Atualmente no Maringá-PR, que disputa a primeira divisão do Campeonato Paranaense, Victor Golas fez sua carreira quase toda na Europa. Com passagens por Sporting (Portugal), Botev (Bulgária) e Trepça (Kosovo), o goleiro poderia ter adicionado outro clube em seu currículo: o Barcelona.
Isso porque depois de ter sido campeão da Copa São Paulo de futebol júnior com o América de Rio Preto-SP, era o terceiro arqueiro, ele foi titular da edição seguinte do torneio com apenas 16 anos. Suas atuações despertaram a cobiça de clubes tradicionais da Europa.
"Tive convites de Barcelona, Benfica e Sporting. Eles mandaram um olheiro chamado Jean Paul me observar. Do Barcelona, quem autorizou minha ida foi um auxiliar do Frank Rijkaard. Foi engraçado porque mandaram a mesma pessoa, o Luís Oliveira, falar comigo em Arapongas-PR, minha cidade natal", contou, ao ESPN.com.br.
O time catalão foi o primeiro a requisitar os serviços do jovem.
"O Luís chegou primeiro com uma carta do Barcelona na minha casa. Imagina para um menino de 16 anos receber isso! Depois que ele saiu, fiquei uns 40 minutos esticado na sala de casa sem acreditar (risos)", recordou.
Em 2007, Victor Golas foi passar por uma temporada de testes na base do Barcelona.
"Quando ia almoçar via o Pedro e o Bojan, que era o grande deles naquela época. Lembro que falei com o Thiago Alcantara e o Rafinha. A gente vê hoje nem imaginava que eles chegariam nesse ponto, mas tive pouco contato. Cheguei a fazer um amistoso contra um time asiático pelo Barcelona".
Além disso, o goleiro chegou a ver alguns treinos da equipe principal, então campeã da Champions League, que tinha nomes como Ronaldinho Gaúcho, Xavi, Iniesta, Deco, Messi e Samuel Eto'o.
"Para a gente era um sonho! Uma vez o treino de recuperação de um jogo deles e o Ronaldinho deu duas voltas no campos fazendo balãozinhos e foi embora (risos). Esse foi o treino dele do dia. Para você ver a moral que ele tinha", recordou.
Após cinco dias na Espanha, um telefonema mudou o destino do brasileiro.
"O Jean Paul trabalhava para o Sporting falou para o Luís: ‘Poxa, quando um jogador que você vê que tem potencial manda sempre primeiro ao Barcelona. A gente quer ele aqui, quero prioridade. Manda ele aqui porque vai treinar com a equipe principal e só vai descer para o júnior quando for jogar. Daremos uma atenção especial para ele chegar mais rápido ao time principal'", contou.
"Naquela época, o Barcelona tinha time c, b e o principal, Para chegar no topo tinha que ser muito fora de série. Eles tinham o Victor Valdés, o Pinto e um garoto chamado Rúben, que apostavam muito. Decidi ir para o Sporting porque achei que teria mais chances", analisou.
Mas por muito pouco ele não foi parar no maior rival da equipe de Lisboa.
"Quando soube que eu estava indo para o Sporting, o Benfica tentou atravessar a negociação, mas já tinha dado a minha palavra. Poucos dias depois, já assinei contrato profissional", contou.
Outro fator que pesou para a ida de Victor é que seu irmão mais velho, o meia Vinícius Golas, também estava na base do Sporting. Ele havia saído do América-SP diretamente para a equipe portuguesa.
"Fui para os juniores com 16 anos e o Rui Patrício era o goleiro titular. Era um cara muito gente boa e trabalhador, mas meio quieto. Não é de esticar muito conversa, é muito humilde e gente boa. Os nove anos que estive lá trabalhei com ele. O pessoal batia muito na tecla de que eu seria o sucessor dele porque meu percurso na base foi melhor que o dele. Criou-se muita expectativa", recordou.
Em 2008, ele chegou a ser inscrito na Uefa Champions League e convocado para as quartas-de-final m Munique contra o Bayern. Apesar disso, o brasileiro não conseguiu ter espaço no Alvalade.
"Sempre falavam que o Rui ia ser vendido, mas ele não saía e fechava meu espaço. Por isso, passei a ser emprestado para times de Portugal. Eu era muito novo e precisava evoluir. Cheguei a fazer jogos menores como Liga de Honra, a mais antiga de Portugal. Mas não fiz jogos de tanta importância quanto achei que iria fazer", recordou o brasileiro, que chegou a fazer amistosos e a jogar pela equipe b.
"Fiz um jogo no estádio da Luz que vencemos por 3 a 1 o Benfica com nosso time b. Lembro de uma partida que fiz contra o Lyon também, que tinha acabado de vender o Benzema ao Real Madrid". Emprestado para Real-POR, Boavista-POR e Penafiel-POR, o arqueiro deixou o Sporting em 2014.
"Vi que não ia jogar e fui para o Braga com a intenção de atuar. Mas quando cheguei ao clube, o [empresário] Jorge Mendes comprou o passe do Matheus Magalhães, do América-MG, e vi que não teria vida fácil".
Com isso, Victor tornou-se terceiro goleiro e decidiu ir para o Botev Plovdiv, da Bulgária, na temporada seguinte:
"Acredito que lá tenha sido um dos melhores campeonatos que fiz na minha vida. Surgiram algumas propostas e o clube não me liberou. Minha esposa estava grávida e achei que conseguiria um clube melhor, mas nada deu certo. Ai, resolvi voltar o Brasil", recordou.
Após conhecer os diretores do Linense-SP, ele foi acabou jogando o Paulistão de 2017 pela equipe do interior, que chegou às quartas de final. Destaque da campanha que terminou com eliminação para o São Paulo, o goleiro foi para o Londrina na disputa da Série B.
Na equipe paranaense, porém, foi reserva de César, destaque no título da Primeira Liga ao pegar vários pênaltis. De volta ao Linense no Paulistão do ano passado, ele não conseguiu evitar a queda da equipe para a Série A2 do torneio.
"Eu desanimei um pouco e fui para jogar no Trepça, de Kosovo. O clima lá era hostil, a guerra acabou há alguns anos, mas eles ainda tem a guerra dentro deles na cidade. A gente escutava uns tiros dos caras treinando nas montanhas. Eles tem muita rixa com regiões vizinhas. Após alguns meses, como eles não estavam cumprindo o prometido eu resolvi voltar ao Brasil", afirmou.
Victor Golas acertou com o Maringá-PR, pelo qual atua como titular no Campeonato Paraense deste ano. A equipe, que luta contra o rebaixamento, enfrentará o Toledo-PR, neste domingo.
