O jornal francês Le Parisien revelou nesta quarta-feira, com muitos detalhes, os planos dos gigantes europeus para as mudanças na Uefa Champions League, transformando a competição em uma "SuperChampions" a partir de 2024.
As informações foram retiradas de uma reunião ocorrida nesta quarta entre Noël Le Graët, presidente da FFF (Federação Francesa de Futebol) e dirigentes de alto escalão dos principais clubes franceses: Paris Saint-Germain, Olympique de Marselha e Lyon.
"No menu desta reunião quase secreta, um projeto de reforma da Champions que pode ter efeito a partir de 2024. Uma reforma? Não, a palavra é fraca... Uma revolução no futebol profissional de clubes está em curso. Uma revolução ultra-liberal", destaca o diário.
De acordo com o Le Parisien, a "revolução" é capitaneada por dois gigantes: Juventus e Bayern de Munique.
"Esses barões do futebol estão trabalhando em uma nova versão da Champions que parece um 'clube fechado'. Tudo ainda precisa ser votado pelo Comitê Executivo da Uefa, em 2020. [...] Até o momento, porém, o presidente da Uefa, Aleksander Ceferin, não se posicionou publicamente sobre o tema", revelou o veículo.
O cálculo dos clubes por trás do projeto, porém, é conseguir quantias enormes de dinheiro.
"Os líderes do grupo de gigantes europeus possuem ilusões de grandeza. Eles sonham que, um dia, os direitos de TV da Champions chegarão aos valores, por exemplo, da NBA, o campeonato de basquete da América do Norte. Esse projeto de Champions 'semi-fechada' teria inclusive algumas similaridades com o formato da NBA, combinando uma quantidade cada vez maior de partidas entre grandes times e embates entre atletas de alto nível. Eles acreditam que essa fórmula conquistará as redes de TV", salienta.
AS REGRAS
A nova Liga dos Campeões funcionaria da seguinte forma.
O torneio teria 32 times, que seriam divididos em quatro grupos de oito, com jogos de ida e volta nesta primeira fase. Isso garantiria no mínimo 14 jogos internacionais a cada equipe por temporada, e não apenas seis, como é o caso atualmente.
Os quatro melhores de cada grupo se classificariam para os mata-matas, assegurando também a participação na Champions da próxima temporada. O 5º colocado não iria para o mata-mata, mas também já garantiria participação na edição do ano seguinte.
Já o 6º e o 7º de cada chave teriam que jogar um playoff para decidir quem se classifica para o próximo torneio. O 8º colocado, por sua vez, seria retirado do "clubinho privado". Dessa forma, cada edição teria 24 dos 32 clubes participantes da competição anterior.
Os oito postos restantes de classificação seriam divididos entre os quatro semifinalistas da Liga Europa e quatro campeões de ligas nacionais europeias, que disputariam ainda um mini-torneio entre julho e agosto para definir quem vai à Champions.
O calendário também passaria por grande mudança para englobar as novas datas. O torneio começaria em agosto, com a fase de grupos indo até fevereiro.
Até o momento, porém, está descartado jogar aos finais de semana, como especulou-se anteriormente. Dessa forma, os duelos seguiriam acontecendo às terças e quartas-feiras.
LIGAS NACIONAIS EM RISCO
Segundo o Le Parisien, a nova Champions pode "sepultar" as ligas nacionais da Europa.
"Qual seria o interesse em ser campeão nacional se isso sequer te garantiria um lugar na Champions League? A principal rota de acesso à maior competição da Europa seria participar do torneio no ano anterior. Nessas condições, líderes do futebol francês já antecipam um declínio significativo nos direitos de TV para a Ligue 1 a partir de 2024", reporta.
"No curto prazo, esse terremoto atingiria todo o ecossistema do futebol, produzindo uma concentração extrema de riqueza e dos grandes jogadores nos mesmos clubes. Um pouco como já funciona hoje, mas pior... Ou melhor, dependendo do ponto de vista", encerra.
