Raheem Sterling disse que ele acha melhor marcar um gol e vencer a partida do que deixar o campo em forma de protesto quando algum jogador é alvo de ofensas racistas.
Meia do Manchester City e um dos melhores da Europa nesta temporada, Sterling se tornou pivô na luta contra o racismo, falando sobre incidentes no Chelsea e em Montenegro, e criticando parte da mídia pela cobertura que fazem de jogadores negros.
Algumas das figuras mais influentes do futebol mundial, como Pep Guardiola e Jurgen Klopp já disseram que não pensariam duas vezes em tirar o time do campo em caso de racismo, mas Sterling acha que jogar bem e vencer o jogo é, ainda mais, impactante.
“Todos têm direito a sua opinião,” ele disse em uma coletiva de imprensa. “Minha mãe me ensinou a ser confiante, amar a cor da minha pele e a estar confortável com a minha cor.”
“Pessoalmente, eu não concordaria [em deixar o campo]. Eu sou mais o tipo do cara que iria querer vencer o jogo, porque isso machucaria ainda mais [quem ofende].
“Eles estão tentando te derrubar. Se o time inteiro sai do campo, eles vencem. Se você fizer um gol e vencer a partida, eles perdem. E não há sentimento melhor do que esse.”
Sterling, que tem 24 anos, enfrenta o lateral e compatriota Danny Rose na partida de Champions League que o City tem contra o Tottenham. A primeira partida será nesta terça-feira, apenas alguns dias depois de Rose dizer que não vê a hora de se aposentar do futebol, “porque o jogo falhou na luta contra o racismo”.
“Isso deve ter acontecido muitas vezes, e ele, provavelmente, está cansado disso,” disse Sterling. “Eu respeito a vontade dele e é uma pena que tenha chegado a este ponto, de verdade. Nem todos são iguais, nem todos aceitam as coisas da mesma forma – ouvir isso não é nada legal.”
Perguntado sobre seu papel na luta contra o racismo, Sterling disse: “Eu não acho que vou fazer diferença. Isso é algo que vem acontecendo desde antes de eu nascer, desde antes dos meus pais nascerem... então a única coisa que eu posso fazer é tentar dar mais perspectiva ao povo.”
“Não estou tentando ser alguém que lidera um grupo, ou algo do tipo. Eu posso dar perspectiva, e as pessoas com os cargos mais altos que têm que trabalhar em prol disso.”
Técnico do Manchester City, Pep Guardiola disse: “Infelizmente, não é um problema só no futebol, ou em outra área específica. É um problema social. É sempre difícil de entender, como ainda estamos lidando com esse tipo de coisa em pleno século XXI.”
O meia francês e da Juventus, Blaise Matuidi, falou sobre o crescimento de incidentes envolvendo racismo depois de ser um dos três atletas da Juve a sofrer esse tipo de ofensa na semana passada, em partida contra o Cagliari. “É muito triste”, ele disse. “Aconteceu comigo neste mesmo estádio há um ano e isso não pode ser tolerado.”
“As pessoas podem até tentar dizer: ‘Talvez não seja racismo... às vezes só estão tentando te desestabilizar’. Não. Você não pode falar coisas assim. Eles têm que ser punidos. Eu não consegui me acalmar, eu não quis ignorar. Você tem que lutar. Não podemos aceitar isso mais. Temos que ter coragem para acabar com isso de uma
