Treinador de Thalles na base do Vasco, Sorato foi crucial para a carreira do jogador ao trocá-lo de posição e seguiu de perto sua escalada para o time profissional da equipe carioca. Mas afirma que sempre chamou a atenção do jogador quanto a vida extracampo, conforme disse em entrevista ao site GloboEsporte.com.
"Uma vez que já estava no profissional vi que rodou uma foto pela imprensa com ele na noite. Peguei o telefone e liguei para ele. Dei uma chegada mais firme, ele me respeitava bastante, é difícil. Ele falou: "Não professor, o que é isso, pode ficar tranquilo, estou me dedicando!". Eu falei: "Cara, pô, não entra nessa. Você é novo, está chegando agora, tem um potencial enorme", conta Sorato.
O treinador termina afirmando: "Infelizmente, a gente faz algumas escolhas e as consequências são terríveis. Não que ele não pudesse se divertir, estava de folga... É uma pena, realmente".
O jogador morreu na manhã deste sábado em um acidente de trânsito após uma colisão de duas motos na Avenida Almirante Pena Boto, no Rio de Janeiro. O jogador estava pilotando uma das motos com duas mulheres na garupa quando bateram em outras duas em um cruzamento. Ao todo, foram cinco óbitos no acidente, conforme informações do Espn.com.br.
Sorato também conta, na entrevista, quando trocou o jogador de posição. No sub-17, Thalles jogava de segundo atacante e ao ser promovido para o sub-20 o treinador o colocou como centroavante, o que disparou sua evolução e o fez ser convocado para a seleção brasileira sub-20, subindo para o profissional logo na sequência a pedido de Dorival Júnior em 2013.
"Era um cara que você podia contar em qualquer momento, não se escondia do jogo, era um jogador de personalidade. Guardadas as proporções, na base ele lembrava um Drogba, pela força física, pelo porte físico, pela qualidade técnica. A família deve estar arrebentada com essa situação toda", finaliza.
Thalles chegou ao time principal do Vasco em 2013 e ficou até 2017, disputou 154 partidas e marcou 36 gols. Após isso, saiu por empréstimo por uma temporada ao Japão, no Albirex Niigata, e retornou ao Brasil para a Ponte Preta - também por empréstimo -, aonde fez 19 jogos e marcou cinco gols.
