de ir para a Indonésia. Quando esteve desempregado, o defensor jogou em times de Fut7 para complementar a renda.

Veja a entrevista:

Fale sobre sua carreira até chegar ao Vasco?
Meu início não foi muito fácil, fiz peneiras como vários jogadores já fizeram, mas eu tinha mais 5 irmãos. Às vezes, elas eram feitas vários dias, então eu tentava me destacar muitos dos outros no primeiro dia, para não precisar gastar mais dinheiro do meu pai com passagem para outros dias. Graças a Deus deu certo.

Como surgiu o Vasco na tua vida?
Fiz base no Grêmio e Internacional. Com 16 anos fui para JMalucelli e depois voltei para Rio Grande do Sul para um time pequeno para jogar pelos juniores, em uma preliminar fiz um ótimo jogo e a equipe do Assis Moreira assistiu e me levou ao Porto Alegre time fundado pela família Assis Moreira. Fiquei 4 anos lá, até me transferir para o Brasil de Pelotas, lá era chamado de Dedé do Sul pelo números de gols e pelas atuações. Fiz pré-contrato com Grêmio sub-23 só que eles não diziam nunca a data da apresentação então surgiu um olheiro do Vasco que se interessou pelo meu futebol e me levou a falar com o Gaúcho, que era o técnico do Vasco. Conversamos e fui analisado pelo Ricardo Gomes que era gerente de futebol e acabamos fechando contrato.

Como foi a passagem pelo Vasco em 2013?
Teve momentos distintos, no tempo que eu me sentia muito feliz pela oportunidade de estar em um clube grande, mas o dia dia foi me decepcionando com falta de estrutura na época e problema com salário.

Quais os melhores momentos que viveu no Vasco?
Todos os dias enquanto eu treinava com o grupo foram ótimos, porque sempre era uma experiência nova. Eu treinava com um cara que eu admirava muito que era o Dedé. Talvez se eu não fosse tão tímido na época teria aproveitado mais.

Fale sobre o Dedé..
Dedé é um cara fantástico. É como eu disse, minha timidez não deixou eu me aproximar mais, mas sigo admirando ele até hoje. Torço demais por ele.

Como foi o amistoso contra o Ajax? É verdade que vocês tiveram problemas antes do jogo?
Quando eu soube do amistoso fiquei feliz demais. Eu saí de uma equipe média no Sul, para uma gigante e em menos de 15 dias estava jogando contra o Ajax. Na verdade no dia do jogo com o Ajax, o problema eram ratos no vestiário visitante que acarretou em quase não ter amistoso por desistência do time holandês, mas aí trocamos de vestiário com eles. A água foi problema decorrente, no dia que tivemos que tomar banho em uma banheira de hidromassagem que estava lá já alguns dias foi após um treino. Assim como quando tinha treino em dois períodos e tínhamos que dormir no carro ou nos bancos do vestiário.

O Vasco ainda te deve?
O Vasco me deve salários, FGTS e término de contrato. Isso me atrapalhou muito. Cheguei dia dois de janeiro e só recebi no fim de abril um salário e assim foi ano todo com salários atrasados.

Fale sobre a saída do Vasco...
Minha saída foi silenciosa, fiquei um tempo afastado e cumpri meu contrato até fim do ano treinando separado. Eu que não tinha nome treinava todos os dias, outros jogadores de nome nem apareciam.

Você chegou a ficar desempregado nesses anos?
Fiquei alguns meses porque minha mãe faleceu e então não queria saber de nada. O desemprego sempre foi de dois a três meses, mas o que assustava era estar empregado e não receber salários porque estava longe da família e sem receber.

Chegou a ter que fazer algum trabalho fora do futebol?
Quando ficava sem jogar profissional eu jogava fut7 que vem crescendo muito pelo time BMH /CHAPECOENSE. O presidente me ajudava muito e sou muito grato a ele porque nunca deixou eu trabalhar e desistir do futebol profissional O nome dele é Luiz Carlos Bertozzo

Como está seu momento hoje no futebol? Como é jogar na Indonésia?
Estou gostando demais de jogar aqui. Fui muito bem recebido, tive um pouco de dificuldade pra adaptar a forma de jogar, mas hoje me sinto bem e consigo sempre estar entre os melhores da rodada.