<
>

Champions League: Alisson, exclusivo, fala sobre a ansiedade de jogar, pelo Liverpool, a maior partida de sua vida

O Liverpool retorna, em 2019, a um importante ponto de inflexão de sua temporada passada.

Saem Real Madrid, Kiev e, principalmente, o goleiro Karius. Entram o Tottenham, Madri e, para alívio dos Reds, o goleiro Alisson.

Atribuir todo peso da derrota na final da edição anterior da Champions League à falha de Karius é ser reducionista. Houve a lesão de Salah e, claro, um adversário de muito peso, cujo camisa 7 era ninguém menos do que Cristiano Ronaldo.

Mas a falha do arqueiro alemão mudou a história do clube. Foi ela um dos principais catalisadores da chegada ao clube do camisa 1 da seleção brasileira, à época, o goleiro mais caro de todos os tempo.

Em entrevista exclusiva à ESPN, Alisson fala sobre a expectativa de conquistar o maior título do futebol europeu, sobre a pressão de estar no lugar de Karius e o prazer de ser comandado por Jurgen Klöpp na partida que o arqueiro considera ser a maior de sua vida.

ESPN - Como vê o elenco para a final de sábado?

ALISSON - Muito feliz de chegar nesta final, acredito que até o momento é a partida mais importante da minha vida. Estamos trabalhando muito forte nestas duas semanas, tivemos também um tempo de descanso depois do final da Premier League, então todo mundo está com a cabeça boa, 100% fisicamente, e isso é o mais importante para chegar bem nesta partida.

Onde você estava quando o Liverpool perdeu para o Real Madrid em 2018?

Eu estava com a seleção brasileira, treinando - acredito até que eu tive treino na hora do jogo -, então não assisti à partida. Também, quando nós somos eliminados, depois não gostamos de assistir muito. Eu, particularmente, não gosto muito de assistir quando acontece algo negativo. Nós (Roma) fomos eliminados na semifinal, mas depois acabei acompanhando os lances, gosto muito de ver, analisar. Agora para eu estar tendo a oportunidade de jogar uma final, é uma satisfação imensa para mim.

Como goleiro, como viveu os erros de Karius naquela final?

A gente se entristece, porque sabe qual é o sentimento de fazer um erro numa partida tão grande como é a Champions League, uma coisa que pode marcar a vida. Mas a gente, na vida, sempre tem a oportunidade para fazer melhor, então é dessa maneira que eu encaro quando erro: procuro ficar o mais consciente, tento não me exaltar com os elogios, quando erro também não me coloco tanto para baixo, porque faz parte, pode acontecer com qualquer um. Acontece com quem está lá dentro.

É uma pressão a mais para a final deste ano que o goleiro foi considerado culpado pela derrota em 2018?

Não, acredito que não se pode colocar o peso em cima de uma pessoa só. A equipe tem 11, assim quando ganha, ganham todos; quando perde, não perde um só. Não foi só ele quem perdeu, foi o Liverpool quem perdeu. Neste ano, todos nós temos uma nova oportunidade – eu a primeira, outros a segunda – e vamos fazer de tudo para vencer sem colocar mais pressão que a gente já tem por ser uma final de Champions League.

Vimos que Roberto Firmino não treinou com vocês. Ele está bem?

Ele está bem, esperamos que Firmino esteja 110% para a final, com certeza ele vai estar. Ele está fazendo alguns trabalhos separados, pessoal do staff está tendo cuidado com ele. É um jogador muito importante para nós, e um jogador que, pela temporada e pelas outras que vem fazendo, merece jogar esse jogo, essa final. Vou ficar muito feliz se ele estiver dentro da equipe.

Klopp disse que este é o melhor elenco que ele já treinou. É muito melhor este Liverpool do que o do ano passado?

Acredito que nós que chegamos neste ano encaixamos de uma maneira perfeita dentro da equipe. Não que no ano passado a equipe fosse pior, ou as peças eram piores, mas neste ano acredito que casou de uma maneira perfeita a característica do Fabinho, a minha característica de ajudar o time a ter uma posse de bola maior, de construir jogadas desde a fase defensiva. Van Dijk chegou no meio da temporada passada, vem fazendo muito bem. E a nossa chegada também acredito que fez o desempenho dos outros jogadores crescerem, isso é o mais importante.

Há a sensação na Inglaterra de que o Liverpool é o favorito ao título, principalmente por vocês terem vencido o Tottenham dentro e fora de casa. O que pensa disso?

Primeiro de tudo, é uma partida em que não existe favorito. As duas equipes chegaram na final, o que não é fácil conseguir. Encaramos e eliminamos grandíssimos adversários, e eles também. O que passou até o momento foram outras situações. Lógico que alguma coisa pode se levar para dentro de campo, uma experiência em cima disso, mas a gente vai entrar muito ligado, porque é uma partida diferente, onde o nível de concentração tem de ser muito alto para que aconteça tudo de uma maneira perfeita.

Klopp perdeu duas finais de Champions. Qual é a mensagem que ele passa para não perder a terceira final?

Ele é um cara muito experiente neste quesito, e agora tendo outra oportunidade de vencer a Champions... é um cara que merece. Ele tem qualidade no que faz, é um dos melhores no que faz, é um cara muito apaixonado pelo que faz e transmite isso para nós jogadores. Ele só passa tranquilidade pra a gente, não coloca nenhuma pressão – já temos a pressão em si do jogo. Ele nos deixa muito à vontade e confortável para fazer o melhor.

Há um bloqueio mental por causa das derrotas do Liverpool em finais com Klopp no comando?

Esse ano serviu para fortalecer a equipe, fizemos uma grande temporada na Premier League com 97 pontos, uma das maiores pontuações da história, só ficamos atrás do campeão, outro time incrivelmente forte. Mas tudo o que é negativo nós deixamos fora de campo, dentro só levamos coisa positiva.

Quais são os grandes perigos do Tottenham? Você já conseguiu parar Messi pela Roma e pelo Liverpool. Prefere que jogue Harry Kane?

A gente não tem que escolher adversário, jogador que vai jogar contra, só tem que se preparar no dia a dia. Eu penso em ajudar a equipe. Harry Kane é um grandíssimo jogador, vem fazendo grandes temporadas, mas toda a equipe deles é muito forte e já mostrou seu valor mesmo sem ele. Temos que estar ligados, é uma equipe com muito potencial individual e coletivo.