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Seleção brasileira: Marcinho vem de família boleira e trancou a faculdade antes de ser destaque do Botafogo

Convocado pela primeira vez para a seleção brasileira por Tite para os amistosos contra Senegal e Nigéria, em Singapura, Marcinho tem o futebol no sangue. Filho de Sérgio, ex-jogador do América-RJ e do Académico de Viseu-POR, o lateral-direito do Botafogo é sobrinho dos treinadores Oswaldo de Oliveira e Waldemar Lemos.

Desde criança, ele ia às peladas que seu pai fazia junto com os irmãos e outras figuras conhecidas como o técnico Renê Simões.

Marcinho jogava em um time com os filhos dos amigos do pai quando foi descoberto por Carlinhos, ídolo do Flamengo, que também frequentava o mesmo local.

"O Marcinho e o Marcelo, meu filho mais novo, tinham um convite para ir ao CFZ-RJ, do Zico, mas o Carlinhos os viu jogando. Ele disse que os meninos eram muito talentosos e os levou para a base do Flamengo", contou Sérgio Lemos de Oliveira, ao ESPN.com.br.

O garoto ficou até os 16 anos na Gávea, quando saiu antes de assinar o primeiro contrato profissional.

"Ele começou bem, mas era muito pequeno. Foi campeão carioca no juvenil e foi dispensado mais ou menos em outubro. Foi um momento chato porque ele chorou muito", lamentou.

Pouco tempo depois, porém, garoto foi convidado pelas categorias de base do Botafogo.

"Ele subiu ao profissional com o [técnico] Ricardo Gomes, mas não jogava. O Eduardo Barroca era o técnico do sub-20 e o chamou de volta porque tinha uma carência na lateral. E aí deu tudo certo. Eles foram campeões do Carioca e do Brasileiro da categoria", relatou.

Marcinho voltou ao time principal, mas quando pasaria a ser mais aproveitado pelo técnico Jair Ventura torceu o joelho. Ele sofreu uma ruptura dos ligamentos do joelho e precisou operar.

Depois de ficar alguns meses parado, o jovem passou a se firmar como titular no ano passado depois que o treinador Alberto Valentim assumiu o cargo, em fevereiro de 2018.

"Ele começo faculdade, mas precisou parar porque não conseguia conciliar com os jogos e as viagens. Ele tentou levar com o mínimos de matérias, mas não teve jeito", contou Sérgio.

Ano passado, ele marcou seu primeiro gol como profissional no duelo contra a Chapecoense, válido pelo Brasileiro, no Engenhão.

O lateral saiu correndo em direção aos torcedores com gestos e muitos pensavam se tratar de um desabafo contra as vaias que recebeu em algumas jogadas.

"Os jogadores do Botafogo acharam que ele iria confrontar a torcida e o Kieza o segurou, mas não era isso (risos). Ele tentou sair, mas os outros não deixavam. Achavam que ele estava bravo, mas não era isso. Só queria dedicar o gol ao irmão que fazia aniversário e estava no estádio. Foi muito marcante para toda família porque estávamos todos lá", explicou o pai.

No mesmo ano, o jogador também enfrentou algumas dificuldades em General Severiano.

"Uma vez, ele teve a infelicidade de fazer gol contra. Na bola seguinte, foi vaiado. O Botafogo ganhou por 3 a 2, mas o Marcinho saiu chateado. Chegou em casa e me disse: 'Pai, não estou feliz. Conversei com a psicóloga, não estou legal'. O Barroca conversou com ele e o tirou do time. Foi ótimo porque ele voltou depois muito bem e se destacando de novo. Hoje, a torcida grita o nome dele", diz Sérgio.

Com o destaque na equipe alvinegra, o jogador recebeu ofertas de equipes do Brasil.

"No fim do ano passado ele quase foi ao Internacional. Apareceram outras coisas também, mas nada de tão concreto como essa. Ele ficou no Botafogo e deu tudo certo", contou.

Para se desenvolver na carreira, o jovem costuma escutar conselhos dos tios Oswaldo e Waldemar, que têm longa trajetória no futebol.

"Ele gosta muito de ouvir esses caras com mais experiência, incluindo o Lulinha Tavares, que é um amigo da gente e conversa bastante com o Marcinho".

Na atual temporada, ele soma 34 partidas e um gol marcado pelo time da Estrela Solitária. Com o bom desempenho no Brasileiro, o lateral foi chamado por Tite.

"Essa convocação pegou a gente de surpresa, incluindo o Marcinho. Nós ficamos muito felizes, e temos que passar para esse sentimento para todo mundo", finalizou.