Mais um caso de racismo no futebol. O Haringey Borough abandonou a partida depois de manifestações racistas de torcedores do Yeovil, neste sábado, pela quarta fase eliminatória da Copa da Inglaterra.
Rhys Murphy se preparava para cobrar um pênalti quando torcedores começaram os insultos contra o goleiro do Haringey Borough, o camaronês Valery Douglas Pajetat. Depois do gol marcado, as manifestações ficaram mais intensas, e os jogadores, atendendo pedidos do técnico Tom Loizou, deixaram o gramado.
Pajetat disse estar "visivelmente chateado" por ter sido alvo de insultos racistas e cusparadas por torcedores que estavam atrás do gol. Coby Rowe, jogador do Haringey Borough, teve de ser contido por seguranças.
Os jogadores do Yeovil tentaram falar com seus próprios torcedores, sem sucesso. Seguranças tentaram escoltar os criminosos para fora do estádio, mas eles resistiram. Assim, os atletas do time da casa também deixaram o gramado, em solidariedade aos adversários. Ambos os times chegaram a voltar ao campo, apenas para referendar que a partida não continuaria a ser disputada.
The players of both sides return to the pitch as a show of solidarity. #YTFC pic.twitter.com/yAlV44MYrf
— Yeovil Town FC (@YTFC) October 19, 2019
A FA, entidade que rege o futebol inglês, manifestou seu repúdio ao que aconteceu. “Estamos profundamente preocupados com a alegação de discriminação de torcedores contra um jogador durante o jogo das eliminatórias da quarta rodada da @EmiratesFACup entre @HaringeyBoroFC e @YTFC, que resultou no abandono do campo.”
“Não há espaço para discriminação em nosso jogo e estamos trabalhando com os árbitros da partida e as autoridades relevantes, com urgência, para estabelecer completamente os fatos e tomar as medidas apropriadas.”
There is no room for discrimination in our game and we are working with the match officials and the relevant authorities, as a matter of urgency, to fully establish the facts and take the appropriate steps.
— The FA (@FA) October 19, 2019
O técnico do Haringey, Tom Loizou, expressou seu sentimento, em entrevista BBC Radio 5 ao vivo. "É muito angustiante. O abuso que alguns dos meus jogadores sofreram foi nojento. Trabalhámos arduamente durante toda a semana, tivemos uma grande experiência na Taça de Inglaterra na temporada passada e dois minutos tolos tiraram tudo de nós.”
Segundo ele, a penalidade causou a explosão racista da torcida. “Não foi consistente durante todo o jogo. Eles sofreram um pênalti e, quando estavam se preparando para cobrar, meu goleiro foi cuspido e jogaram uma garrafa nele", disse. "O árbitro conseguiu acalmar as coisas, eles cobraram a penalidade e o meu jogador Coby Rowe foi xingado. Ele foi abusado racialmente e não havia como eu deixar que ele continuasse."
Coby Rowe usou as redes sociais para confirmar o caso de racismo. "Não acredito que estou tuitando isso e é 2019, mas hoje eu fui vítima de racismo, no que deveria ser um ótimo dia para Haringey Boro FC. Outro jogo de futebol arruinado por racistas. Obrigado aos jogadores e funcionários do Yeovil Town, que apoiaram nossa decisão de deixar o campo."
Can't believe I'm tweeting this and it's 2019 but today I was a victim of racism , in what was supposed to be a great day for @HaringeyBoroFC
— coby rowe (@cobyrowe) October 19, 2019
another game of football ruined by racists.
Thanks to @YTFC players and staff who backed our decision to leave the pitch.@kickitout pic.twitter.com/yxijG1F194
"A Copa da Inglaterra não vale muito para nós. Nunca vamos vencer. Boa sorte para Yeovil Town, se formos punidos e eliminados, seja como for, não me importo", completou o técnico.
Em seu perfil oficial, o Haringey Borough tratou o caso com indignação. "Tarde horrorosa. Temos de dizer que 99,9% dos fãs do @YTFC também estão enojados com o que aconteceu tanto quanto nós."
Sorry for the late update but wanted to make sure we gave correct information.
— Haringey Borough FC (@HaringeyBoroFC) October 19, 2019
Game has been abandoned following racial abuse. Horrendous afternoon.
It must be said that 99.9% of @YTFC fans are also disgusted by what's happened as much as we are.
One club, one community.
O treinador do Yeovil, Darren Sarll, apoiou o rival. "Em nome da cidade de Yeovil, apoiamos Haringey e estamos juntos. Os jogadores e eu decidimos que apoiaríamos [Haringey] e nos posicionaríamos juntos, seríamos mais fortes juntos. Quero que Haringey e nosso clube de futebol saibam que não toleramos nada dessa natureza, se houver algo dessa natureza”, disse, à BBC Somerset.
"Nós, jogadores e gerentes, cometemos muitos abusos, mas ninguém deve se sentir discriminado quando jogar futebol. Eu faria qualquer coisa para vencer, mas há certos níveis e linhas que nunca devem ser superadas. Não havia como apoiar a discriminação racial."
"Estamos cientes de que existem alegações de que comentários racistas foram feitos no meio da multidão e essa alegação será uma parte essencial de qualquer investigação. Independentemente do resultado de qualquer investigação, gostaríamos de deixar claro que o clube não aceitará racismo ou discriminação de nenhuma forma", disse a nota oficial emtida pelo Yeovil.
O incidente acontece dias depois que o jogo da Inglaterra com a Bulgária foi interrompido duas vezes no primeiro tempo, com jogadores ameaçando deixar o gramado também por abusos raciais.
