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Buffon revela que já sofreu com depressão: 'Três coisas muito perigosas: dinheiro, fama e o trabalho dos seus sonhos'

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Atualmente em final de carreira, Gianlugi Buffon é um dos maiores goleiros da história do futebol. Em carta publicada no The Players Tribune, o italiano revelou uma nova faceta: a de ser humano além de atleta.

No texto, endereçado ao próprio Buffon de 17 anos, o goleiro abre o jogo e revela que passou por um episódio de depressão aos 26 anos, quando jogava pela Juventus.

"Nos próximos dias você receberá três coisas que são muito, muito intoxicantes, mas também muito, muito perigosas. Dinheiro, fama e o trabalho dos seus sonhos", diz.

"Você deve estar pensando, o que pode ser perigoso com isso? Bem, isso é um paradoxo. Por um lado, é verdade que um goleiro precisa de confiança. De outro, uma pessoa que não tem medo pode facilmente esquecer que tem uma mente", prossegue.

"Se você vive sua vida de uma maneira nillista, pensando apenas em futebol, sua alma vai começar a murchar. Eventualmente, você ficará tão depressivo que não vai conseguir nem levantar da sua cama".

"Você pode rir o quanto quiser, mas acontecerá com você. No auge da sua carreira, quando você tiver tudo que um homem pode querer na vida. Você vai ter 26 anos. Será goleiro titular da Juventus e da seleção italiana. Terá dinheiro e respeito. Pessoas, inclusive, te chamarão de Super-Homem".

"Mas você não é um super herói. Você é homem como outro qualquer e a verdade é que essa profissão pode te transformar em um robô", continua.

"Em uma manhã, você levantará da cama para treinar e suas pernas irão tremer incontrolavelmente. Você estará tão fraco que nem conseguirá dormir. De início, achará que é apenas cansaço ou um vírus, mas irá piorar. Por sete meses, você terá dificuldade de achar alegria na vida", finaliza.

O goleiro encerra a carta dizendo que o lhe salvou foi uma exposição do pintor russo naturalizado francês Marc Chagall, mais especificamente um quadro chamado "O Passeio".

Segundo Buffon, a obra lhe relembrou o que é ser uma pessoa como outra qualquer e que ser um jogador não lhe fazia superior a ninguém e que era possível achar felicidade nas coisas simples.