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Red Bull Bragantino: conheça Ralf Rangnick, futura 'cabeça pensante' do clube

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Em anúncio oficial de parceria com a Red Bull, Bragantino apresenta camisas de 2019 (0:31)

Thiago Scuro, da Red Bull, e Marquinho Chedid, do Bragantino, mostraram uniforme da temporada (0:31)

À beira do campo ou nas tribunas, Ralf Rangnick é uma constante no sucesso do RB Leipzig, clube que virou sensação do futebol alemão. Agora, sua meta será levar isso para além da Alemanha, ocupando o cargo de diretor de relações internacionais do New York Red Bulls e do Bragantino.

Rangnick, de 60 anos, estava no Leipzig desde 2012, sendo que foi contratado para ser diretor esportivo tanto dos germânicos quanto do Red Bull Salzburg. Ambos os clubes são geridos pela Red Bull, empresa de bebidas energéticas, que investiu pesado para alcançar o sucesso esportivo na Alemanha e na Áustria e agora tenta expandir o sucesso para além do continente europeu.

Apesar do poderio financeiro da companhia, os seus times não costumam contratar jogadores renomados e, sim, localizar e trazer jovens com potencial. Neste cenário, sobressaiu-se o trabalho bem-sucedido de Rangnick, que como treinador passou por Schalke 04 e Stuttgart, entre outras equipes.

O técnico/dirigente pegou o Leipzig na quarta divisão - o modesto clube fora fundado em 2009 e começara do quinto escalão. Logo no primeiro ano, título e promoção; em 2013-14, vice-campeonato e acesso à Segundona. Depois de um quinto lugar em 2014-15 na competição, o clube chegou à Bundesliga de forma inédita ao ser vice-campeão em 2015-16.

Enquanto isso, Ragnick ainda acumulou dois títulos de Bundesliga na Áustria com o Salzburg em 2013-14 e 2014-15. Depois da última conquista, ele, porém, decidiu mudar e deixou o clube austríaco para se dedicar exclusivamente ao alemão, no qual acumularia a função de técnico após o Leipzig não ter obtido sucesso na busca por um novo comandante.

No banco de reservas, ele conseguiu o acesso ao topo do futebol nacional, antes de voltar a se dedicar ‘apenas' ao seu cargo como dirigente a partir de 2016, já que Ralph Hasenhüttl foi contratado.

"Temos uma moderna estrutura no RB Leipzig, que nos permite tomar decisões rápidas. O trabalho com nossos jovens jogadores é alinhado de forma sustentável. Somos ambiciosos, mas sem fazer loucuras. Quem acompanha de perto nossa trajetória percebe a sustentabilidade e a clara filosofia com as quais trabalhamos aqui", afirmou Rangnick, por meio da assessoria de imprensa do clube, ao ESPN.com.br, em outubro de 2016.

Para o sucesso no futebol, Rangnick tem o conceito de três K’s - Kapital, Konzept e Kompetenz – dinheiro, conceito e competência, em alemão.

“Se essas três coisas vêm juntas, então você pode ser bem-sucedido. Se você tem apenas duas delas, é mais difícil”, afirmou em antiga entrevista à Deutsche Welle. “Nosso clube é sempre reduzido ao poder financeiro do dono. Há muitos clubes na Bundesliga assim. Colocado dessa forma, a classificação da Bundesliga não tem relação com o orçamento dos clubes. Se tivesse, a tabela ficaria diferente”.

Hoffenheim

Dividindo-se entre os dois cargos, Rangnick foi um dos pilares para que um time modesto da Alemanha, contando com um dono poderoso por trás, mude de patamar. A história, porém, não é nova na vida dele.

Depois de ter vencido a segunda divisão com o Hannover 96 e ter trabalho no Schalke 04, o treinador foi se aventurar no terceiro escalão do futebol nacional em 2006, para comandar o Hoffenheim - equipe modesta, mas com grandes pretensões. Afinal, contava com o apoio financeiro de Dietmar Hopp, um bilionário alemão e um dos fundadores da empresa de software SAP. Segundo a lista da Forbes das pessoas mais ricas do mundo de 2019, ele aparece na 96ª posição, com nada menos do que US$ 13,4 bilhões.

Com dois vice-campeonatos em seus dois primeiros anos, Rangnick levou o Hoffenheim para a elite em 2008, algo inédito na história do clube. Logo na estreia na Bundesliga, o time foi campeão do primeiro turno, mas perdeu o fôlego e acabou na sétima colocação. Rangnick saiu em 2011, e o clube sempre se manteve na elite, conseguindo até se classificar à Uefa Champions League, sob o comando de Julian Nagelsmann, que justamente será o técnico do Leipzig a partir de 2019-20.

Inovador

A fama de Rangnick em solo nacional, no entanto, veio antes disso. No fim do século passado, entre 1997 e 1999, ele levou o Ulm diretamente da terceira para a primeira divisão. O técnico, que deixou o time um pouco antes do acesso, ficou conhecido não só pelo sucesso com o clube, mas também por ser um treinador com ideias que destoavam no futebol alemão.

Quando em 1998 ele foi à TV para explicar o conceito do que seria ‘pressão’, ficou conhecido como ‘professor’.

O tempo mostrou que a fama não era por menos.

Na América, o New York Red Bulls é quem está há mais tempo com o patrocínio da empresa austríaca - desde 2006. Até agora, o melhor resultado obtido na MLS foi o vice-campeonato em 2008.

No Brasil, o time foi fundado em 2007, mas nunca conseguiu alçar voos maiores no Campeonato Brasileiro. Para esta temporada, porém, a Red Bull fechou parceria com o Bragantino, na Série B nacional.