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Último Brasil x Peru no Maracanã foi há 41 anos e teve vaias, 'argentino' no gol e Rivellino 'pistola'

Finalistas da Copa América, as seleções de Brasil e Peru vão se enfrentar no Maracanã, no próximo domingo, após um intervalo de 41 anos sem confrontos no "Maior do Mundo", alcunha mais conhecida do estádio do Rio de Janeiro. O último confronto na cidade foi no Dia do Trabalho (1º de maio) de 1978.

Diferentemente de agora, o encontro de quatro décadas atrás foi apenas um amistoso sem tanta importância, embora a equipe do técnico Cláudio Coutinho estivesse na reta final de preparação para a Copa do Mundo daquele ano, que foi na Argentina. O mesmo clima que respiravam os peruanos.

Dez dos onze titulares da seleção naquele dia foram ao Mundial. Apenas o atacante Nunes acabou não convocado porque se machucou em um treino. Foram chamados o goleiro Leão, os laterais Toninho e Edinho, os zagueiros Oscar e Amaral, o volante Batistas, os meias Cerezo, Rivellino e Zico e o ponta Zé Sérgio.

O centroavante Reinaldo e o meia/ponta Dirceu, que entraram durante o amistoso, também estiveram na lista de Coutinho.

O duelo com os peruanos atraiu 145 mil expectadores ao Maracanã, mas a paciência deles foi curta. Incomodados com excesso de toques de bolas e lentidão para a seleção chegar ao ataque, os torcedores vaiaram. Esperavam e queriam ver uma goleada no Rio de Janeiro.

Os principais jornais da época relataram que os rivais dificultaram, com até dez homens na defesa.

As vaias somente cessaram quando Zico abriu o placar. Foi aos 35 minutos do primeiro tempo. Ele aproveitou uma bola rebatida pelo defensor Manzo e finalizou.

Os outros dois gols foram no segundo tempo, ambos com Reinaldo, do Atlético-MG. Primeiro numa tabela com Zico, aos 19. Depois, em uma ação iniciada por ele (que encobriu Quiroga) e com participação de Zico, aos 41. Foi o nome mais aplaudido naquele dia no Maracanã.

Aliás, o goleiro peruano pode não impactar tanto hoje, mas brasileiros daquela época guardaram por muito tempo seu nome. Quiroga era natural de Rosario, na Argentina, mas acabou se naturalizando peruano e recebeu a culpa pela goleada de 6 a 0 que a Argentina aplicou no Peru durante o quadrangular semifinal da Copa.

O placar elástico fez com que os argentinos, e não os brasileiros, ficassem com a vaga na final da Copa de 1978 por causa do saldo de gols. Foi o jogo mais polêmico dos Mundiais. Muitas teorias conspiratórias nasceram naquele dia e muitos torcedores canarinhos passaram a acusar o goleiro de ter favorecido a seleção da casa.

Para completar os fatos daquele dia, Rivellino ficou "pistola" ao ser substituído por Dirceu no início da segunda etapa. Não cumprimentou o jogador do Vasco ao deixar o campo. Muito menos o treinador Cláudio Coutinho. Deixou ambos "falando sozinhos".

Depois da partida foi cobrado para dar explicações e acabou amenizando o ocorrido.

"Realmente fiquei aborrecido ao ser substituído, pois ainda estava em perfeitas condições para continuar e o jogo estava gostoso. Não sei bem o que falei para o treinador, mas depois tudo ficou certo, porque ele explicou que queria me poupar", disse Rivellino, em entrevista reproduzida pela "Folha de S.Paulo".

Vale lembrar que um mês e 15 dias depois as seleções (praticamente com as mesmas escalações) se encontraram na Copa de 1978. Os brasileiros voltaram a vencer por 3 a 0, gols de Zico e Dirceu (duas vezes).

Além do 3 a 0 daquele 1º de maio de 1978, Brasil e Peru se enfrentaram outras três vezes no Maracanã. Sempre com triunfos canarinhos: 1x0, em 1957; 3x1, em 1966; 3x2, em 1969. No retrospecto total, os brasileiros têm 31 vitórias, nove empates e apenas quatro derrotas.

A decisão da Copa América será no próximo domingo, às 17h (de Brasília), no Rio de Janeiro.