Vasco se desculpa por grito homofóbico da torcida e diz que clube pode 'levantar a voz' por mudança: 'História mais bonita do futebol'

Apesar do clima de festa ontem do Vasco em São Januário pela vitória contra o São Paulo, nem tudo foi festa na arquibancada do estádio. Aos 19 minutos da segunda etapa, alguns torcedores do clube carioca começaram a entoar o grito "time de v....." contra o rival.

Imediatamente o árbitro da partida Anderson Daronco foi até o banco de reservas e pediu ao técnico Vanderlei Luxemburgo que falasse com os torcedores para cessar os gritos de cunho homofóbico. O treinador se virou para os torcedores junto com o lateral Yago Pikachu pedindo para acabar com o grito.

Nesta segunda-feira, o Vasco emitiu uma nota oficial condenando o canto de caráter homofóbico por parte de alguns torcedores. O clube pediu desculpas àqueles que, corretamente, se sentiram ofendidos.

O clube ressaltou que combateu este tipo de postura ainda no estádio, divulgando através do sistema de som e com a postura do técnico e de seus jogadores. O Vasco ainda reafirmou que a postura de combate não deve ser motivada por receio de uma punição esportiva, mas sim por uma questão de cidadania e respeito ao próximo.

A nota ainda valoriza as lutas históricas do clube carioca no campo social, lembrando que o Vasco é uma instituição habituada a levantar a voz contra qualquer tipo de discriminação: “Dono da história mais bonita do futebol”. O clube lembra sua luta a favor dos negros e operários.

Por fim, o clube diz que a sociedade está passando por momentos de transformação e que o Vasco irá se comprometer a promover ações educativas junto com o torcedor.

Confira na íntegra a nota divulgada pelo Vasco da Gama:

Em relação ao episódio registrado na partida deste domingo (25/08) contra o São Paulo, o Club de Regatas Vasco da Gama lamenta e repudia qualquer canto ou manifestação de caráter homofóbico por parte de alguns de seus torcedores. Da mesma forma, a Diretoria Administrativa do Clube manifesta seu pedido de desculpas a todos que, corretamente, se sentiram ofendidos por este comportamento.

O combate a este tipo de postura – iniciado ainda em campo, quando o técnico Vanderlei Luxemburgo, os jogadores, parte da torcida e o próprio Vasco da Gama, através do sistema de som do estádio, clamaram para que os gritos cessassem – não deve ser motivado pelo receio de punição desportiva (eventual perda de pontos), mas, sim, por uma questão de cidadania e respeito ao próximo e cumprimento da lei. Preconceito é crime. E se existe um Clube no Brasil historicamente habituado a levantar a voz contra qualquer tipo de discriminação este é o Vasco da Gama, dono da história mais bonita do futebol. Assim foi com a resposta histórica de 1924; assim é com os cantos que o torcedor vascaíno entoa orgulhosamente na arquibancada enaltecendo a luta do Clube a favor de negros e operários.

A plateia de um estádio de futebol e a sociedade de maneira geral passam por um processo de aprendizado e conscientização necessário para que atos de preconceito fiquem no passado – um triste passado, diga-se. A Diretoria Administrativa do Club de Regatas Vasco da Gama compromete-se em promover ações educativas neste sentido junto ao seu torcedor, certa de que encontrará em cada vascaíno um aliado no combate a qualquer tipo de discriminação. O Vasco é a casa de todos.