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Testemunha-chave do 'caso Daniel' relata assassinato do jogador e desabafa: 'Vivo com medo'

Daniel durante treino do São Paulo, em março de 2016 FERNANDO DANTAS/Gazeta Press

O "caso Daniel", que envolve a morte do jogador Daniel Corrêa Freitas, com passagens por Cruzeiro, Botafogo, São Paulo e outras equipes, segue longe de terminar. Uma entrevista dada por uma testemunha da ocorrência, no entanto, trouxe novos fatos à tona nesta segunda-feira.

Em conversa com a TV Globo, Lucas Stumpf, conhecido como Lucas Mineiro, relatou os bastidores da noite em que o empresário Edison Brittes matou Daniel em Curitiba, em 27 de outubro de 2018.

Stumpf estava na festa do aniversário de 18 anos de Allana Brittes, filha de Edison, em uma casa noturna de Curitiba. Na sequência, ele foi um dos convidados para continuar a celebração na casa da família Brittes, onde ocorreu a confusão que terminaria com a morte do atleta.

"No momento em que eu olhei pela janela, eu vi ele [Daniel] na cama, sendo enforcado. Eu vi o Edison enforcando ele (sic) em cima da cama, batendo em cima da cama. Ele [Daniel] estava de cueca e camiseta", lembrou Lucas.

"Ele [Daniel] falava: 'Não quero morrer, não quero morrer' e aí eles batiam, batiam... Aí entraram outros rapazes e batiam, batiam... Ele já saiu do quarto muito machucado", rememorou.

Em depoimento à polícia, Edison alegou que matou Daniel porque o jogador tentou estuprar sua esposa, Cristiana Brittes.

Segundo a Polícia Civil e o MP-PR (Ministério Público do Paraná), porém, não houve tentativa de estupro.

"Ela [Cristiana Brittes] tentava pedir ajuda, mas ela não tinha o que fazer. Ela não tinha como reagir naquele momento e não ia conseguir fazer nada naquele momento, creio eu. Ela pedia socorro e eu não sei dizer se o socorro dela era por algo que aconteceu com ela mas, no meu entendimento, no meu ver do momento dos fatos, era que o pedido de socorro era pro Daniel", prosseguiu Stumpf.

Lucas afirma que pediu a Edison Brittes que parasse de agredir Daniel, mas o empresário o ameaçou.

"No momento em que eles estavam agredindo ele [Daniel], eu cheguei e falei: 'Para, para'. Ele [Edison Brittes] só olhou pra mim e falou: 'Sai fora. Se você não vier me ajudar, sai fora, se não você é o próximo'", recordou.

Depois do espancamento, Daniel foi levado de carro por Edison Brittes e outras pessoas para uma área rural de São José dos Pinhais, na região metropolitana de Curitiba. Ele teve seu órgão genital decepado e foi assassinado, sendo encontrado dias depois em um matagal.

"Ele [Edison Brittes] passou atrás de mim com uma faca e naquele momento eu já não olho mais para trás", contou Lucas, antes de afirmar que viu Daniel caído fora do carro em que seria transportado: "Deitado no chão, muito machucado. Ele cuspia sangue, tentava falar e não conseguia. Muito muito machucado".

Stumpf atualmente não mora mais em Curitiba, já que alega que passou a ser ameaçado, recebendo mensagens em seu celular.

"Medo é o que descreve o que eu vivo. Tomo remédios, tenho depressão, o medo me tirou da cidade onde eu cresci. Ali eu vi como se a vida não tivesse valor nenhum", lamentou.

OUTRO LADO

O advogado que defende a família Brittes, Cláudio Dalledone, negou as falas de Lucas Stumpf e afirmou que a testemunha "quer aparecer".

"Esse moço está merecendo ser processado criminalmente. Se isso fosse verdade, teria sido consignado, teria sido dito por ele quando foi ouvido em juízo e nada aconteceu nesse sentido. Menos ainda, na fase policial. Ele tenta, junto com o advogado dele, ganhar, nesse momento, um protagonismo. Ele quer, na verdade, aparecer", disse.

A defesa de Lucas Mineiro, representada pelo advogado Jacob Filho, rebateu.

"Ele decepou o órgão genital de Daniel, que foi assassinado de forma brutal sem poder se defender. Esta manobra que o advogado Dalledone tenta fazer para amedrontrar a testemunha e seu advogado é em vão. Nós não temos medo, não nos acovardamos, não pertencemos a este grupo criminoso, que infelizmente não respeita limites", discursou.