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Jordi foi do Vasco para o Irã e fugiu até de sacrifício de carneiro; agora, é melhor goleiro da rodada no Bola de Prata

Um dos destaques o CSA na temporada, Jordi foi o goleiro que recebeu a maior pontuação (6,42) do prêmio Prêmio ESPN Bola de Prata Sportingbet na 20ª rodada do Campeonato Brasileiro. Ele fez uma ótima partida na vitória por 1 a 0 contra o Ceará no final de semana.

O ex-arqueiro do Vasco passou no ano passado por seis meses emprestado ao Tractor Sazi, do Irã. Neste período, ele reuniu boas histórias em um país nada parecido com o Brasil.

Para não ter problemas com os costumes do Oriente Médio e ofender os habitantes locais, Jordi precisou mudar alguns hábitos considerados simples.

"Logo que cheguei eu estranhei muito. Não estamos acostumados com a cultura deles. Mas é um país muito seguro e tranquilo. Eles não permitem os homens andarem de bermuda e camiseta regata nas ruas. Eu acho isso bem engraçado, ainda mais por ser carioca e usar o tempo todo. Também não pode assoviar", disse o goleiro, ao ESPN.com.br.

Apesar disso, Jordi viu um país que ama futebol e tem crescido no cenário mundial nos últimos anos. O Irã estará na Copa do Mundo da Rússia.

"Me surpreendeu o profissionalismo dos atletas. Futebol é muito competitivo e as torcidas são fanáticas. Curioso que só homens podem entrar nos estádios, ao contrário do Brasil que vemos muitas famílias", comentou.

Um dos hábitos que o brasileiro mais estranhou foi o sacrifício de carneiros à beira do gramado, antes de treinos ou até mesmo de jogos, para trazer sorte.

"Uma vez eles levaram um carneiro no nosso treino e e pensei: 'O que eles vão fazer com esse animal?'. Nisso, eles chamaram todo mundo e o sacrificaram ali mesmo. Eu não vi porque não é algo que estou acostumado. Não sei se aguentaria uma cena assim", contou.

"Depois que eles matam o bicho, eles fazem uma oração e passam o sangue dele na cabeça, joelho ou chuteira. É uma cena muito incomum. Para eles é comum, como se a gente fosse a um churrasquinho (risos)", relatou o goleiro, que preferiu não participar do ritual.

Aliás, Jordi quase causou uma pequena confusão no vestiário.

"Para eles é uma falta de respeito. Não pode tomar banho pelado na frente deles de jeito nenhum nem trocar de roupa pelado (risos). Logo que cheguei ia trocar de roupa e me falaram em inglês: 'No Almeida, no'! (risos)", afirmou.

Alem disso, os iranianos não costumam usar vasos sanitários.

"Aqui é um buraco no chão e eles fazem as necessidades agachados. Eu não consigo usar isso e tive a sorte de ter privada normal, mas uns anos atrás isso não existia. No apartamento que moro tem os dois sistemas", contou.

Em seis meses no Irã, Jordi contou apenas com a ajuda dos brasileiros Fábio Tepedino e José Caetano, que são preparadores do Tractor.

"Minha família ficou no Brasil porque acabei de comprar uma casa para os meus pais, que se mudaram para lá. Minha namorada Gabriela, que é cantora gospel, também está no Brasil porque viaja muito", explicou.

COMEÇO

Jordi Martins Almeida foi batizado em homenagem ao cantor infantil Jordi, que fez muito sucesso na década de 90. O francês emplacou hits como "Alison" e "Dur Dur D'être Bébé" quando tinha apenas cinco anos de idade.

"As músicas dele eram bem famosas e meus pais gostaram e colocaram esse nome. Mas o pessoal sempre brincava por causa disso. Mas eu não sei cantar, só jogar no gol (risos)", explicou.

O jovem começou no Volta Redonda aos 12 anos e cinco anos depois foi para o Vasco, clube no qual terminou as categorias de base. Ele chegou a ser convocado para seleção brasileira sub-20. Fã de Carlos Germano, ex-goleiro do time da Colina, ele subiu aos profissionais, em 2014.

"Minha estreia foi contra o Luverdense em São Januário pela Série B do Brasileiro e fui muito bem. Fiz quatro jogos seguidos sem tomar gol. Tive momentos muito felizes, como na conquista invicta do Carioca. Fiz bons jogos contra o Botafogo em São Januário", disse.

O arqueiro permaneceu até o final do ano passado na reserva de Martin Silva, titular absoluto da posição. Atuou por 37 partidas, sempre que o dono da posição estava suspenso, machucado ou servindo a seleção uruguaia.

"Sempre tive uma boa relação com todos os companheiros de posição. São caras sensacionais e aprendi demais. Mas senti que precisava ter mais experiencia e com o Martin Silva por lá eu precisava sair um pouco e aproveitar essa chance de vir ao Irã. Eu vim jogar e pegar uma sequência que nunca tive no Vasco", explicou.

O que mais seduziu Jordi a trocar de clube foi a chance de atuar com regularidade. "Foi um desafio muito grande e pesquisei que o time disputava uma Champions da Ásia e vim. Conheci o 'Mundo Árabe', onde poucos goleiros brasileiros jogam. Foi uma escolha muito boa e deu certo", garantiu.

O Tractor foi eliminado na primeira fase da competição continental e terminou na 11ª posição da Liga do Irã. Para o goleiro, a passagem foi extremamente positiva pelo futebol do Oriente Médio.

Ele voltou no ano passado ao Vasco antes de ir ao CSA-AL.