Os atuais bicampeões da Copa América estreiam na competição nesta segunda-feira… Favoritos? Não exatamente.
O Chile, que enfrenta o Japão às 20h no estádio do Morumbi, vem de uma sequência complicada de resultados. Em 2019, apenas uma suada vitória de virada sobre o humilde Haiti por 2 a 1 no início de junho deste ano.
Houve também um empate contra os Estados Unidos (que levaram de 3 a 0 da Venezuela e perderam para a Jamaica), além de derrota para o México.
A equipe, que é liderada por Reinaldo Rueda desde que o treinador deixou o Flamengo no início de 2018, tem retrospecto total sob seu comando de quatro vitórias, quatro empates e quatro derrotas.
Nas mãos de Juan Antonio Pizzi, que precedeu Rueda, nem se classificou para a Copa do Mundo de 2018. Bem diferente, por exemplo, dos tempos de Jorge Sampaoli.
Com o atual treinador do Santos no banco de reservas, a equipe chilena evoluiu muito, deu trabalho e meteu medo nos “grandes”.
“Esse Chile de 2015 praticamente foi de pior a melhor. Creio (que Sampaoli) deu uma identidade especial, um sistema, uma filosofia futebolística diferente”, disse Iván Zamorano, ídolo histórico da seleção chilena, em entrevista ao ESPN.com.br.
Sampaoli chegou em ‘La Roja’ no ano de 2012 e, além de conseguir a classificação para a Copa do Mundo, quase eliminou o Brasil nas oitavas de final da competição. Três anos depois, conquistou o primeiro título da história do Chile e foi grande influência na equipe bicampeã em 2016.
No fim de 2015, o técnico argentino deixou o comando da seleção por problemas de relacionamento com a diretoria da ANFP (Associação Nacional de Futebol Profissional do Chile).
“Sampaoli fez um grande trabalho, não só na seleção, mas também na Universidad de Chile, no O’Higgins. Demonstrou que tinha a capacidade para que suas equipes jogassem de maneira diferente, com intensidade, com uma transição entre defesa e ataque muito rápida. E isso fazia equipes muito interessantes, temíveis”, recorda Zamorano.
Vidal: Sampaoli deixou muitos ensinamentos
Mesmo com a saída de Sampaoli, o estilo de jogo se enraizou. Algo que vem de longe na seleção que teve ‘El Loco’ Marcelo Bielsa de técnico entre 2007 e 2011.
“Sampaoli é um treinador extraordinário. Foi muito bem conosco. Aproveitamos muito, fomos campeões pela primeira vez com ele. Deixou muito conhecimento para a seleção, para os jogadores”, contou Arturo Vidal ao ser perguntado pelo ESPN.com.br sobre o técnico.
“Claro, a seleção mudou porque há novos jogadores, há outro sistema de jogar. Há jogadores jovens, jogadores que já cresceram. Vai passando o tempo, mas cada treinador tem seu estilo. Sampaoli tinha outro estilo em relação a Rueda. Trataremos de ajustar e desejo muita sorte ao Sampaoli no Brasil”, declarou o atleta do Barcelona.
A equipe pode não ser mais a mesma, mas o Chile ainda tem confiança num tricampeonato. E, claro, sem esquecer o bom futebol.
“Esperamos fazer uma Copa América muito linda e esperamos, se Deus quiser, levantar a Copa. Sim, temos muita confiança no que vamos fazer. Queremos ir jogo a jogo. De verdade, vocês vão ver uma seleção, desde o primeiro minuto, pressionando todas as seleções”, prometeu Vidal.
“Está na característica do Chile um futebol vistoso, atrativo”, disse Rueda em entrevista coletiva no último domingo. “É importantíssimo ganhar, num grupo com rivais difíceis. Mas o Chile não vai deixar de jogar bem, está no DNA”, garantiu o comandante.
A primeira prova é nesta segunda-feira, contra o Japão, às 20h, no estádio do Morumbi, em São Paulo.
