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Real Madrid: Qual a diferença entre os times de Zidane de 2016 e 2019

Em 4 de janeiro de 2016, Zinedine Zidane era oficializado como novo treinador do Real Madrid. O ex-jogador dos merengues e que estava no comando do Castilla, time B do gigante espanhol, assumia o comando no lugar de Rafa Benítez.

A partir daí, a LaLiga e todo o futebol mundial presenciou uma das maiores ascensões de um técnico na história: um título do campeonato nacional em sua segunda temporada, uma Supercopa da Espanha (2017/18) e impressionantes três títulos consecutivos de Champions League (2015/16, 2016/17 e 2017/18).

Comandada por Cristiano Ronaldo em seus anos mais gloriosos, o francês montou sua seleção e venceu 115 (67%) dos 172 jogos que comandou o time, 36 empates (21%) e 21 derrotas (12%).

Logo após vencer sua terceira Liga dos Campeões, anunciou que deixaria o comando do time de Madri no dia 31 de maio de 2018, ao final da temporada.

Nisso, começou a saga de Florentino Pérez atrás de novos técnicos e tudo começou bem mal Lopetegui, que não durou muito no cargo e foi demitido após quatro meses no cargo. Santiago Solari, que o substituiu, também não teve muito sucesso e nove meses depois de se demitir, no dia 11 de março de 2019, Zidane estava de volta à Madri para comandar os merengues novamente. E encontrou uma situação bem diferente do que deixou.

E começou a recontrução. Contratações foram feitas, um novo time foi criado e Zidane iniciou a atual temporada - com uma pré-temporada preocupante.

O que se esperar desse Real Madrid em comparação ao primeiro que Zidane encontrou ao chegar?

O que Zidane tinha e o que tem hoje?

Goleiros

Muita coisa mudou, mas os nomes de Madri continuam os mesmos em sua grande maioria (em todas as posições): Em sua primeira passagem, o francês tinha à sua disposição Keylor Navas e Kiko Casilla para o posto de goleiro do time. E com o costarriquenho, sempre contestado, o time venceu os três títulos consecutivos de Champions League.

Hoje, após muita insistência, contam com Courtois no gol - já declarado titular com Zidane. Em nome, uma melhora. Em resultados, não tanto. Courtois se mostrou instável e com péssimas atuações, precisando de uma boa sequência para se firmar na titularidade do time.

Defesa

Já na linha defensiva, quase nenhuma mudança. Quando chegou, a linha defensiva era Carvajal, Pepe, Sergio Ramos e Marcelo. Hoje, apenas Pepe deixou a vaga para Varane. Todos nomes incontestáveis no time - mesmo com Marcelo diminuindo de produção no fim da última temporada e sendo substituído por Reguilón em certos momentos. Logo, da defesa Zidane já sabe o que esperar e o alto rendimento que pode cobrar.

Porém, no setor ainda existe um ponto importante: os reforços.

Mesmo com defensores já reconhecidos como melhores do mundo, os madrilenhos contrataram nomes de peso: Éder Militão teve enorme destaque com a camisa do Porto na última temporada e se tornou um dos zagueiros mais caros da história; e Mendy, destaque da lateral-esquerda do Lyon, também integrou o elenco para fazer sombra a Marcelo.

Meio de campo

Casemiro, Kroos e Modric. Esse foi o meio tricampeão com Zidane. Incontestáveis, ainda estão no time e não parecem pensar em sair. Provavelmente continuem como titulares do francês.

E, coincidentemente, é uma área do campo sem muitos reforços. Na verdade, com reforços "antigos e conhecidos": em sua primeira passagem, Zidane emprestou James Rodríguez ao Bayern de Munique por dois anos, mas agora em sua volta se reencontrou com o colombiano - que mesmo com propostas, não parece ter planos de sair de Madri.

Na primeira vez, Isco e Kovacic era os principais reservas. Hoje, o croata foi para o Chelsea e o espanhol segue buscando um lugar fixo no time titular.

Ataque

O grande problema de Zidane é o ataque. E aqui se encontra a grande e principal diferença para a mudança do Real Madrid, tudo em um nome: Cristiano Ronaldo.

Dois integrantes do Trio BBC, Benzema e Bale, continuam no time - o galês por insistência, já que seria negociado pela diretoria -, porém o grande nome do time e sinônimo de sucesso, o português hoje veste as cores da Juventus, caminho contrário de Zidane quando jogador.

Hoje, sem seu "principal jogador", o técnico vê em Hazard a grande esperança de sucesso e a chance de mudar os rumos do time.

No entanto, as opções no banco mudaram bastante também. Em 2015/16, Jesé Rodriguez, Lucas Vazquez e Asensio esquentavam o banco. Hoje, opções melhores: Jovic chegou para fazer sombra para Benzema no comando de ataque, Bale é reserva após todas as polêmicas (se continuar no time), Lucas Vázquez e Asensio continuam buscando seu espaço, enquanto Rodrygo e Vinícius Jr. tentam cortar caminho e mostrar trabalho. Mariano Díaz, ex-camisa 7, também segue como opção se não for trocado.

Qual a REAL diferença?

Cristiano Ronaldo dos Santos Aveiro.

A presença de um dos melhores jogadores da história muda o vestiário muda a vontade de seus companheiros e a gana de vencer modifica resultados. Sem Cristiano Ronaldo, o caminho é bem mais longo para o sucesso. O elenco é o mesmo, mas a vontade está diferente.

Se Hazard não conseguir entregar o mesmo que entregou o português, Zidane pode ser contestado em muitos momentos da temporada.

O time continua com a mesma base, os principais jogadores ainda vestem a camisa e muitos dos tricampeões continuam em Madri, mas o artilheiro e principal jogador veste outra camisa.

Os reforços também podem ser considerados diferenciais para a temporada que se inicia no próximo dia 17 contra o Celta de Vigo: Militão foi um dos melhores zagueiros na última temporada e tem potencial para ser um futuro titular, assim como Mendy, Vinícius Jr., Rodrygo e Jovic.

Time reforçado e novos nomes com vontade de mostrar trabalho, velhos nomes que agora, mesmo "encostados", podem fazer a diferença em certos momentos. Esse é o cenário do gigante de Madri.

Mas é possível substituir Cristiano Ronaldo? É possível criar a dupla 'Zidane-Hazard' e obter o mesmo sucesso?