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Lembra do Matuzalém? Veja como ele pode ser a chave para Neymar conseguir sair do PSG na marra em 2020

A saída de Neymar do Paris Saint-Germain com destino ao Barcelona --mundo ideal para o craque brasileiro e seu estafe-- pode se concretizar a partir de 2020 por vias legais e a inspiração é Matuzalém --não o personagem bíblico que, de acordo com os relatos no livro histórico, viveu quase 1.000 anos, e sim o volante brasileiro.

Há sete anos, ele conseguiu derrotar a Fifa em uma batalha judicial, conseguindo liberdade para jogar onde quisesse. Na época, ele estava na Lazio e respondia por um caso com origem na Ucrânia anos antes.

Matuzalém defendia o Shakhtar Donetsk, mas rompeu com o clube em 2009 e foi para a Espanha, onde assinou com o Real Zaragoza. A equipe ucraniana não aceitou e acionou a Fifa. Em um primeiro momentou, o clube ganhou causa.

O brasileiro e o Zaragoza foram condenados a pagar 12 milhões de euros como pena pela transação ilegal.

O pagamento não foi feito e, em 2010, a Fifa aplicou nova pena. Dessa vez uma multa e um aviso: caso o pagamento não fosse feito, o jogador seria proibido de exercer sua profissão para sempre.

O caso chegou ao Tribunal Arbitral dos Esportes, que deu ganho de causa para a Fifa. Os advogados do jogador decidiram ir além e, num gesto raro, questionaram a decisão na corte comum suíça. O caso foi então para o Tribunal Superior.

A decisão final saiu no primeiro semestre de 2012. A corte máxima da Suíça determinou que a Fifa havia sido abusiva em sua punição e revogou a decisão do Tribunal Arbitral dos Esportes, algo muito raro.

Para os juizes, a pena foi "incompatível com a ordem pública".

De acordo com o tribunal, a lei da entidade máxima do futebol foi um "atentado grave contra os direitos da pessoa" e que penalidades por conta da violações de contrato devem ter limites.

Pela determinação dos juízes suíços, Matuzalém ficou "livre para arbitrar" em relação ao local onde jogará e que sua "liberdade econômica será ilimitada na medida que as bases de sua existência econômica seja colocada em risco".

A decisão marcou uma transformação radical nas leis da Fifa e uma derrota para o poder ilimitado de clubes sobre seus jogadores. É também uma vitória para atletas de todo o mundo e um mecanismo para garantir que o poder não esteja apenas nas mãos de empresários e cartolas.

É exatamente aí que está a inspiração para Neymar deixar o PSG e jogar onde quer e o queiram.

O estafe dele já estuda se basear no artigo 17 do Estatuto e Transferências de Jogadores, que desde 2001 permite que os jogadores rescidam seus contratos de forma unilateral se houver razão justa, para tentar a liberação em janeiro.

No caso do brasileiro, ele pode alegar que o PSG não o está deixando jogar ou que está impedindo sua saída.

Neymar tem uma brecha contratual que se adequa ao código da Fifa. A explicação é a seguinte. Após o jogador completar três anos ou três temporadas pelo mesmo clube sem qualquer alteração contratual, ele tem o direito de se transferir.

Neste caso, é a própria Fifa quem fixa o valor no mercado. De acordo com o "Mundo Deportivo", os agentes de Neymar já fizeram uma consulta a Fifa e e descobriram que o valor seria de cerca de 170 milhões de euros (R$ 776 milhões).

Ou seja, se Neymar não quiser mais ficar no PSG, ele terá de esperar a virada de ano e solicitar a Fifa que estipule seu preço para negociação. Pela regras da entidade, o clube francês não pode recorrer.