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Copa América: 'Barrabravas acham que aqui não vai ter lei para puni-los', diz comandante da PM mineira

A Argentina está em Belo Horizonte, onde jogará na quarta-feira, contra o Paraguai, no Mineirão, pela 2ª rodada do grupo B da Copa América 2019.

E onde vai a Albiceleste, também vão seus apaixonados hinchas, que desde o último domingo já começam a encher as ruas da capital mineira.

No entanto, há sempre um "efeito colateral" da presença da seleção: os barrabravas, torcedores conhecidos pela violência e por deixarem um rastro de destruição por onde passam.

Atualmente, a Argentina vive guerra contra esse tipo de vândalo.

Tanto é que quase 5,5 mil pessoas com histórico de delitos foram colocadas na "lista negra" do programa Tribuna Segura, criado pelo Ministério da Segurança do país e que busca evitar que os barrabravas viagem a outros países.

A tática já funcionou antes do início da Copa América, quando dois homens listados na relação foram barrados pela Polícia Federal no Rio de Janeiro e enviados de volta a Buenos Aires. Um deles, inclusive, tinha uma acusação de homicídio em sua ficha corrida.

E para saber se Belo Horizonte está preparada para lidar com os barrabravas, a ESPN procuou o coronel Giovanne Gomes da Silva, comandante-geral da Polícia Militar de Minas Gerais, que concedeu entrevista exclusiva na última segunda-feira.

Gomes da Silva explicou como é feito o trabalho de monitoramento dos torcedores violentos e explicou como a PM agirá caso eles consigam escapar do controle prévio e chegar à capital mineira.

"Esse trabalho (de detectar barrabravas) é feito pela Polícia Federal. Ela é quem faz esse perfil junto aos aeroportos. A gente acompanha também junto à Polícia Rodoviária, porque eles podem se deslocar de ônibus pelas rodovias, e pede que eles façam esse primeiro filtro. Mas, caso haja abordagem da Polícia Militar (a algum barrabrava) ou nossos agentes de segurança, principalmente os ligados aos serviços de inteligência, detectem a presença dessas pessoas que estão sob proibição, a gente vai conduzir até a delegacia do interior do estádio para que sejam tomadas as providências, envolvendo também a Polícia Federal na questão", afirmou.

De acordo com o coronel, os barrabravas atuam de forma violenta por pensarem que são imunes à lei. No entanto, Gomes da Silva garante que a Polícia fará de tudo para conter qualquer manifestação excessiva.

"Eu acho que eles aproveitam muito o fato de estar fora do país e às vezes acham que aqui não vai ter uma lei que vá puni-los. Mas nós temos um protocolo bem consolidado, e que as torcidas dos outros Estados já conhecem. Hoje, ele está estabelecido de uma forma que a gente não deixa que eles (torcedores) saiam do controle. Se precisar envelopar, a gente vai envelopar. Isso é: deliminar onde eles vão e o espaço que vão ocupar", explicou.

"O que acontece muito, até pelos estudos que fizemos, é problema em final de jogo, quando eles (torcedores) se deslocam para os locais de comemoração, os bares, e aí temos que acompanhar mais de perto, porque com bebida alcoólica os ânimos ficam mais exaltados. Aonde tem torcedores e aglomerações, a Polícia Militar faz um acompanhamento mais de perto e, se precisar, com uso moderado da força, a gente vai usando o que está previsto no protocolo, podendo até mesmo chegar ao envelopamento", complementou.

O comandante da PM ainda falou sobre a possibilidade de uma semifinal no Mineirão entre Brasil e Argentina, caso a equipe de Tite avance em 1º lugar de seu grupo, a de Lionel Scaloni no 2º posto de sua chave e ambas avancem nas quartas de final.

De acordo com Gomes e Silva, não há nenhuma preocupação por parte dos agentes de segurança.

"Se tive um Brasil x Argentina (no Mineirão) aí vai ser um outro protocolo. Casa cheia, rivalidade entre as seleções... A gente vai estabelecer diretrizes com os órgãos competentes e consulados para acompanhamento das torcidas. Brasil x Argentina tem um histórico de rivalidade maior, tanto dentro de campo quanto entre as torcidas, e aí vamos adotar outro protocolo", discursou.

"Mas garanto total segurança. Não tenho preocupação. Até torço para o Brasil passar em 1º e a Argentina em 2ª, para a gente aqui em Minas Gerais ter o privilégio de acompanhar esse jogo", finalizou.