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Aston Villa gasta mais de R$ 400 milhões e busca evitar fracassos de recém-promovidos

Recém-promovido à Premier League, o Aston Villa abriu os cofres para a temporada 2019/20. Sonhando com a manutenção na elite e até com posições mais altas no campeonato, a equipe da cidade de Birmingham gastou 101,1 milhões de euros (R$ 425,2 milhões) no mercado de transferências, se tornando o time com a maior despesa na Inglaterra até o momento.

Em apenas dois meses, foram muitas movimentações para fortalecer o elenco que garantiu a classificação para a Premier League após vencer o Derby County por 2 a 1 na final dos playoffs da Championship.

Para compor o setor ofensivo, a diretoria surpreendeu ao bater o recorde de transferências do clube, gastando 25 milhões de euros (R$ 105 milhões) para contratar o brasileiro Wesley, que marcou 17 gols em 48 jogos pelo Club Brugge, da Bélgica.

Além dele, o Aston Villa manteve uma das principais peças da última temporada, o holandês El-Ghazi, responsável por seis gols e cinco assistências em 36 jogos. O homem de 9 milhões de euros (R$ 37,9 milhões) mostrou sua importância no último jogo da temporada, quando fez um dos dois gols contra o County.

O investimento no setor não acabou. A equipe também buscou no rival local, o Birmingham, o meia espanhol Jota, desembolsando 4,5 milhões de euros (R$ 18,9 milhões) pelo atleta de 28 anos.

Além dos reforços no ataque, o clube focou em peças para o setor defensivo. Além de comprar em definitivo os zagueiros Tyrone Mings e Kortney Hause, que foram emprestados pelo Bournemouth e Wolverhampton na segunda metade da última temporada, o Villa contratou outros três reforços para a defesa.

O promissor zagueiro Ezri Konsa, que se tornou titular absoluto do Brentford em 2018/19, foi comprado para reforçar a zaga do time, e o clube ainda trouxe o belga Bjorn Engels para o setor.

A equipe também gastou 15,6 milhões de euros (R$ 65,6 milhões) para contar com o lateral-esquerdo Matt Targett, que atuou 21 vezes pelo Southampton na última temporada.

Ao todo foram 62,8 milhões de euros (R$ 264,1 milhões) em cinco atletas na tentativa de renovar uma defesa debilitada, que sofreu 61 gols em 46 jogos da segunda divisão inglesa.

Em busca de mais reforços, o Aston Villa tem acordo encaminhado com o Kasimpasa, da Turquia, para contar com o meia egípcio Trézéguet, de acordo com a Sky Sports. Além dele, a diretoria está próxima do volante brasileiro Douglas Luiz, que pertence ao Manchester City e esteve emprestado ao Girona nas últimas duas temporadas.

Os dois acordos podem chegar à marca de ‘milhões de euros, elevando ainda mais os gastos do time.

JUVENTUDE X EXPERIÊNCIA

Um dos pilares de renovação do Aston Villa foi tornar a equipe mais jovem, considerando tanto as dispensas quanto as novas contratações. Ao todo, dez atletas deixaram o clube para a atual temporada, sendo que nove tiveram o contrato encerrado e não receberam proposta de renovação.

A diferença de idade entre os reforços e as dispensas é grande: dos oitos jogadores que se juntaram ao clube, apenas Jota e Mings tem mais de 25 anos, sendo que a média de idade das contratações é de 23,8 anos.

Dentre os jogadores que deixaram o clube, o mais novo é Gary Gardner, atleta que foi vendido ao rival Birmingham, que tem 27 anos. Todos os outros têm mais de 30 anos, dando uma média de 31,9 anos.

GRANDE INVESTIMENTO É GARANTIA DE SUCESSO?

O Aston Villa não é o primeiro time que gastou muito após conseguir a promoção para a Premier League. Na última temporada, Wolverhampton e Fulham abriram os cofres no mercado de transferência, mas os resultados das duas equipes foram muito diferentes.

O gasto de 89,4 milhões de euros (R$ 374,5 milhões) do Wolves rendeu ao clube a sétima colocação geral do campeonato, atrás apenas dos seis grandes clubes da Inglaterra.

Enquanto o time se tornou uma das maiores surpresas da Premier League, o Fulham se tornou a grande decepção: os 113,4 milhões (R$ 475,5 milhões) lhe renderam apenas 26 pontos, a segunda pior campanha de 2018/19 e o rebaixamento para a Championship.

Apesar do exemplo da última temporada, grandes investimentos costumam render bons resultados. Outros quatro clubes gastaram mais de 55 milhões de euros (R$ 230,4 milhões) após a ascensão elite e nenhum terminou o ano na zona de rebaixamento.

Os gastos para a próxima temporada também diferenciam o Aston Villa dos outros dois clubes recém-promovidos para a Premier League. O Sheffield United também abriu os cofres, mas a diferença é grande. A equipe gastou 24,5 milhões de euros (R$ 102,64 milhões) nos cinco reforços para a temporada - número que não chega próximo aos R$ 400 milhões do Villa.

Em relação ao Norwich City, a diferença é ainda maior. O campeão da segunda divisão trouxe cinco reforços para 2019/20, mas gastou apenas 4,17 milhões de euros (R$ 17,47 milhões) - custo menor do que o Aston Villa pagou ao Birmingham para contar com o espanhol Jota.

Apesar de levantar otimismo da torcida, os grandes investimentos também levantam preocupações para a torcida, já que o Aston Villa tem uma história pessimista que caminha junto com altos gastos no mercado de transferências.

Antes da temporada 2015/16, a diretoria gastou 66,7 milhões de euros (R$ 279,6 milhões) em novos reforços e o resultado foi desanimador. Apenas 17 pontos e a pior campanha da Premier League, lhe renderam dívidas, que permaneceram no clube nos três anos em que a equipe esteve na Championship.

Agora, de volta à elite, o Aston Villa não economizou, e seu torcedor espera que a história da próxima temporada seja mais parecida com a dos Wolves, do que com a do Fulham.