<
>

Dez frases de Freud que explicam o momento da seleção brasileira de Tite

Ao andar pelas ruas de Praga um susto. De longe se observa um homem pendurado, seguro por uma fina haste na janela. Não se trata de alguém de carne de osso, apesar da semelhança à distância. É Sigmund Freud.

Ali está uma das obras do artista tcheco David Cerny: “Freud Pendurado”, retratando as incertezas do ser humano e o medo da morte – temas comuns e muito presentes na vida e obra do criador da psicanálise. Outra interpretação aponta para Freud olhando de cima os transeuntes, para que os mesmos se sentissem observados ‘em seu mundo íntimo’.

Freud é considerado austríaco, pois nasceu em Freiberg, à época pertencente ao império da Áustria, hoje cidade no território da República Tcheca.

A proximidade com Freud na cidade que recebe o amistoso entre tchecos e brasileiros (e uma dose de ousadia) nos permitem analogias: reflexões inspiradas no neurologista e o atual momento da seleção, sobretudo de Tite. Prepare-se para dez frases tão difundidas em correntes nas redes sociais.

“Podemos nos defender de um ataque, mas somos indefesos a um elogio”

Tite se tornou unânimidade ao assumir a seleção rapidamente. Não havia no senso comum alguém mais merecedor à época, e os resultados das Eliminatórias (somados ao grande desempenho do time) foram fatais. Ninguém o questionaria até a Rússia.

“Nenhum ser humano é capaz de esconder um segredo. Se a boca se cala, falam as pontas dos dedos”

Tite soube blindar a seleção brasileira durante o período na Copa, e tem mantido o esquema até hoje. Nenhum grande furo chacoalhou o dia a dia do time desde que o técnico assumiu. Cortes, novas convocações, ou surpresas na escalação são anunciadas pelos veículos oficiais da CBF.

“Aonde quer que eu vá, eu descubro que um poeta esteve lá antes de mim”

Pode-se imaginar aqueles que o antecederam: Dunga, Mano, Felipão, Parreira… todos, com exceção ao treinador do Cruzeiro, lá estiveram por mais de uma vez. Desancar-se do que foi deixado não é simples, mas o treinador o fez até que rapidamente.

“De erro em erro, vai-se descobrindo toda a verdade”

Gabriel Jesus não poderia ter ficado como titular a Copa toda. A convicção do treinador beirou a teimosia, e o tema ainda é recorrente quase um ano depois. O escolhido da vez é Philippe Coutinho.

“Não somos apenas o que pensamos ser. Somos mais; somos também o que lembramos e aquilo de que nos esquecemos; somos as palavras que trocamos, os enganos que cometemos, os impulsos a que cedemos, sem querer”

As palavras em suas entrevistas coletivas começam a ser questionadas. Até mesmo o bom humor da crítica em relação ao “Titês” dá espaços ao cansaço das ‘palestras’ dadas pelo treinador em seu encontro com os jornalistas. Quanto disso é genuíno, parte da verdade do treinador, ou estão num mecanismo de defesa e, ao mesmo tempo, redução de polêmicas?

Que contraste perturbador existe entre a inteligência radiante de uma criança e a frágil mentalidade de um adulto mediano”

Aqui um retrato do atual momento: a escolha para a Copa América. Renovar com as jovens mentes de Vinícius Junior e Neres, ou se apegar a certeza mediana de experientes que dificilmente chegarão ao Catar?

“A humanidade progride. Hoje somente queimam meus livros; séculos atrás teriam queimado a mim”

Já houve técnico em passado recente que chegou na sede da CBF sob protestos. Hoje em dia, apesar das críticas e queda na popularidade, Tite tem o respeito geral e goza de sua credibilidade nos dias da seleção brasileira.

“As minhas capacidades ou os meus talentos são muito limitados. Zero em ciências naturais; zero em matemática; zero em tudo quanto seja quantitativo. No entanto, o pouco que possuo e que se reduz a pouca coisa foi provavelmente muito intenso".

Ninguém questiona o quanto Tite se entrega ao trabalho. Os cabelos brancos, agora dominantes, não deixam mentir.

“Somos feitos de carne, mas temos de viver como se fôssemos de ferro”

Existe melhor armadura para um técnico de futebol no Brasil, país onde se diz todos têm um pouco de treinador?

“Existem momentos na vida da gente, em que as palavras perdem o sentido ou parecem inúteis, e, por mais que a gente pense em uma forma de empregá-las elas parecem não servir. Então a gente não diz, apenas sente”

Essa passagem da seleção pela Europa mostra um Tite mais calado, recluso, e muitas vezes pego em solidão no campo. As questões pessoais com a recente perda da mãe – na qual era muito ligado - estão latentes, ainda que ele tente disfarçar, se afundando em trabalho. É um escudo para o treinador se afastar da realidade?

Nada mais freudiano.