A iminente volta de Neymar para o Barcelona tem deixado toda a imprensa esportiva de plantão, em especial, é claro, no Brasil, na França e na Espanha.
Assim, a revista Líbero, espanhola, resolveu revisitar seus arquivos e resgatar um perfil do brasileiro feito há três anos - três anos depois de o jogador desembarcar em Barcelona.
Na época, o sentimento sobre o jogador era amplamente positivo. O texto, por exemplo, declara que Neymar conseguiu reverter a imagem ruim que ficou de sua chegada, como se fosse um rapper, cercado de amigos, em um avião particular, em uma transição cheia de aspectos pouco transparentes.
Jornalistas espanhóis entrevistados destacavam características muito positivas do jogador na passagem dele pelo clube. Como, por exemplo, sua vida particular pouco atribulada, caseira, sempre com as presenção do filho Davi Lucca e da irmã Rafaela. Também era elogiada sua capacidade de entender seu lugar como coadjuvante de Messi.
“Admiro sua capacidade de saber estar em um time liderado por Messi; poderia ser o número 1 em qualquer equipe do mundo e prefere estar ao lado de Messi para ganhar títulos. Os brasileiros costumam funcionar no Barça e o grande feito de Neymar é estar conseguindo isso em um time liderado por um argentino”, explicou, à época, Ramón Besa, jornalista do El País e um dos líderes de opinião da imprensa na Catalunha.
Neymar era visto como um jovem com opiniões maduras, como alguém determinado e com uma enorme ânsia de competir. Por conta disso e de sua também elogiada dedicação para aprimorar sua parte técnica, seu futuro era exaltado.
"Se continuar assim, dá medo pensar no que pode se transformar. A seu favor joga o fato de que é muito jovem e que tenha feito 32 gols na temporada, enquanto Messi, da sua idade, não passava de 20 por temporada”, opinou Santi Giménez do jornal As, outra fonte indispensável para entender o Barça atual.
Giménez ia além e acreditava que o atacante poderia superar até mesmo lendas como Ronaldinho e Rivaldo, ídolos do clube, além de campeões mundiais e "Bolas de Ouro", como Ronaldo e Romário.
“Pode ser mais que eles (Romário, Ronaldo, Rivaldo e Ronaldinho), mas, por enquanto, tem que comer muito arroz com feijão e acabar com essa fama de que os brasileiro só duram três anos em alto nível"
Em uma comparação com Robinho, de quem Neymar era fã declarado, o ainda jogador do PSG era considerado melhor, porque sabia bater a gol.
Outra declaração importante da reportagem foi do vice-presidente global de futebol da parte de calçados da Nike, Max Blau.
“Ele nos pediu que desenhássemos algo que lhe permitiria trocar de direção com mais controle. Ele quer que o pé não se mova dentro da chuteira quando freia e acelera”, explicou o executivo da marca norte-americana.
Neymar era visto como um humilde incansável. Lucho Nizzo, olheiro da Inter de Milão com passagem pela CBF, entrevistado pela Líbero, contava uma história vivida em um torneio na Europa, quando Neymar era ainda muito jovem e atuava na base do Santos.
"Para chegar a ser um grande futebolista, não basta ter grandes qualidades para jogar. É preciso ser inteligente e humilde, e Neymar já o é. Durante o torneio, visitamos Barcelona. Neymar, que já era patrocinado pela Nike, entrou em uma loja e saiu carregado de camisetas, tênis, óculos de sol... Perguntei porque ele estava comprando tanta coisa se a marca já lhe dava material grátis. ‘São presentes. Para meus amigos e o pessoal do meu bairro’”, disse ele a Nizzo.
Até o lema "Ousadia e Alegria" e a gíria "Tóiss" aparecem na reportagem, citadas, respectivamente, como um lema do espírito positivo do jogador e de sua lealdade aos amigos.
Outro fato pitoresco é a citação de Alvaro Costa, que funcionava como uma espécie de anjo da guarda do jogador. Costa faz hoje parte da comitiva que negocia a volta de Neymar ao clube.
Neymar deixaria o Barcelona pouco depois da reportagem ser publicada, pela porta dos fundos, como se sabe.
