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Símbolo da Juventus, Marchisio explica aposentadoria aos 33 e lembra trajetória: 'Era o único feliz na Série B'

Após uma carreira de 14 anos, com 13 deles dedicados à Juventus, Claudio Marchisio anunciou, na última quinta-feira, sua aposentadoria dos gramados.

O meio-campisa, que rescindiu seu contrato com o Zenit antes de completar uma temporada inteira, explicou a decisão e os motivos de ter se retirado dos gramados em coletiva nesta sexta, nas instalações da Juventus, clube onde foi revelado em 2005.

"Como já tinha dito outras vezes, jamais levaria em consideração ofertas na Itália, e por isso tomei a decisão de ir ao Zenit quando deixei a Juventus. Este ano escolhi rescindir o contrato com o Zenit por uma questão de respeito, porque eu sabia que iria perder boa parte da temporada e me pareceu a forma mais correta de agir. Eu seguia com vontade de jogar, mas precisava avaliar se teria condições de fazer isso em bom nível, de deixar o campo após um jogo sabendo que fiz meu máximo, e quando vi que meu corpo não acompanhava mais o que a minha mente pensava, entendi que era o momento de parar"; explicou o meia.

Na Juventus, Marchisio viveu uma montanha russa, desde a disputa da Série B em 2007, após o rebaixamento da Juventus por envolvimento em escândalos de apostas, até o heptacampeonato do clube, com direito a quatro Coppa Italia. No evento, Claudio relembrou os momentos que viveu.

"Eu era o único feliz no ano da Série B, porque tive a chance de conseguir a minha grande oportunidade, de vestir a camisa da Juve, e quis aproveitar aquela experiência ao máximo. Gols marcantes? Dois. O primeiro contra a Inter, ainda no outro estádio (em 2009), que além de ter sido lindo foi também importante. E o gol na primeira partida oficial do Juventus Stadium, quando esse ciclo vitorioso começou".

Entre os momentos bons e ruins, Marchisio lembrou a final da Champions League de 2014-15, quando a equipe italiana acabou derrotada pelo Barcelona.

"Maior arrependimento? Com certeza não ter vencido a Champions e não vencer a Eurocopa com a Itália. Estava vivendo uma grande fase e são dois troféus que fico chateado por não ter em casa. Que partida gostaria de ter a chance de jogar de novo? A final de Berlim contra o Barcelona. Aquela foi uma decisão muito disputada. Se tivesse a chance eu queria tentar de novo, mesmo que fosse jogando só por uma parte".

Em Turim, Marchisio disputou 294 jogos, onde marcou 33 gols, jogando em diversas funções e dividindo o gramado com lendas como Pavel Nedved, Alessandro Del Piero, Andrea Pirlo e Gianluigi Buffon.

"Não ter tido uma despedida como Del Piero ou Buffon? A circunstância para mim era diferente, não era o fim da temporada. Mas depois eu tive o meu momento com a torcida quando voltei ao estádio após já estar no Zenit. Eu sempre tive uma relação fantástica com a torcida e eles me demonstraram todo o seu carinho naquele dia. Foi uma bela lembrança que não vou esquecer".

Além do gramado, o meia italiano também falou sobre assuntos como política e meio ambiente, e a forma como os jogadores se posicionam nas redes sociais:

"É preciso ter responsabilidade, porque hoje em dia os jovens dão muita importância ao que é dito pelos jogadores, então devemos ser um exemplo positivo. Mas cada pessoa tem a sua personalidade e seu modo de ser. Eu, com o passar do tempo, senti a necessidade de usar a minha voz para falar do que está além dos gramados, de expor a minha opinião sobre os assuntos e defender os mais fracos, sem ter medo de falar. As críticas são normais no mundo do futebol, recebemos notas após cada jogo e temos nosso desempenho sempre comentado. Acho que os jogadores deveriam ter mais coragem de falar o que pensam".

Por fim, Marchisio - que recebeu o apelido carinhoso da torcida de Il Principino (pequeno príncipe em português) - fez uma prévia para o duelo de domingo entre Internazionale e Juventus, valendo a liderança da Série A.

"Inter-Juve no domingo? Estou curioso, como toda a Itália. Além de ter o Antônio Conte como técnico, a Inter é uma equipe que vem bem neste começo de temporada. Será um grande jogo e vou acompanhar de fora, na condição de torcedor juventino. Falta muito até o fim do campeonato e é cedo dizer se a briga do título ficará mesmo entre Juve e Inter, mas claro que vencer um jogo como esse serve de combustível para empurrar ainda mais o time, e por isso a vitória se torna tão importante. Impacto do Conte na Inter? Basta ver a expressão dos jogadores. Eles são os mesmos da temporada passada, mas mostram outro espírito em campo, e isso é com certeza a mão do técnico".

No próximo domingo, Inter e Juve, líder e vice-líder, se enfrentam no San Siro, às 15h45 (de Brasília).