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Juanfran é apresentado no São Paulo e fala até em conquista de Libertadores: 'Não vim passear'

O São Paulo apresentou na tarde desta sexta-feira aquele que Raí afirmou ser o último reforço da atual temporada: o lateral direito espanhol Juanfran, 34, ex-Atlético de Madrid.

A apresentação ocorreu na sala de imprensa do estádio do Morumbi, com a presença de familiares do jogador e da diretoria tricolor.

Juanfran afirmou mais de uma vez que está no São Paulo porque foi um desejo dele que a diretoria, mais precisamente Raí, atendeu e possibilitou a sua vinda. Disse que tem como objetivo fazer o time ser campeão --citou até a Copa Libertadores-- e trazer uma nova filosofia. Algo mais parecido com o que os jogadores vivem na Europa.

"[O técnico] Diego Simeone [do Atlético de Madrid] nos dizia muito que éramos muito semelhante aos times sul-americanos porque a gente não dava uma bola perdida. Éramos uma família. A torcida do Atlético também tem uma forma de torcer parecida com o jeito sul-americano. Me falaram que o São Paulo é uma equipe de Libertadores. A torcida vem ao estádio querendo ver o time na Libertadores. É o que queremos buscar", disse Juanfran.

"Sei que o São Paulo não é campeão há muito tempo, mas vamos com nossa filosofia de partida a partida para chegar longe. Durante todos os anos que estive no Atlético lembro que a torcida cantava que estava orgulhosa do que conseguimos. É isso que mais quero no São Paulo", respondeu em outro momento.

"Venho de um futebol com intensidade. Falava com Dani que temos de tentar trazer essa intensidade ao São Paulo e ajudar nossos companheiros a serem melhores. Todos me respeitam, sabem o jogador que sou, que não vim passear. Que quero jogar como fiz no Atlético. Espero que minha opinião sobre o futebol brasileiro seja ainda melhor."

Juanfran está treinando desde a última quinta-feira, mas ainda não tem previsão de estrear.

O jogador disse que está pronto e que depende de Cuca e da regularização dele junto à CBF. Se depender do clube, é possível que ele esteja em campo no próximo domingo, dia 18, contra o Ceará, no Morumbi.

Veja a entrevista de Juanfran

POR QUE ESCOLHEU O SÃO PAULO
Passei muitos anos na Europa, conquistando tudo que pode, menos a Champions, mas conquistei praticamente tudo. Fui campeão com a seleção. Quando surgiu a possibilidade do São Paulo não tive dúvida por nenhum minuto. Sei da fama do São Paulo. Está claro que influenciou muito eles buscaram a minha experiência para tentar ser uma equipe melhor, ser campeão. Já são muito anos sem títulos. Eu fico agradecido e vou provar em campo.

COMO VÊ O FUTEBOL NO BRASIL
Não penso que estão atrasados. Penso que as coisas caminharam mais lentas do que na Europa. Mas é possível ver mudanças. As equipes no Brasil ou na América do Sul podem competir com equipes da Europa. Desde pequeno eu vi Raí jogar no Paris Saint-Germain e fazer história pelo São Paulo contra o Barcelona. Queria jogar aqui. Tenho o mesmo sonho de quando tinha sete anos. Quero seguir trabalhando, quero seguir ganhando. E que os meninos e meninas que venham me assistir me vejam como mais um jogador do São Paulo e ter o sonho de jogar pelo clube.

DIFICULDADES NO BRASIL
Temos uma grande equipe. Podemos jogar em muitas posições. Posso jogar pela lateral direita ou esquerda. O que quero é jogar. Pode ser 1 minuto ou 90. Quero ser um exemplo para os meus companheiros. Um jogador que deixa a vida em campo.

CONCORRÊNCIA COM DANIEL ALVES
Creio que quando o São Paulo pensou em mim e no Dani Alves, pensou em dois jogadores fortes que podem ajudar o time. Já conversamos com o técnico Cuca, mas não vou contar porque é segredo. Mas podemos jogar em muitas posições. Vamos ajudar o desenvolvimento dos jovens.

