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Conheça 'Lucão do Break', artilheiro carisma que agora é reforço do Fluminense

O torcedor do Fluminense pode começar a se acostumar com a cena: Lucas Vinicius Gonçalves Silva balança as redes adversárias e logo em seguida faz sua comemoração característica com uma dança estilosa. Conhecido como "Lucão do Break", o novo reforço tricolor marcou 16 gols e foi o vice-artilheiro da Série B do Campeonato Brasileiro do ano passado - atrás apenas de Dagoberto, do Londrina.

Antes de viver o auge da carreira, o atacante de 27 anos jogou no Atlético de Madrid, venceu o desemprego e fez bico até de monitor de festas infantis para ganhar um dinheiro.

Natural de Brasília, ele começou no futebol graças ao incentivo de seu Tonho, que o levou para as escolinhas e testes em clubes.

"Ele foi como um pai para mim, me acompanhou desde sempre e só depois quando eu saí de casa que ele não pode mais estar presente. Talvez, se ele tivesse conseguido me acompanhar eu teria tido uma carreira melhor. Como estava sozinho optei por muitas escolhas difíceis", contou, ao ESPN.com.br.

Aos 15 anos, Lucão foi jogar na Itália depois de ter recebido uma bolsa de estudos. "Eu acabei fraturando tornozelo e voltei para o Rio Grande do Sul no time do Ronaldinho Gaúcho, o Porto Alegre. Fiz minha base por lá e aos 17 anos eu recebi uma oportunidade de ir para para o Shonan Bellmare, do Japão, onde me profissionalizei", relatou.

Em 2011, o jogador transferiu-se para o Portimonense, de Portugal, no qual ficou uma temporada antes de ir para o Atlético de Madrid.

"Lá era legal, morávamos em uma mansão aonde tinha viários jogadores e nos divertíamos muito. Cheguei a jogar uma Libertadores sub-20 porque o Atlético foi o convidado europeu. Na minha época tinham nomes como Koke e Tomás", recordou.

Menos de um ano depois de chegar à Espanha, porém, ele foi para a Bulgária. "Eu tinha objetivo de ficar, mas fui muito mal aconselhado. Apareceu uma proposta para outro time, na época o CSKA Sofia e optei por sair. E aí foi onde deu tudo errado. Eu tomei algumas decisões que me fizeram começar do zero e voltar para o Brasil", contou.

O difícil retorno

Lucão voltou ao Brasil, viveu períodos de desemprego e rodou por algumas equipes que por muitas vezes não tinham calendário para o ano todo, além de não pagarem os salários em dia. Por isso, ele precisou se virar em outras áreas fora do futebol para se sustentar.

"A maior dificuldade era manter as contas em dia, tem que se organizar. Eu sempre tive muito controle por saber que o futebol tem dois mundos. Me programava com dinheiro do Estadual para me manter o ano todo. Mas já fiz algumas coisas para ganhar um dinheiro, como trabalhar como monitor de criança nas festinhas, servente de pedreiro em obras com meu melhor amigo e fui também vendedor de picolés", afirmou.

Depois de rodar por Caxias, Resende, São Bento, Luverdense e Sergipe antes de chegar ao Zimbru, da Moldávia, em 2016.

"Lá aconteceram algumas coisas que me desmotivaram bastante e cheguei a pensar em parar de jogar futebol. Foi um momento marcante crucial, pois conheci minha esposa que me ajudou a passar por esse momento difícil. Ela é um porto seguro na minha vida, temos um filho lindo e consegui dar a volta por cima."

Tudo começou há dois anos, quando retornou ao país e jogou o Campeonato Gaúcho pelo Cruzeiro-RS. Logo em seguida passou rapidamente pelo América-RN antes de chegar ao Criciúma.

Destaque no começo da Série B de 2017, ele oscilou no decorrer da competição, mas foi contratado pelo Goiás no ano passado.

"Lucão do Break"

Após um começo de 2018 complicado, Lucão deslanchou e não parou de fazer gols com a camisa esmeraldina e comorar com os passos de break. Fã de grupos de hip hop como Hugria e Tribo da Periferia, o seu preferido, ele usou a dança como sua marca registrada.

"Comemoro assim desde criança, já dançava hip hop. A rapaziada sempre falava que se eu virasse jogador tinha que fazer os passos para lembrar da nossa raiz e nos representar. Eu nunca me apresentei, só treinava com amigos e às vezes em festinha nas rodas de break", contou.

O centroavante, que assinou contrato com o Fluminense até o fim de 2020, chega para ajudar o clube carioca a buscar uma melhor colocação no Brasileirão e lutar pelo título da Copa Sul-Americana.

"Um sonho que está se tornando realidade. Desde pequeno a gente vê grandes jogos pela televisão e para mim, estar aqui, é fantástico. Não tenho nem palavras para poder descrever. É um sonho de garoto jogar em um time com uma camisa que tem tanto peso. Só posso agradecer a Deus por ter recebido essa oportunidade e trabalhar muito para retribuir", disse.