O técnico Rafael Dudamel foi questionado sobre a influência do governo da Venezuela ao apresentar o duelo com a Argentina, que ocorrerá na sexta-feira, no Maracanã, pelas quartas de final da Copa América, mas não fugiu do assunto. O questionamento levou em conta o uso político da vitória por 3 a 1 sobre o rival, em Madri, no último duelo entre essas equipes.
"Aquela experiência foi muito boa porque depois os que fazem política entenderam que a seleção é um espaço diferente, um espaço para construir o país, um espaço para dar alegria, para unir o nosso povo. A partir daquele momento a relação foi melhor", disse Dudamel.
"Eles entenderam que é cada um no seu espaço, que é melhor que nos deixem fazer futebol, que é o que sabemos fazer melhor", disse.
O uso do esporte no país sempre foi comum aos governos na Venezuela, mas antes quem tinha mais espaço era o beisebol e o basquete, modalidades mais populares. Mas com o progresso do futebol --hoje primeiro na preferência nacional-- passou a ser mais comum o uso político das equipes locais e da seleção.
O governo que mais investiu foi o de Hugo Chávez, época em que muitas estatais passaram a patrocinar os clubes locais.
Dudamel, que está no comando da seleção venezuelana desde 2016, também fez previsões para o duelo com a Argentina e mostrou-se otimista.
"É um bom momento bom para nós. Estamos seguros, estamos bem, estamos convencidos de que podemos. Temos grande ambição. Reconhecemos a capacidade do nosso rival, mas acreditamos que podemos buscar essa classificação", disse, admitindo em seguida que a Vinotinto vem evoluindo.
"Para chegar ao nível das grandes seleções nos falta muito, mas esse caminho em que encontramos nós ajuda a encurtar muitas distâncias por causa da qualidade dos nossos jogadores, que nós mantém em alto nível. Subir de patamar na história do futebol não será possível com uma boa campanha nesta Copa América. Mas se olharmos o presente o nosso povo sente que temos uma equipe em condições de competir em igualdade com os outros", disse o treinador.
"Quando falamos de escalar posições em nível mundial, geramos mais expectativas jogos como esse. E sempre o desafio seguinte será o de maior exigência. A Argentina tem um grande plantel e os maiores jogadores do mundo. Pode ser a partida mais importante da nossa história. Mas não estamos jogando para buscar essa repercussão. Estamos jogando para validar a nossa boa campanha e manter nosso rendimento. Estamos preparados para fazer uma partida linda e chegar à semifinal", disse.
Quando foi questionado se Messi receberá uma marcação especial, Dudamel lembrou de uma história.
"Em 1986, Argentina e Venezuela se enfrentaram pelas elminatórias. E Maradona teve uma marcação própria, mas a partida foi definida em bolas paradas [gols de falta de Maradona e Passarella e um tento de Maradona após escanteio cobrado]. Jogadores diferentes têm de ter uma marcação coletiva e especial. Mas sabemos que até hoje ninguém conseguiu uma estratégia para barrar o Messi. Nos não vamos ser os primeiros. O importante é anular a Argentina".
A partida entre a seleção Vinotinto e a Albiceleste acontece ensta sexta-feira, no Maracanã, às 16h (de Brasília).