ÍDOLOS NO FUTEBOL BRASILEIRO
Tenho dois aqui do lado [Raí e Lugano], mas podem incluir Alexandre [Pássaro] também [disse brincando]. O que mais me atrai no futebol brasileiro é a gente. Conheci muitos jogadores brasileiros no Atlético de Madrid e sempre me dei muito bem com eles.

CAMPEONATO BRASILEIRO
Vemos na Europa o Brasileiro como uma competição difícil. São muitas equipes e muitos campeões diferentes. É diferente a cultura da Europa. Creio que aqui se desfruta mais a competição. Na Europa sempre ganham os mesmos. É claro que aqui é diferente, mas vou me adaptar logo. Quero jogar. Já estou à disposição de Cuca. Espero que o São Paulo faça uma ótima competição e ano que vem disputa a Copa Libertadores.

MUDANÇA
O carinho da torcida do Atlético de Madrid foi muito grande. Fico emocionado de lembrar. Foram quase 19 anos. O clube até poderia me oferecer mais tempo, mas queria ter outra experiência em família, com minha mulher e meus filhos. São Paulo me encantou. É uma cidade muito maior que Madri, com muito mais trânsito, muito mais gente... acho que três vezes mais [risos]. Brasil é um grande país, com muitos lugares. Espero que com o tempo muitos jogadores topem vir ao Brasil.

ADAPTAÇÃO COM CUCA
Todos esses anos no Atlético tive uma estrutura e uma equipe muito forte. Com Godín, Miranda, Filipe Luis, Gimezes... Era muitos jogadores bons e que jogamos muitos anos juntos. Simeone tem um trabalho e pensava como Atlético. Pensava em contra-ataque. Agora é diferente. Creio que não vou ter problema para me adaptar. Todas as equipes têm de acreditar em seu treinador. Isso é o importante. É o que faz diferença.

SÃO PAULO X BARCELONA, 92?
Torci para o São Paulo.

ESTILO 'SUL-AMERICANO' NO ATLÉTICO
Diego Simeone nos dizia muito que éramos muito semelhante aos times sul-americanos porque a gente não dava uma bola perdida. Éramos uma família. A torcida tem uma forma de torcer parecida com o jeito sul-americano. Me falaram que o São Paulo é uma equipe de Libertadores. A torcida vem ao estádio querendo ver o time na Libertadores. É o que queremos buscar.

RETORNO AO BRASIL APÓS COPA-14
Eu gostei muito quando estive no Brasil com a seleção espanhola, mas fizemos um Mundial ruim. Só joguei o último jogo, que foi o que ganhamos. Não fui embora tão triste. Foi um Mundial triste porque vínhamos do título da Copa anterior e da Eurocopa. Mas me lembre bem das pessoas, da comida e do sentimento que as pessoas têm.

GANHAR LIBERTADORES SUBSTITUIRÁ DERROTAS NA CHAMPIONS
Não. Porque joguei 11 finais com o Atlético. Ganhei oito e perdi dois. São cicatrizes para toda a vida. Temos de estar tranquilos para pensar nesses objetivos. Sei que o São Paulo não é campeão há muito tempo, mas vamos com nossa filosofia de partida a partida para chegar longe. Durante todos os anos que estive no Atlético lembro que a torcida cantava que estava orgulhosa do que conseguimos. É isso que mais quero no São Paulo.

FILOSOFIA DE VIDA
Minha filosofia de vida é cuidar da minha família. Minha família agora é São Paulo. Depois trabalhar, trabalhar e trabalhar para ganhar. Quero ganhar. Me considero um vencedor, mas não porque venci sempre. Mas porque sempre quis e trabalhei para vencer.

FILIPE LUIS
Quando soube que ia acertar com o São Paulo, Filipe é um irmão para mim e agora vamos ter que se enfrentar. Está claro que minha opinião... brasileiros são mais tranquilos. Venho de um futebol com intensidade. Falava com Dani que temos de tentar trazer essa intensidade ao São Paulo e ajudar nossos companheiros a serem melhores. Todos me respeitam, sabem o jogador que sou, que não vim passear. Que quero jogar como fiz no Atlético. Espero que minha opinião sobre o futebol brasileiro seja ainda melhor.